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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Split payment da Reforma Tributária transforma pagamentos em nova camada da infraestrutura fiscal das empresas

Nova lógica de recolhimento de IBS e CBS aproxima o fluxo financeiro da operação fiscal e exige revisão da arquitetura tecnológica transacional, aponta Orlando Ovigli, sócio da SH Squads

 

Com a recente publicação da documentação técnica da Plataforma Pública do Split Payment, mecanismo previsto na Reforma Tributária para permitir a segregação e o recolhimento de tributos no momento da liquidação financeira das operações, as empresas brasileiras entraram em uma etapa mais concreta da mudança de regras no sistema tributário: adaptar a infraestrutura de pagamentos para conversar com sistemas fiscais, financeiros e contábeis.
 
As novas regras constam no manual e as especificações técnicas para a integração dos sistemas ao split payment, divulgados em junho deste ano pela A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, órgão responsável por administrar o Imposto sobre Bens e Serviços. Ao mesmo tempo, as empresas já convivem, desde 1º de janeiro de 2026, com novas obrigações relacionadas à emissão de documentos fiscais eletrônicos com destaque da CBS e do IBS.
 
A mudança ocorre em um ambiente no qual os meios de pagamento já passaram por uma profunda transformação, especialmente com a consolidação do Pix e a expansão dos pagamentos digitais. O próximo movimento, portanto, não é simplesmente digitalizar o pagamento, mas fazer com que a transação financeira passe a carregar, de forma integrada, informações necessárias à operação tributária.
 
“O split payment muda a relação entre pagamento e tributação. O meio de pagamento deixa de ser apenas o canal pelo qual o dinheiro circula e passa a fazer parte de uma engrenagem fiscal e financeira muito mais integrada. Isso exige que as empresas olhem para sua arquitetura tecnológica transacional de uma maneira mais ampla”, afirma Orlando Ovigli, sócio da SH Squads, empresa especializada em soluções financeiras e inteligência operacional.
 
O movimento representa uma mudança estrutural na relação entre pagamentos e gestão fiscal das empresas. Mais do que uma adaptação a uma nova regra tributária, a implementação do modelo exigirá maior integração entre a arquitetura transacional e os sistemas fiscais, financeiros e contábeis das organizações.
 
Pela nova sistemática, os prestadores de serviços de pagamento e as instituições operadoras dos sistemas de pagamento terão papel na segregação e no recolhimento dos valores correspondentes ao IBS e à CBS. A legislação também prevê mecanismos de vinculação entre as transações de pagamento e as operações tributáveis, além de um procedimento simplificado de split payment.
 
Na prática, a mudança amplia significativamente a quantidade de sistemas que precisam conversar entre si. ERP, emissão de documentos fiscais, gateways, adquirentes, subadquirentes, contas a receber, conciliação, fluxo de caixa, bancos e contabilidade passam a fazer parte de uma mesma cadeia tecnológica, na qual a consistência e a circulação das informações serão fundamentais para que a transação financeira e o tratamento tributário ocorram corretamente.
 
Para empresas que processam milhares ou milhões de operações, o impacto tende a ser ainda maior. Uma inconsistência na comunicação entre sistemas pode gerar divergências de valores, dificuldades de conciliação e aumento da carga operacional. Por outro lado, uma arquitetura tecnológica integrada pode transformar uma obrigação regulatória em uma oportunidade para automatizar processos e aumentar a eficiência.
 
“A principal questão não é apenas adaptar o sistema para cumprir uma nova regra. É aproveitar esse momento para revisar a arquitetura transacional da empresa e eliminar silos entre financeiro, fiscal, pagamentos e gestão. Quanto mais integradas forem essas estruturas, menor será a dependência de conferências manuais e maior será a capacidade de a empresa identificar e corrigir inconsistências rapidamente”, explica Ovigli.


 
Mudanças vão além da área fiscal e exigem revisão da infraestrutura transacional
 
A experiência do varejo ajuda a dimensionar a importância dessa transformação. Empresas que operam com diferentes canais de venda, meios de pagamento, marketplaces, lojas físicas e operações digitais já enfrentam desafios importantes de conciliação financeira. Com o avanço do split payment, a conexão entre essas diferentes camadas ganha uma dimensão adicional.
 
A mudança, portanto, não deve ser tratada exclusivamente como um projeto da área fiscal ou tributária. A preparação envolve revisar como a empresa registra uma venda, emite o documento fiscal, processa o pagamento, recebe os recursos, realiza a conciliação e contabiliza a operação. Isso coloca a arquitetura tecnológica transacional no centro da adaptação ao novo sistema tributário.
 
Para a SH Squads, essa transformação já está acontecendo no varejo. A empresa vem apoiando varejistas na integração de suas operações financeiras e de pagamentos, conectando diferentes sistemas, automatizando processos e ampliando a eficiência da conciliação.
 
“Atuamos justamente nesse espaço e já estamos apoiando varejistas nessa transformação, conectando infraestrutura de pagamentos, sistemas financeiros e ferramentas de automação. A Reforma Tributária amplia a importância desse trabalho, porque a integração entre essas diferentes camadas será fundamental para que as empresas consigam operar com mais eficiência e segurança no novo ambiente tributário”, afirma Ovigli.
 
A lógica é substituir processos fragmentados por uma arquitetura na qual os dados possam circular de forma automatizada entre as diferentes etapas da operação. Isso permite não apenas responder às novas exigências tributárias, mas também melhorar indicadores como conciliação, controle de recebíveis, gestão do fluxo de caixa e eficiência operacional.
 
“A Reforma Tributária pode ser um catalisador para uma nova geração de infraestrutura financeira nas empresas. Quem investir em integração agora não estará apenas se preparando para o split payment, mas construindo uma operação mais eficiente, com dados mais confiáveis e maior capacidade de automação”, destaca o executivo.
 
O próprio Ministério da Fazenda reconhece que a implementação do split payment representa um desafio operacional relevante, mas avalia que a maturidade tecnológica brasileira nos sistemas de pagamento e na administração tributária pode favorecer sua implantação. A expectativa do governo é que o mecanismo também contribua para reduzir fraudes, sonegação e inadimplência.
 
Nesse contexto, a preparação das empresas deve ir além da área fiscal. Mapear os fluxos de pagamento, revisar a arquitetura e as integrações existentes, avaliar a capacidade dos ERPs e sistemas financeiros, estruturar APIs e automatizar processos de conciliação são algumas das medidas que podem reduzir a complexidade da transição.
 
“Estamos diante de uma mudança que conecta duas áreas que historicamente foram tratadas de forma separada: pagamentos e tributação. Para as empresas, o caminho mais eficiente é transformar essa exigência em uma agenda de revisão da própria infraestrutura transacional. Aquelas que tiverem uma arquitetura financeira integrada terão mais condições de atravessar a transição com segurança e, ao mesmo tempo, ganhar eficiência no dia a dia”, conclui Ovigli.

 

SH Squads

 

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