Pesquisar no Blog

sábado, 22 de agosto de 2026

Terapia de casal não é tribunal: o psicólogo não está ali para decidir quem está certo

 

Especialista explica como funciona a terapia de casal, por que o objetivo não é encontrar um culpado e de que maneira o processo ajuda a identificar padrões que mantêm os conflitos.

 

Quando um casal procura terapia, é comum que cada pessoa chegue às primeiras sessões esperando que o psicólogo confirme sua versão da história e mostre ao parceiro onde ele está errando. A sessão, então, pode começar como uma tentativa de apresentar provas, enumerar falhas e convencer o profissional a escolher um lado. No entanto, diferentemente de um tribunal, a terapia de casal não busca determinar quem é culpado ou inocente, mas compreender como os dois participam da dinâmica que mantém os conflitos.

A psicóloga e sexóloga Dra. Walkíria Fernandes, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia Comportamental Integrativa para Casais, explica que o terapeuta trabalha em favor da relação, oferecendo um espaço seguro para que ambos possam se expressar e observar o vínculo de outra perspectiva. O profissional não deve atuar como juiz, árbitro ou aliado de apenas uma das partes.

“O psicólogo não está na sessão para decidir quem tem razão. Mesmo quando existe uma queixa legítima, o nosso trabalho é ajudar o casal a compreender o que acontece antes, durante e depois de cada conflito. Muitas vezes, eles discutem sobre assuntos diferentes, mas repetem sempre o mesmo padrão de ataque, defesa, afastamento ou silêncio”, explica a terapeuta de casal.

Durante o processo, são analisados aspectos como a forma de comunicação, as expectativas construídas sobre a relação, as necessidades emocionais de cada parceiro e os comportamentos que reforçam as brigas. Em vez de olhar somente para o conteúdo da discussão, a terapia busca identificar o ciclo que envolve os dois. Um pode cobrar para se sentir ouvido, por exemplo, enquanto o outro se afasta por se sentir pressionado, fazendo com que a cobrança e o distanciamento aumentem sucessivamente.

“Quando o casal está preso ao conflito, cada pessoa costuma enxergar apenas a reação do outro e não percebe como o próprio comportamento também alimenta a dinâmica. A terapia ajuda a tornar esse ciclo visível, não para dividir a culpa igualmente, mas para mostrar quais mudanças estão ao alcance de cada um”, pontua Walkíria.

Essa postura não significa ignorar comportamentos prejudiciais ou tratar todas as situações como se houvesse a mesma responsabilidade entre os parceiros. A especialista ressalta que atitudes como agressões, ameaças, controle, coerção e outras formas de violência exigem avaliação cuidadosa e não devem ser relativizadas em nome da preservação do relacionamento. Nesses casos, a prioridade é a segurança da pessoa envolvida.

A terapia também não tem como finalidade obrigar o casal a permanecer junto. Ao longo das sessões, o processo pode ajudar os parceiros a reconstruir o diálogo e fortalecer a relação, mas também pode contribuir para uma separação mais consciente quando a continuidade do vínculo deixa de ser saudável ou desejada.

“O sucesso da terapia não é medido apenas pela permanência do casal. Ele está na possibilidade de tomar decisões com mais clareza, reconhecer necessidades, estabelecer limites e construir formas mais responsáveis de se relacionar. O terapeuta não entrega um veredito; ele oferece ferramentas para que o casal compreenda sua história e faça escolhas de maneira mais consciente”, conclui Dra. Walkíria Fernandes.

 

Fonte: Dra. Walkíria Fernandes | Psicóloga e sexóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia Comportamental Integrativa para Casais.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados