Especialista
explica como funciona a terapia de casal, por que o objetivo não é encontrar um
culpado e de que maneira o processo ajuda a identificar padrões que mantêm os
conflitos.
Quando um casal procura terapia, é comum que cada pessoa
chegue às primeiras sessões esperando que o psicólogo confirme sua versão da
história e mostre ao parceiro onde ele está errando. A sessão, então, pode
começar como uma tentativa de apresentar provas, enumerar falhas e convencer o
profissional a escolher um lado. No entanto, diferentemente de um tribunal, a
terapia de casal não busca determinar quem é culpado ou inocente, mas
compreender como os dois participam da dinâmica que mantém os conflitos.
A psicóloga e sexóloga Dra. Walkíria Fernandes, especialista
em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia Comportamental Integrativa
para Casais, explica que o terapeuta trabalha em favor da relação, oferecendo
um espaço seguro para que ambos possam se expressar e observar o vínculo de
outra perspectiva. O profissional não deve atuar como juiz, árbitro ou aliado
de apenas uma das partes.
“O psicólogo não está na sessão para decidir quem tem razão.
Mesmo quando existe uma queixa legítima, o nosso trabalho é ajudar o casal a
compreender o que acontece antes, durante e depois de cada conflito. Muitas
vezes, eles discutem sobre assuntos diferentes, mas repetem sempre o mesmo
padrão de ataque, defesa, afastamento ou silêncio”, explica a terapeuta de
casal.
Durante o processo, são analisados aspectos como a forma de
comunicação, as expectativas construídas sobre a relação, as necessidades
emocionais de cada parceiro e os comportamentos que reforçam as brigas. Em vez
de olhar somente para o conteúdo da discussão, a terapia busca identificar o
ciclo que envolve os dois. Um pode cobrar para se sentir ouvido, por exemplo,
enquanto o outro se afasta por se sentir pressionado, fazendo com que a
cobrança e o distanciamento aumentem sucessivamente.
“Quando o casal está preso ao conflito, cada pessoa costuma
enxergar apenas a reação do outro e não percebe como o próprio comportamento
também alimenta a dinâmica. A terapia ajuda a tornar esse ciclo visível, não
para dividir a culpa igualmente, mas para mostrar quais mudanças estão ao
alcance de cada um”, pontua Walkíria.
Essa postura não significa ignorar comportamentos
prejudiciais ou tratar todas as situações como se houvesse a mesma
responsabilidade entre os parceiros. A especialista ressalta que atitudes como
agressões, ameaças, controle, coerção e outras formas de violência exigem
avaliação cuidadosa e não devem ser relativizadas em nome da preservação do
relacionamento. Nesses casos, a prioridade é a segurança da pessoa envolvida.
A terapia também não tem como finalidade obrigar o casal a
permanecer junto. Ao longo das sessões, o processo pode ajudar os parceiros a
reconstruir o diálogo e fortalecer a relação, mas também pode contribuir para
uma separação mais consciente quando a continuidade do vínculo deixa de ser
saudável ou desejada.
“O sucesso da terapia não é medido apenas pela permanência
do casal. Ele está na possibilidade de tomar decisões com mais clareza,
reconhecer necessidades, estabelecer limites e construir formas mais
responsáveis de se relacionar. O terapeuta não entrega um veredito; ele oferece
ferramentas para que o casal compreenda sua história e faça escolhas de maneira
mais consciente”, conclui Dra. Walkíria Fernandes.
Fonte: Dra. Walkíria Fernandes | Psicóloga e sexóloga,
especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia Comportamental
Integrativa para Casais.
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