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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Eventos climáticos extremos: especialistas orientam como preparar a casa e reduzir riscos

Divulgação UNIFACS
Magnific

Perspectiva de intensificação do El Niño nos próximos meses reforça a importância da prevenção

 

A frequência crescente de tempestades severas, ondas de calor e períodos de estiagem prolongada tem acendido o alerta em diversas regiões do país. Diante de previsões que indicam a intensificação de fenômenos meteorológicos globais, a preparação das cidades e das residências deixa de ser apenas uma medida eventual e passa a fazer parte da rotina de segurança da população. Entender os fatores climáticos envolvidos e adotar cuidados preventivos são passos fundamentais para mitigar danos materiais e proteger vidas.
 

Diante desse cenário, especialistas da Universidade Salvador (UNIFACS), integrante da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do país, orientam que a prevenção deve começar antes dos períodos de maior risco, com a identificação das características de cada local e a adoção de medidas capazes de reduzir impactos. 

De acordo com o arquiteto e urbanista Bruno Andrade, coordenador do Escritório de Arquitetura da UNIFACS, compreender a relação entre os fenômenos climáticos e o ambiente construído é fundamental para pensar estratégias de prevenção. Para o especialista, a arquitetura e o planejamento dos espaços precisam considerar as características e os possíveis impactos de eventos climáticos extremos, especialmente em regiões mais suscetíveis a chuvas intensas, ventos fortes, alagamentos ou períodos prolongados de calor. 

Nesse contexto, a expressão “Super El Niño”, que vem chamando a atenção da sociedade, é uma denominação utilizada por especialistas e órgãos internacionais de meteorologia para descrever eventos em que a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Central supera o patamar de +2 °C acima da média histórica de forma sustentada. 

“Nos últimos 150 anos de monitoramento, episódios dessa magnitude extrema foram registrados em poucas ocasiões, como em 1982 e 1983, 1997 e 1998 e 2015 e 2016. A apreensão recente decorre de projeções e medições que indicam um acúmulo expressivo de energia térmica tanto na superfície quanto nas camadas subsuperficiais do oceano, aumentando o risco de um evento com impactos globais de grande severidade”, explica. 

O arquiteto ressalta que eventos dessa magnitude também podem ampliar a pressão sobre as cidades e sobre o ambiente construído. “Quando pensamos em arquitetura e urbanismo diante de cenários climáticos extremos, precisamos considerar não apenas o fenômeno em si, mas também a forma como as edificações e os espaços urbanos respondem a ele. Características como a localização do imóvel, a ocupação do terreno, a circulação de água e a exposição aos ventos podem influenciar diretamente a capacidade de uma construção de enfrentar situações adversas”, detalha o docente.
 

Arquitetura preventiva e engenharia: cuidados na infraestrutura residencial

Para enfrentar cenários de instabilidade climática, a manutenção predial preventiva e o diagnóstico de pontos vulneráveis nas moradias são as primeiras linhas de defesa. Especialistas destacam que pequenos reparos realizados antecipadamente podem evitar falhas graves durante temporais. 

Bruno Andrade ressalta que o ponto de partida deve ser a observação cuidadosa da própria edificação. Telhados, fachadas, muros e esquadrias precisam ser avaliados com frequência. “Uma das principais medidas preventivas é conhecer as condições da própria residência. Problemas que parecem pequenos, como uma telha deslocada, uma calha obstruída ou uma fissura que está evoluindo, podem ganhar proporções maiores diante de uma chuva intensa ou de ventos fortes. A manutenção preventiva é sempre mais segura do que tentar corrigir o problema durante uma emergência”, orienta Bruno Andrade. 

Por sua vez, a engenheira ambiental e sanitarista Raissa da Matta, coordenadora do curso de Engenharia Civil da UNIFACS, enfatiza a atenção necessária ao escoamento da água e aos sistemas de drenagem. Calhas, ralos e condutores devem estar sempre limpos, e o terreno deve estar preparado para absorver e conduzir o fluxo de água sem gerar represamentos. 

“É importante observar como a água da chuva se comporta no terreno e dentro da própria residência. Quanto mais cedo forem identificados pontos de acúmulo, infiltrações ou falhas no sistema de drenagem, maiores são as possibilidades de minimizar os impactos durante um evento extremo”, frisa Raissa da Matta. 

Bruno Andrade acrescenta que qualquer intervenção na estrutura do imóvel deve contar com orientação técnica qualificada. “Paredes, pilares, vigas e outros elementos estruturais têm funções específicas na segurança de uma edificação. Reformas ou intervenções sem orientação técnica podem comprometer o desempenho da construção”, alerta o arquiteto.
 

Guia prático: preparação e comportamento em fenômenos extremos

Com base na experiência dos docentes da Universidade Salvador, foram reunidas orientações práticas para ajudar a população a se preparar e saber como agir antes, durante e depois de um evento meteorológico adverso. As informações destacam medidas preventivas e cuidados que podem contribuir para reduzir riscos e preservar a segurança de pessoas e famílias.
 

Antes da chuva

A preparação começa na rotina. Recomenda-se realizar a limpeza de calhas, ralos e sarjetas; verificar a fixação de telhas e rufos; e observar se há trincas ou inclinações em muros de arrimo e fachadas.

Objetos soltos em quintais e varandas, como vasos, móveis e ferramentas, devem ser recolhidos ou fixados para evitar que sejam arremessados pelo vento. Em áreas sujeitas a alagamentos, é prudente proteger documentos pessoais e medicamentos em sacos plásticos impermeáveis e mantê-los em locais elevados.
 

Durante vendavais e ventos fortes

A orientação principal é buscar abrigo dentro de casa ou em edificações consolidadas, mantendo portas e janelas bem fechadas. Deve-se manter distância de janelas de vidro, varandas e estruturas leves.

Na rua, evite se abrigar sob árvores, postes de energia, torres de transmissão e painéis publicitários. Bruno Andrade alerta que tentativas de reparar o telhado ou recolher objetos externos durante a tempestade não devem ser feitas em hipótese alguma, pois ventos intensos podem transformar itens aparentemente inofensivos em grandes riscos.
 

Em caso de alagamentos e enxurradas

Se o nível da água começar a subir, a prioridade absoluta é a evacuação e a preservação da vida. Não se deve tentar atravessar áreas inundadas a pé ou de carro. Correntezas aparentemente rasas podem encobrir buracos, bueiros abertos e fiação elétrica energizada submersa. Caso a água se aproxime das tomadas e da rede elétrica doméstica, o desligamento do disjuntor geral só deve ser realizado se o quadro de distribuição estiver em local totalmente seco. 

A professora Raissa da Matta reforça a importância de as famílias elaborarem previamente um plano simples de emergência. “É importante saber previamente por onde a água costuma entrar, quais objetos precisam ser retirados de áreas baixas e onde estão os registros de água e o quadro de energia. Ter essas informações facilita uma resposta rápida em uma situação de emergência”, recomenda a engenheira. 

Raissa aponta também a utilidade de manter um kit familiar com lanternas, pilhas, bateria portátil para celular, água potável e medicamentos de uso contínuo.
 

Atenção a encostas e cuidados pós-evento

Moradores de áreas de encosta devem ficar atentos aos alertas emitidos pela Defesa Civil por SMS ou por meio de sirenes locais. Sinais de perigo iminente incluem o aparecimento de novas fissuras nas paredes, estalos na estrutura do imóvel, inclinação de árvores e pequenos deslizamentos de terra. Ao notar esses indícios, evacue o imóvel imediatamente e busque os pontos de apoio informados pelo município. 

Após o fim do temporal, o retorno para casa exige cautela. Não entre em imóveis com danos estruturais aparentes nem religue equipamentos elétricos que tenham entrado em contato com a água sem uma avaliação adequada. 

Para acompanhar alertas em tempo real e solicitar atendimento emergencial, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193.  



Universidade Salvador - UNIFACS
www.unifacs.br

Ânima Educação


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