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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Canetas emagrecedoras: mitos e verdades que a ciência já responde

Com o aumento do uso dos análogos de GLP-1, cresce também o interesse por entender como esses medicamentos agem no organismo. Veja o que as evidências mostram até agora 

 

As canetas emagrecedoras deixaram de ser assunto restrito aos consultórios médicos e passaram a ocupar espaço nas redes sociais e em conversas entre amigos. Mas, à medida em que cresce o interesse por medicamentos à base de análogos de GLP-1, também aumenta a circulação de informações imprecisas. Médicos defendem que é preciso diferenciar resultados comprovados de conclusões sem respaldo científico. 

"Os pacientes chegam ao consultório com muita informação solta e pouca clareza sobre o que realmente é comprovado. Um dos avanços mais relevantes da semaglutida é que o corpo perde peso de forma potente e seletiva, priorizando a perda de gordura, o que favorece um resultado mais eficiente quando o tratamento é acompanhado de perto", afirma a endocrinologista Tassiane Alvarenga, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo a médica, aliar o tratamento à atividade física resistida e ingestão adequada de proteína contribui ainda mais para preservar os músculos e para a manutenção do peso perdido ao longo do tempo. 

A semaglutida, substância presente nos medicamentos Wegovy® e Ozempic®, transformou o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, sob o olhar atento da comunidade científica. Hoje, já existem estudos robustos que permitem uma visão clara do que médicos e pacientes podem esperar como resultado do uso dos medicamentos. Confira o que já é sustentado por estudos clínicos e o que não passa de mito.


1. A maior parte da perda de peso ocorre às custas da gordura: Verdade

Estudos mostram que cerca de 84% da perda de peso com semaglutida corresponde ao tecido adiposo (gordura)¹. Além disso, há redução da gordura visceral e da gordura acumulada no fígado, rins e músculos, enquanto a função muscular tende a ser preservada quando o tratamento é conduzido adequadamente.

2. A semaglutida pode aumentar a expectativa de vida: Verdade

Uma análise de mais de 19 mil pacientes estimou ganho médio de 1,9 ano de vida e aproximadamente 2 anos a mais sem a ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC15.

3. O medicamento não substitui mudanças no estilo de vida: Verdade

Todos os grandes estudos clínicos associaram o uso da semaglutida a uma alimentação saudável e à prática regular de atividade física. O tratamento medicamentoso é considerado uma ferramenta, e não um substituto de hábitos saudáveis.


4. A semaglutida provoca queda de cabelo: Mito

Até o momento, não há evidência de uma relação causal direta. Nos estudos com Wegovy, a queda de cabelo foi relatada em 3% a 5,3% dos pacientes, principalmente entre aqueles que perderam mais de 20% do peso5. Segundo os pesquisadores, o fenômeno parece estar mais relacionado ao estresse fisiológico do emagrecimento do que ao medicamento em si. 

A endocrinologista ressalta que a semaglutida representa um dos principais avanços recentes no tratamento da obesidade, mas seus melhores resultados aparecem quando o medicamento faz parte de uma estratégia mais ampla de cuidado. “A semaglutida trouxe resultados importantes para o tratamento do diabetes e da obesidade, que são doenças crônicas e multifatoriais, mas o sucesso depende de acompanhamento médico, associado a hábitos saudáveis. Ou seja, é importante associar o tratamento farmacológico com a medicina do estilo de vida”, conclui Tassiane Alvarenga. 



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Referências:

  1. Hjelmesæth J et al. Presented at the European Association for the Study of Diabetes (EASD) 61st Annual Meeting, 15–19 September 2025; Vienna, Austria.
  2. Weghuber D et al. Once-Weekly Semaglutide in Adolescents with Obesity. New England Journal of Medicine. 2022.
  3. Novo Nordisk. Periodic Safety Update Report (PSUR): Semaglutide (Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®).
  4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualização sobre pedidos de registro de semaglutida. 2026.
  5. Wilding JPH et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity (STEP 1). New England Journal of Medicine. 2021.
  6. Garvey WT et al. Two-year effects of semaglutide in adults with overweight or obesity: STEP 5. Nature Medicine. 2022.
  7. Kadowaki T et al. Semaglutide once a week in adults with overweight or obesity. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2022.
  8. Bliddal H et al. New England Journal of Medicine. 2024.
  9. Batterham RL et al. American College of Obstetricians and Gynecologists Annual Clinical and Scientific Meeting. 2021.
  10. Novo Nordisk. Periodic Safety Update Report (PSUR) – dados de farmacovigilância.
  11. Lincoff AM et al. Semaglutide and cardiovascular outcomes in obesity without diabetes. New England Journal of Medicine. 2023.
  12. Sanyal AJ et al. Phase 3 Trial of Semaglutide in Metabolic Dysfunction–Associated Steatohepatitis. New England Journal of Medicine.
  13. Rasouli N et al. American Diabetes Association Scientific Sessions. 2025.
  14. Arnaut T et al. Impact on food noise after initiating semaglutide treatment (INFORM). EASD Annual Meeting. 2025.
  15. van Sloten TT, Hageman SHJ, Westerink J, Capucci S, Fernandes JDR, Holloway S, et al. Projected life-year gains with semaglutide in individuals with cardiovascular disease without type 2 diabetes in the UK. Endocrine Connections. 2026.


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