Em Como lidar com birras – Formando crianças seguras, amadas e emocionalmente saudáveis, a educadora e especialista em parentalidade Míriam Tirado propõe compreender as explosões emocionais das crianças sem recorrer a punições, ameaças ou culpa
Toda mãe ou pai já passou, ou passará, por uma cena difícil de administrar: uma criança gritando no supermercado, chorando no restaurante ou se recusando a sair do parquinho. Em meio ao constrangimento, ao cansaço e à sensação de impotência, surge uma pergunta recorrente: como lidar com as birras sem perder o controle?
É justamente essa questão que orienta Como lidar com birras – Formando crianças seguras, amadas e emocionalmente saudáveis, novo livro da educadora, escritora e especialista em parentalidade Míriam Tirado. Publicada no Brasil pela Buzz Editora, a obra foi traduzida do espanhol por Diana Margarita Sorgato e propõe uma mudança na forma de compreender as crises emocionais da infância.
Para a autora, as birras não representam necessariamente falhas na educação ou uma tentativa deliberada de manipular os adultos, mas fazem parte do desenvolvimento infantil e podem se tornar momentos importantes para fortalecer o vínculo entre pais e filhos e ajudar a criança a desenvolver, gradualmente, recursos para reconhecer e regular as próprias emoções. O livro é o primeiro de uma duologia. O segundo volume, dedicado ao estabelecimento de limites, tem lançamento previsto pela Buzz Editora no Brasil em 2027.
Longe de oferecer receitas prontas ou prometer o fim dos acessos de raiva, Míriam Tirado propõe que mães, pais e responsáveis compreendam o que acontece com a criança, e consigo mesmos, durante uma explosão emocional. A proposta é substituir a lógica de combate à birra pela compreensão de que a criança ainda está desenvolvendo habilidades de autorregulação e precisa da presença de um adulto capaz de oferecer segurança e limites.
“As
crianças vivem o presente de forma intensa, diferente de nós. Assim, quando
elas explodem, é para valer, e sim, elas sofrem. Mas isso não significa que,
uma vez superada essa raiva, chorada e amparada, elas não possam rir novamente.
Na verdade, nossos filhos vivenciam as emoções de uma forma muito mais saudável
do que nós: eles se permitem vivenciá-las e, uma vez que o fazem, podem virar a
página. Quantos adultos ficam presos na raiva que nem sequer se atrevem a
sentir durante dias, semanas, meses ou até anos?”, questiona a autora.
Emoções e autorregulação ainda em desenvolvimento
Ao longo de doze capítulos, a autora amplia a discussão para temas que ultrapassam as crises infantis. A partir de conhecimentos relacionados à psicologia do desenvolvimento, neurociência, educação respeitosa e inteligência emocional, Míriam Tirado aborda por que crianças pequenas ainda estão desenvolvendo recursos para regular as próprias emoções, como o medo pode influenciar seus comportamentos e de que maneira empatia, presença e limites consistentes contribuem para relações familiares mais saudáveis.
Um dos diferenciais da obra está na forma como a autora compartilha a própria experiência como mãe. Em diferentes momentos, ela aborda sentimentos como culpa, frustração e exaustão, além de pensamentos difíceis que podem surgir diante de crises intensas, para mostrar que essas reações não definem, por si só, a qualidade de um pai ou de uma mãe.
“Reconhecer as próprias emoções é parte importante do desenvolvimento do autocontrole e de uma parentalidade mais consciente”, explica a autora.
A abordagem também questiona modelos tradicionais de educação baseados no controle do comportamento por meio de punições, gritos, ameaças ou recompensas. Em vez de interpretar a resistência da criança como um desafio intencional à autoridade dos adultos, Míriam Tirado propõe considerar que ela pode estar expressando emoções para as quais ainda não possui recursos internos suficientes.
Nesse
contexto, o papel dos pais não seria eliminar o conflito, mas oferecer um
ambiente seguro no qual a criança possa aprender, de forma progressiva, a
reconhecer, expressar e regular seus sentimentos. A proposta não significa
ausência de limites: acolhimento e firmeza aparecem como elementos que podem
coexistir na educação infantil.
Parentalidade também como processo de autoconhecimento
Além das reflexões sobre desenvolvimento infantil, Como lidar com birras apresenta exercícios de autopercepção que incentivam o leitor a observar sentimentos, crenças e reações automáticas diante das situações de conflito.
Segundo Míriam Tirado, parte das dificuldades enfrentadas pelos adultos na relação com as crianças pode estar relacionada às próprias experiências emocionais e aos modelos de educação que receberam. Nesse sentido, a parentalidade também pode se tornar uma oportunidade de autoconhecimento.
“Pode parecer uma tarefa árdua, e talvez seja. Mas não tenho dúvidas de que se trata de uma tarefa imprescindível: ajudar o adulto que há em nós a crescer a partir da compaixão, do respeito e da consciência, para depois ajudar nossos filhos e filhas em sua jornada de vida”, aconselha Míriam.
A
autora também aborda situações comuns do cotidiano familiar, como birras
durante as refeições, na hora de dormir e no banho; conflitos em locais
públicos; uso de telas; disputas entre irmãos; além de situações vividas
durante viagens e férias. A obra dedica ainda capítulos a crianças altamente
sensíveis, crianças com altas habilidades e situações em que pode ser
necessário buscar acompanhamento profissional.
Livro: Como lidar com birras – Formando crianças
seguras, amadas e emocionalmente saudáveis, 304 páginas
Autora: Míriam Tirado
Gênero: Maternidade | Paternidade | Desenvolvimento
infantil | Inteligência Emocional | Educação | Família
Preço: 69,90
Venda: Link
Sobre a autora
Míriam Tirado é jornalista, educadora, escritora e referência internacional em
parentalidade consciente. Especialista em desenvolvimento infantil e educação
respeitosa, dedica-se à formação de famílias e educadores por meio de livros,
palestras e cursos. Também é autora referência em livros infantis. Como
lidar com birras – Formando crianças seguras, amadas e emocionalmente saudáveis
reúne anos de estudos e vivências para mostrar que compreender as emoções das
crianças começa, inevitavelmente, pelo autoconhecimento dos adultos.
Buzz Editora

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