Dor, inchaço, varizes,
mudança na cor da pele e feridas que não cicatrizam podem ser alertas de
doenças vasculares; lipedema também merece atenção, explica cirurgião vascular
Criada por lei em 2026, campanha acontece na
semana de 17 de agosto e busca conscientizar sobre prevenção, fatores de risco
e diagnóstico precoce. o Dr. Gabriel Novaes, cirurgião vascular e endovascular
e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV),
chama atenção para a importância de observar os sinais enviados pelo corpo.
Dor nas pernas, inchaço no fim do dia, vasinhos,
sensação de peso ou pés constantemente frios são sintomas que muitas pessoas
acabam incorporando à rotina. O problema é que algumas dessas alterações podem
ser os primeiros sinais de doenças vasculares que, quando não identificadas e
tratadas, podem evoluir e comprometer a qualidade de vida — e, em determinadas
situações, representar uma emergência médica.
“Muitas doenças vasculares começam de maneira
silenciosa ou com sintomas que parecem banais. Inchaço recorrente, dor,
alteração na temperatura ou na coloração das pernas e feridas que demoram para
cicatrizar não devem ser simplesmente normalizados”, explica Novaes.
1. Inchaço persistente nas pernas
Pernas e tornozelos inchados, principalmente
quando o problema se repete com frequência, merecem investigação. O sintoma
pode estar associado à insuficiência venosa, condição na qual o retorno do
sangue das pernas em direção ao coração fica prejudicado.
Quando o inchaço surge repentinamente em apenas
uma perna, acompanhado de dor, aumento da temperatura ou alteração da
coloração, a atenção deve ser ainda maior, porque esses sintomas podem ocorrer
em casos de trombose venosa profunda (TVP).
“Um inchaço súbito e unilateral é diferente
daquela sensação de pernas pesadas depois de passar muitas horas em pé. Quando
existe uma mudança repentina, especialmente acompanhada de dor, é importante
procurar atendimento médico”, alerta.
2. Dor, peso e cansaço nas pernas
A sensação de peso, queimação, cansaço e dor nas
pernas pode aparecer em pessoas com varizes e insuficiência venosa crônica.
As varizes não devem ser encaradas apenas como
uma questão estética. Quando existe comprometimento da circulação venosa, podem
surgir inchaço, alterações na pele e, nos casos mais avançados, úlceras.
“Quando as pernas começam a limitar atividades
que antes eram realizadas normalmente ou o desconforto se torna frequente, é
hora de investigar”, orienta Novaes.
3. Dor na panturrilha ao caminhar
Um sinal bastante característico de comprometimento
arterial é a dor que aparece na panturrilha, coxa ou glúteo durante uma
caminhada e melhora depois de alguns minutos de repouso.
Conhecida como claudicação intermitente, essa
manifestação pode estar associada à doença arterial periférica, provocada pela
redução do fluxo sanguíneo para os membros.
Pessoas que fumam ou têm diabetes, hipertensão,
colesterol elevado e idade mais avançada apresentam maior risco de doença
arterial.
4. Pés frios ou mudança de coloração
Um pé persistentemente mais frio que o outro,
palidez, coloração arroxeada ou outras mudanças importantes na aparência dos
membros também podem indicar alterações circulatórias.
A situação merece atenção especial quando a
mudança ocorre de forma súbita e vem acompanhada de dor intensa, perda de
sensibilidade ou dificuldade para movimentar o membro.
“Dor intensa de início súbito associada a um
membro frio ou pálido pode representar uma emergência vascular. Nesses casos,
não se deve esperar para ver se melhora sozinho”, destaca o cirurgião.
5. Feridas que demoram para cicatrizar
Feridas nos pés, tornozelos ou pernas que
permanecem abertas ou apresentam dificuldade de cicatrização podem estar
relacionadas a problemas venosos ou arteriais.
No caso de pessoas com diabetes, o cuidado
precisa ser ainda maior, já que alterações circulatórias e de sensibilidade
podem aumentar o risco de complicações.
“Uma pequena ferida pode parecer pouco importante
inicialmente, mas a dificuldade de cicatrização pode ser justamente o sinal de
que o tecido não está recebendo sangue adequadamente ou de que existe uma
doença venosa crônica”, explica.
6. Varizes acompanhadas de alterações na
pele
Veias dilatadas e tortuosas são uma das
manifestações vasculares mais conhecidas. Entretanto, é importante observar o
que acontece ao redor delas.
Coceira, descamação, escurecimento da pele
próximo aos tornozelos, endurecimento da região, inchaço frequente ou aparecimento
de feridas podem indicar progressão da doença venosa.
Segundo Novaes, procurar avaliação antes do
aparecimento de complicações permite definir medidas de prevenção e tratamento
de acordo com cada caso.
7. Pernas desproporcionais, doloridas e com
hematomas: pode ser lipedema
Outro problema que ganhou maior visibilidade nos
últimos anos é o lipedema, condição crônica que ocorre predominantemente em
mulheres e provoca acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente
nas pernas e, em alguns casos, nos braços.
Um dos principais desafios é que a condição ainda
pode ser confundida com obesidade ou gordura localizada.
Os sinais mais característicos incluem aumento
simétrico e desproporcional das pernas, dor ou sensibilidade ao toque, sensação
de peso e facilidade para desenvolver hematomas. Frequentemente, os pés são
preservados.
“Uma mulher pode emagrecer e perceber redução
importante do tronco, mas continuar com grande desproporção nas pernas, além de
dor e hematomas. Quando esses sinais aparecem em conjunto, é importante
investigar a possibilidade de lipedema”, explica Novaes.
O especialista ressalta, entretanto, que nem todo
aumento do volume das pernas significa lipedema e que obesidade, doenças
venosas e alterações linfáticas podem coexistir. Por isso, a avaliação
individualizada é essencial.
Trombose: atenção aos sinais de emergência
Entre os problemas vasculares, a trombose merece
atenção especial porque parte do coágulo formado em uma veia profunda pode se
deslocar até os pulmões, provocando uma embolia pulmonar.
Além de inchaço e dor em uma perna, sinais como
falta de ar súbita, dor no peito, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura
ou desmaio exigem atendimento médico imediato.
“Conhecer os sinais não significa que a pessoa
deva tentar fazer o próprio diagnóstico. Significa entender quando uma
alteração merece avaliação e, principalmente, quando não se pode esperar”,
reforça o médico.
Como proteger a saúde vascular?
Além de observar os sinais de alerta, algumas
medidas ajudam na prevenção de doenças vasculares: manter-se fisicamente ativo,
evitar o tabagismo, controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, manter o
peso adequado, evitar longos períodos completamente imóvel e realizar
acompanhamento médico quando houver fatores de risco.
Para o Dr. Gabriel Novaes, a Semana Nacional da
Saúde Vascular reforça uma mensagem simples: as pernas podem revelar muito
sobre a circulação do organismo.
“Dor, inchaço, mudança de cor, alteração de temperatura ou feridas que não cicatrizam são sinais que não devem ser banalizados. Quanto mais cedo identificamos uma doença vascular, maiores são as possibilidades de evitar sua progressão e suas complicações”, conclui.
FONTE:
Dr. Gabriel Novaes - CRM/SP 107270 | RQE 50459 - Cirurgião Vascular e Endovascular
Membro da SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular), graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Vitória, especialista pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde concluiu as residências médicas em Angiologia e Cirurgia Vascular e em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular. Mestre pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Mais de 20 anos de trajetória em cirurgia vascular convencional e em procedimentos endovasculares minimamente invasivos.
Instagram: @dr_gabriel_novaes Link
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