Retomada dos exercícios não precisa ter pressa: especialistas explicam como voltar aos poucos, quais atividades priorizar e por que movimento pode ser um aliado no puerpério
Entre
hormônios, mamadas, privação de sono, mudanças na rotina e uma nova relação com
o próprio corpo, o pós-parto é um período de adaptação intensa. Por isso,
quando o assunto é voltar a se exercitar, a primeira resposta não deveria ser
“quando posso recuperar meu corpo?”, mas sim: “quando meu corpo está pronto
para voltar a se movimentar?”
A
resposta varia de mulher para mulher. Em casos de gestação saudável e parto
vaginal sem complicações, o American College of Obstetricians and Gynecologists
(ACOG) afirma que, em geral, a atividade física pode ser retomada poucos dias
após o parto ou assim que a mulher se sentir preparada. Já em casos de
cesariana ou quando houve complicações, é necessário conversar com o obstetra
sobre o momento adequado para a retomada.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda que mulheres no período
pós-parto, quando não houver contraindicações, mantenham-se fisicamente ativas,
combinando atividades aeróbicas e de fortalecimento muscular e aumentando
gradualmente a duração, frequência e intensidade.
Um
dos principais cuidados nessa fase é não tratar o pós-parto como uma simples
pausa no treinamento. O corpo passou por mudanças importantes durante a
gestação e o parto e precisa de tempo para recuperar força, coordenação e
condicionamento.
“O
retorno ao exercício depois do parto precisa ser progressivo. Não é
interessante pensar que a mulher no dia seguinte à liberação médica, deve
voltar exatamente ao mesmo treino que fazia antes. O ideal é reconstruir essa
capacidade aos poucos, respeitando os sinais do corpo e a orientação dos
profissionais que acompanham esse período”, explica o professor de educação
física da BlueFit Leandro Twin.
Quais exercícios priorizar no pós-parto?Quais exercícios
priorizar no pós-parto?
A
retomada pode começar com movimentos simples e de menor intensidade, evoluindo
conforme a mulher recupera condicionamento e segurança para realizar os
exercícios.
Entre
as possibilidades estão:
Caminhada: uma das maneiras mais simples de voltar a
movimentar o corpo, com intensidade que pode ser ajustada
progressivamente.
Fortalecimento de pernas e glúteos: exercícios como
agachamento e movimentos de extensão de quadril podem ser introduzidos
gradualmente, de acordo com a avaliação individual.
Costas e braços: movimentos de puxar e empurrar ajudam
a recuperar força para atividades cotidianas, algo especialmente relevante em
uma fase em que carregar e cuidar do bebê passa a fazer parte da rotina.
“Eu
daria bastante atenção ao fortalecimento global, mas sem transformar o treino
em uma cobrança. A mulher precisa recuperar força para as tarefas do dia a dia
e, principalmente, voltar a confiar no próprio corpo. Exercícios de membros
inferiores, costas, braços e um trabalho progressivo de core podem fazer parte
desse processo, sempre respeitando a liberação e as particularidades de cada
caso”, afirma Twin.
E as aulas coletivas? Podem entrar na rotina?E as aulas
coletivas? Podem entrar na rotina?
Sim,
mas a modalidade escolhida e a intensidade precisam acompanhar o estágio de
recuperação. Aulas de Yoga e Pilates, por exemplo, podem ser interessantes para
quem busca trabalhar mobilidade, controle corporal, equilíbrio e consciência
dos movimentos, desde que a atividade seja adequada ao momento do pós-parto e
tenha sido liberada pelos profissionais responsáveis pelo acompanhamento da
mulher.
Na
BlueFit, a variedade de aulas coletivas permite que a aluna tenha diferentes
possibilidades além da musculação. A rede oferece modalidades como Pilates
360º, Hatha Yoga, BODYBALANCE™, alongamento e meditação, além de outras aulas
que variam conforme a programação de cada unidade. O Pilates 360º, por exemplo,
trabalha fortalecimento postural e reúne exercícios do Pilates clássico e
moderno; já o Hatha Yoga combina posturas, respiração, concentração, meditação
e relaxamento.
“Modalidades
que trabalham mobilidade, equilíbrio, respiração e controle corporal podem ser
boas aliadas nessa fase, desde que adaptadas. O ponto principal é não escolher
uma aula simplesmente porque ela parece ‘leve’. Mesmo uma atividade de menor
impacto pode precisar de adaptações dependendo de como foi o parto e de como
está a recuperação”, explica o professor.
A
proposta combina com uma visão mais ampla sobre o exercício no pós-parto: ele
não precisa ser encarado apenas como uma ferramenta para emagrecimento. Segundo
o ACOG, a atividade física pode contribuir para aumentar a energia, melhorar o
sono, reduzir o estresse, fortalecer a musculatura abdominal e ajudar na saúde
mental durante o período pós-parto.
E se a mãe estiver amamentando?E se a mãe estiver
amamentando?
O
exercício também pode fazer parte da rotina de mulheres que estão amamentando.
A atividade física moderada é considerada compatível com o período pós-parto, e
o Ministério da Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses e
continuada até os dois anos ou mais, quando possível e desejada pela mãe e pela
criança.
Para
tornar o treino mais confortável, o ACOG recomenda, entre outras medidas,
amamentar ou retirar leite antes do exercício quando houver desconforto
provocado pelo enchimento das mamas, usar um sutiã com bom suporte e manter-se
hidratada.
Na
prática, portanto, não existe um “dia certo” universal para voltar à academia.
Existe o momento adequado para cada mulher, considerando o tipo de parto,
possíveis complicações, recuperação e liberação dos profissionais de saúde. A
partir daí, a recomendação é começar com pouco, observar como o corpo responde
e evoluir gradualmente.
Porque,
depois de gerar uma vida, voltar a se movimentar também pode ser uma forma de
voltar a olhar para si mesma.
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