Com a mobilização nacional realizada até 1º de setembro, médica com atuação na área pediátrica explica por que os responsáveis devem conferir todo o histórico vacinal, e não apenas procurar uma vacina específica, e esclarece dúvidas sobre doses atrasadas.
A Campanha de Multivacinação 2026
disponibiliza 20 imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação para
atualizar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Realizada
em todo o país até 1º de setembro, a mobilização também terá um Dia D em 22 de
agosto, com intensificação das ações nas unidades de saúde. As vacinas protegem
contra doenças como sarampo, poliomielite, meningites, pneumonias, coqueluche,
febre amarela e hepatites, entre outras.
A proposta da campanha não é aplicar
uma vacina específica em todas as crianças, mas verificar individualmente o
histórico de cada uma. Por isso, pais e responsáveis devem levar a caderneta à
unidade de saúde, mesmo quando acreditam que todas as doses estejam
atualizadas.
A médica com atuação na área
pediátrica, Dra. Cyntia Fiuza, explica que algumas vacinas são administradas em
mais de uma dose e exigem reforços em diferentes fases da infância. “Nem sempre
os responsáveis percebem que uma dose ficou pendente. A criança pode ter recebido
as primeiras aplicações e ainda precisar de um reforço para completar o
esquema. A conferência profissional da caderneta é a maneira mais segura de
identificar o que realmente está faltando”, afirma.
Segundo a médica, um dos equívocos mais
comuns é procurar a unidade pensando apenas nas vacinas que estão em maior
evidência. Embora o atual alerta para o sarampo reforce a importância da
tríplice viral, a campanha também permite verificar a proteção contra outras
doenças imunopreveníveis.
“É importante não olhar somente para a
vacina que está sendo mais comentada naquele momento. A caderneta precisa ser
avaliada como um todo, porque cada faixa etária possui indicações específicas.
A oportunidade de atualizar uma dose também pode revelar outras pendências que
passaram despercebidas”, orienta Cyntia.
Outra dúvida frequente é se uma dose
atrasada faz com que todo o esquema precise ser reiniciado. Na maioria das
situações, as doses já administradas continuam válidas e o calendário pode ser
retomado a partir da aplicação pendente. A definição, entretanto, deve ser
feita pela equipe da unidade de saúde, considerando a idade, o imunizante e o
histórico individual.
“Os responsáveis não devem tentar
reorganizar o calendário por conta própria ou desistir porque passou muito
tempo. É necessário levar a caderneta para avaliação, pois algumas vacinas
possuem limites de idade e intervalos específicos, enquanto outras podem ser
atualizadas posteriormente sem reiniciar todo o esquema”, esclarece.
A presença de sintomas gripais também
costuma gerar dúvidas e levar algumas famílias a adiarem a vacinação. De acordo
com a médica, sintomas respiratórios leves, como coriza ou tosse, quando não
acompanhados de febre ou comprometimento do estado geral, não representam uma
contraindicação formal. Já diante de febre ou de um quadro agudo mais intenso,
a criança deve ser avaliada pela equipe de saúde antes da aplicação.
“Muitos pais contam que deixaram de
levar a criança para vacinar porque ela estava gripada. No entanto, se houver
apenas sintomas leves e sem febre, geralmente é possível aproveitar essa janela
de oportunidade. Isso é especialmente importante para crianças pequenas que
frequentam creches e apresentam infecções respiratórias com frequência, pois
adiar repetidamente pode deixar todo o calendário vacinal atrasado”, alerta
Cyntia.
A vacinação também possui um papel
coletivo. Quando as coberturas diminuem, doenças controladas ou eliminadas
podem voltar a circular, ampliando os riscos principalmente para bebês, pessoas
imunossuprimidas e quem não pode receber determinados imunizantes por indicação
médica.
Para Cyntia, a campanha é uma oportunidade de transformar a conferência da caderneta em parte do cuidado preventivo. “Não é preciso esperar a criança adoecer ou surgir um novo alerta sanitário para procurar a unidade de saúde. Manter as vacinas atualizadas é uma das medidas mais importantes para proteger a infância e evitar doenças que podem provocar complicações graves”, conclui.
Fonte: Dra. Cyntia Fiuza — médica com atuação na área pediátrica, mestre em Medicina pela Universidade de Lisboa e pós-graduanda em Alergologia e Imunologia.
Instagram: @dracyntiafiuza
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