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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Câncer de pulmão gera R$ 885 milhões em custos hospitalares em cinco ano

 Divulgação
IA
No mês marcado pelo Dia Nacional de Combate ao Fumo, pesquisa do Grupo IAG Saúde mostra os impactos da doença, fortemente associada ao tabagismo


Levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra que o impacto do câncer de pulmão sobre a assistência hospitalar vai além das internações diretamente provocadas pela neoplasia. O mês de agosto é dedicado à campanha Agosto Branco, focada na conscientização sobre a doença. O período destaca o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão (1º de agosto) e o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), reforçando que o tabagismo responde por até 90% dos casos da doença.
 

Entre 2021 e 2025, o levantamento identificou 26.309 internações em que o câncer de pulmão foi registrado como motivo da internação e outras 24.028 hospitalizações de pacientes com a doença internados por outros motivos.

Considerados os dois recortes, foram analisadas mais de 50 mil internações, que representaram aproximadamente R$ 885 milhões em custos assistenciais no período. Nas internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão, o custo médio foi de cerca de R$ 16 mil, totalizando R$ 417,3 milhões. Entre os pacientes hospitalizados por outros motivos, o custo médio chegou a R$ 19,8 mil, com um total de R$ 467,9 milhões.

Além dos dados da Plataforma DRG Brasil, a pesquisa utilizou informações do DataSUS para ampliar a análise das hospitalizações por câncer de pulmão no SUS.
 

 

Metástase: mortalidade hospitalar mais que dobra 

Entre as 26.309 internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão na Plataforma DRG Brasil, a mortalidade hospitalar foi de 20,8%. Nos casos com registro de metástase, porém, esse percentual chegou a 37,9%, mais que o dobro dos 17,1% observados nas internações sem esse registro. A presença de metástase foi identificada em 17,7% das hospitalizações analisadas. 

A mortalidade também aumentou progressivamente com a idade: foi de 16,5% entre pacientes de 18 a 59 anos e alcançou 27,6% entre aqueles com 80 anos ou mais. 

Entre os homens, a taxa foi de 22,9%, frente a 18,7% entre as mulheres. 

Além disso, 28,2% das internações diretamente atribuídas ao câncer envolveram utilização de CTI (Centro de Terapia Intensiva), 12,8% tiveram uso de ventilação mecânica e a permanência média foi de 7,1 dias. 

“A diferença de mortalidade entre as internações com e sem registro de metástase mostra como a presença de doença metastática identifica um grupo de maior gravidade no ambiente hospitalar. Esse achado reforça a importância do diagnóstico oportuno e de uma linha de cuidado capaz de acompanhar o paciente ao longo de toda a evolução da doença. Os dados, entretanto, não permitem afirmar em que momento a metástase surgiu nem se houve atraso diagnóstico”, explica a Dra. Paula Daibert, diretoria de Inovação do Grupo IAG Saúde”.


 

Quando o câncer de pulmão não é o principal motivo da internação 

Um dos diferenciais do levantamento foi analisar o que acontece quando o paciente com câncer de pulmão chega ao hospital, mas a neoplasia não é o principal motivo registrado da internação. 

Foram identificadas 24.028 hospitalizações nessa situação, volume próximo às 26.309 internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão. Em 44,5% delas, o principal motivo da hospitalização foi classificado em grupos potencialmente relacionados ao câncer, à doença metastática ou ao tratamento. 

As infecções representaram 22,5% das internações, seguidas por condições respiratórias (8,4%), metástase como principal motivo da hospitalização (7,1%), condições relacionadas ao tratamento ou estado oncológico (3,9%) e eventos tromboembólicos (2,7%). Os demais 55,5% foram classificados como outras condições clínicas. 

 

Dois recortes, diferentes demandas assistenciais
 

Indicador

C34 como diagnóstico principal

C34 como diagnóstico secundário

Internações

26.309

24.028

Mortalidade

20,8%

22,2%

Permanência média

7,1 dias

9,1 dias

CTI

28,2%

29,8%

Ventilação mecânica

12,8%

16,6%

Custo médio

R$ 15,97 mil

R$ 19,83 mil

Custo total

R$ 417,3 mi

R$ 467,9 mi


“Olhar apenas para as internações em que o câncer aparece como diagnóstico principal mostra somente parte da trajetória hospitalar desses pacientes. O volume quase equivalente de hospitalizações por outros motivos, associado à maior permanência e ao maior custo médio, sugere uma carga assistencial que se estende para além do tratamento direto do tumor. Infecções, complicações respiratórias, metástases e intercorrências do tratamento fazem parte desse cenário e exigem acompanhamento integrado”, pontua Dra. Paula.

 

DataSUS amplia a dimensão nacional do problema 

Como fonte complementar, o DataSUS/SIH-SUS permitiu dimensionar as internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão no SUS. Entre 2016 e 2025, foram registradas 261.662 internações pela doença. 

A análise revelou diferenças regionais importantes. A região Sul apresentou a maior incidência de internações, com 23 casos por 100 mil habitantes. Já a região Norte registrou a maior mortalidade hospitalar, de 32,7%, e a maior permanência média, de 9,3 dias. 

No período de 2021 a 2025, utilizado para garantir correspondência temporal com a Plataforma DRG Brasil, o DataSUS registrou 140.616 internações, com mortalidade hospitalar de 25,1% e permanência média de 6,8 dias. Tomando como referência o custo médio por internação apurado na Plataforma DRG Brasil, estima-se uma carga assistencial de aproximadamente R$ 2,25 bilhões. O valor é uma projeção da magnitude econômica e não corresponde ao montante efetivamente desembolsado pelo SUS. 

“Os dados nacionais mostram que o câncer de pulmão permanece associado a uma carga hospitalar expressiva e a diferenças relevantes entre os territórios. Essas variações reforçam a necessidade de compreender os contextos regionais de acesso, organização da assistência e perfil dos pacientes, sem atribuir causalidade apenas a partir dos dados de internação”, diz Dra. Paula.
 

 

Um desafio que ultrapassa o tratamento da neoplasia 

Em conjunto, os resultados apontam para uma carga hospitalar expressiva associada ao câncer de pulmão. Além da mortalidade e dos custos das internações diretamente atribuídas à doença, o levantamento evidencia uma dimensão adicional: pacientes com câncer de pulmão também demandam assistência hospitalar por infecções, condições respiratórias, metástases, eventos tromboembólicos, intercorrências relacionadas ao tratamento e diversas outras condições clínicas. 

“O cuidado do paciente com câncer de pulmão não termina no tratamento da neoplasia. A prevenção, o diagnóstico oportuno e o acompanhamento contínuo das complicações e demais condições clínicas são fundamentais para reduzir a carga da doença sobre pacientes, famílias e serviços de saúde. As datas de conscientização de agosto são uma oportunidade para ampliar essa discussão e reforçar a importância do combate ao tabagismo e do cuidado ao longo de toda a trajetória do paciente”, conclui Dra. Paula.

 

Sobre o levantamento 

O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo. Foram consideradas internações com registro de neoplasia maligna dos brônquios e dos pulmões (CID-10 C34). A Plataforma DRG Brasil foi analisada entre 2021 e 2025 e o DataSUS/SIH-SUS, entre 2016 e 2025. As duas fontes possuem coberturas e características distintas e foram utilizadas de forma complementar. 

Na Plataforma DRG Brasil, o levantamento analisou separadamente as internações em que o câncer de pulmão era o diagnóstico principal e aquelas em que aparecia como diagnóstico secundário. Essa segunda análise não foi reproduzida no DataSUS devido às particularidades observadas na identificação do câncer de pulmão como diagnóstico secundário nessa fonte.

  

Grupo IAG Saúde


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