No mês marcado pelo Dia Nacional de Combate ao
Fumo, pesquisa do Grupo IAG Saúde mostra os impactos da doença, fortemente
associada ao tabagismo
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IA
Levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra que o impacto
do câncer de pulmão sobre a assistência hospitalar vai além das internações
diretamente provocadas pela neoplasia. O mês de agosto é dedicado à campanha
Agosto Branco, focada na conscientização sobre a doença. O período destaca o
Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão (1º de agosto) e o Dia Nacional de
Combate ao Fumo (29 de agosto), reforçando que o tabagismo responde por até 90%
dos casos da doença.
Entre
2021 e 2025, o levantamento identificou 26.309 internações em que o câncer de
pulmão foi registrado como motivo da internação e outras 24.028 hospitalizações
de pacientes com a doença internados por outros motivos.
Considerados
os dois recortes, foram analisadas mais de 50 mil internações, que
representaram aproximadamente R$ 885 milhões em custos assistenciais no
período. Nas internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão, o custo
médio foi de cerca de R$ 16 mil, totalizando R$ 417,3 milhões. Entre os
pacientes hospitalizados por outros motivos, o custo médio chegou a R$ 19,8
mil, com um total de R$ 467,9 milhões.
Além
dos dados da Plataforma DRG Brasil, a pesquisa utilizou informações do DataSUS
para ampliar a análise das hospitalizações por câncer de pulmão no SUS.
Metástase: mortalidade hospitalar mais que dobra
Entre
as 26.309 internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão na Plataforma
DRG Brasil, a mortalidade hospitalar foi de 20,8%. Nos casos com registro de
metástase, porém, esse percentual chegou a 37,9%, mais que o dobro dos 17,1%
observados nas internações sem esse registro. A presença de metástase foi
identificada em 17,7% das hospitalizações analisadas.
A
mortalidade também aumentou progressivamente com a idade: foi de 16,5% entre
pacientes de 18 a 59 anos e alcançou 27,6% entre aqueles com 80 anos ou mais.
Entre
os homens, a taxa foi de 22,9%, frente a 18,7% entre as mulheres.
Além disso, 28,2% das internações diretamente atribuídas ao câncer envolveram utilização de CTI (Centro de Terapia Intensiva), 12,8% tiveram uso de ventilação mecânica e a permanência média foi de 7,1 dias.
“A diferença de
mortalidade entre as internações com e sem registro de metástase mostra como a
presença de doença metastática identifica um grupo de maior gravidade no
ambiente hospitalar. Esse achado reforça a importância do diagnóstico oportuno
e de uma linha de cuidado capaz de acompanhar o paciente ao longo de toda a
evolução da doença. Os dados, entretanto, não permitem afirmar em que momento a
metástase surgiu nem se houve atraso diagnóstico”, explica a Dra. Paula
Daibert, diretoria de Inovação do Grupo IAG Saúde”.
Quando o câncer de pulmão não é o principal motivo da internação
Um
dos diferenciais do levantamento foi analisar o que acontece quando o paciente
com câncer de pulmão chega ao hospital, mas a neoplasia não é o principal
motivo registrado da internação.
Foram
identificadas 24.028 hospitalizações nessa situação, volume próximo às 26.309
internações diretamente atribuídas ao câncer de pulmão. Em 44,5% delas, o
principal motivo da hospitalização foi classificado em grupos potencialmente
relacionados ao câncer, à doença metastática ou ao tratamento.
As
infecções representaram 22,5% das internações, seguidas por condições
respiratórias (8,4%), metástase como principal motivo da hospitalização (7,1%),
condições relacionadas ao tratamento ou estado oncológico (3,9%) e eventos
tromboembólicos (2,7%). Os demais 55,5% foram classificados como outras
condições clínicas.
Dois
recortes, diferentes demandas assistenciais
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“Olhar apenas para as internações em que o câncer aparece como diagnóstico principal
mostra somente parte da trajetória hospitalar desses pacientes. O volume quase
equivalente de hospitalizações por outros motivos, associado à maior
permanência e ao maior custo médio, sugere uma carga assistencial que se
estende para além do tratamento direto do tumor. Infecções, complicações
respiratórias, metástases e intercorrências do tratamento fazem parte desse
cenário e exigem acompanhamento integrado”, pontua Dra. Paula.
DataSUS
amplia a dimensão nacional do problema
Como
fonte complementar, o DataSUS/SIH-SUS permitiu dimensionar as internações
diretamente atribuídas ao câncer de pulmão no SUS. Entre 2016 e 2025, foram
registradas 261.662 internações pela doença.
A
análise revelou diferenças regionais importantes. A região Sul apresentou a
maior incidência de internações, com 23 casos por 100 mil habitantes. Já a
região Norte registrou a maior mortalidade hospitalar, de 32,7%, e a maior
permanência média, de 9,3 dias.
No
período de 2021 a 2025, utilizado para garantir correspondência temporal com a
Plataforma DRG Brasil, o DataSUS registrou 140.616 internações, com mortalidade
hospitalar de 25,1% e permanência média de 6,8 dias. Tomando como referência o
custo médio por internação apurado na Plataforma DRG Brasil, estima-se uma carga
assistencial de aproximadamente R$ 2,25 bilhões. O valor é uma projeção da
magnitude econômica e não corresponde ao montante efetivamente desembolsado
pelo SUS.
“Os dados
nacionais mostram que o câncer de pulmão permanece associado a uma carga
hospitalar expressiva e a diferenças relevantes entre os territórios. Essas
variações reforçam a necessidade de compreender os contextos regionais de
acesso, organização da assistência e perfil dos pacientes, sem atribuir
causalidade apenas a partir dos dados de internação”, diz Dra. Paula.
Um desafio que ultrapassa o tratamento da neoplasia
Em
conjunto, os resultados apontam para uma carga hospitalar expressiva associada
ao câncer de pulmão. Além da mortalidade e dos custos das internações
diretamente atribuídas à doença, o levantamento evidencia uma dimensão
adicional: pacientes com câncer de pulmão também demandam assistência
hospitalar por infecções, condições respiratórias, metástases, eventos
tromboembólicos, intercorrências relacionadas ao tratamento e diversas outras
condições clínicas.
“O
cuidado do paciente com câncer de pulmão não termina no tratamento da
neoplasia. A prevenção, o diagnóstico oportuno e o acompanhamento contínuo das
complicações e demais condições clínicas são fundamentais para reduzir a carga
da doença sobre pacientes, famílias e serviços de saúde. As datas de
conscientização de agosto são uma oportunidade para ampliar essa discussão e
reforçar a importância do combate ao tabagismo e do cuidado ao longo de toda a
trajetória do paciente”, conclui Dra. Paula.
Sobre o
levantamento
O
estudo é observacional, retrospectivo e descritivo. Foram consideradas
internações com registro de neoplasia maligna dos brônquios e dos pulmões
(CID-10 C34). A Plataforma DRG Brasil foi analisada entre 2021 e 2025 e o
DataSUS/SIH-SUS, entre 2016 e 2025. As duas fontes possuem coberturas e
características distintas e foram utilizadas de forma complementar.
Na
Plataforma DRG Brasil, o levantamento analisou separadamente as internações em
que o câncer de pulmão era o diagnóstico principal e aquelas em que aparecia
como diagnóstico secundário. Essa segunda análise não foi reproduzida no
DataSUS devido às particularidades observadas na identificação do câncer de
pulmão como diagnóstico secundário nessa fonte.
Grupo IAG Saúde
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