Especialista do Vera Cruz Hospital orienta
sobre os desafios de amamentar e a importância do suporte profissional e da
rede de apoio 
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento
materno exclusivo até os seis meses de vida. Apesar dos benefícios amplamente
reconhecidos, o início dessa jornada nem sempre ocorre de forma intuitiva. Em
2024, 48% dos bebês menores de seis meses foram amamentados exclusivamente no
mundo, segundo a OMS. O dado ganha ainda mais relevância durante o Agosto
Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação e ao
fortalecimento do apoio às mães, destacando a necessidade de discutir não
apenas seus benefícios, mas também os desafios que podem surgir ao longo desse
processo.
Cada experiência de amamentação é única. Mesmo para mulheres que
já tiveram outros filhos, o vínculo entre mãe e bebê se constrói de forma
diferente a cada gestação e exige tempo, adaptação e acolhimento. "A
amamentação é nova para o bebê e para a mãe a cada gestação. Por isso, é
importante se permitir aprender junto com o bebê e contar com acompanhamento
profissional e uma rede de apoio", explica Cristina Valente, médica
neonatologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP).
Além de fornecer todos os nutrientes necessários nos primeiros
meses de vida, o leite materno fortalece a imunidade, protege contra infecções
e está associado a benefícios para a saúde da criança ao longo da vida. Para a
mulher, a amamentação também contribui para reduzir o risco de câncer de mama e
de ovário, além de algumas doenças crônicas.
Os primeiros dias costumam ser de aprendizado para mãe e bebê.
Pega inadequada, sonolência do recém-nascido, dificuldade para encontrar uma
posição confortável e lesões nas mamas estão entre as situações mais comuns
nesse período. Por isso, o suporte ainda na maternidade é essencial para
orientar a pega correta, testar posições e evitar que pequenos desconfortos
evoluam para dores persistentes.
A chamada “golden hour”, a primeira hora de vida do bebê,
também desempenha um papel importante. O contato pele a pele e o estímulo à
primeira mamada favorecem a adaptação do recém-nascido e ajudam a iniciar a
produção de leite. "Esse primeiro contato contribui para tornar o
pós-parto mais tranquilo para mãe e bebê e estimula a produção de ocitocina
pela mãe, hormônio importante para a amamentação. É também nesse momento que o
bebê tem contato com o colostro, o primeiro leite materno, e dá os primeiros
passos na amamentação", explica a especialista.
Outra dúvida frequente é se o bebê está mamando o suficiente. Nos
primeiros dias, a produção de leite ocorre em pequenas quantidades e as mamadas
tendem a ser mais frequentes. A avaliação da equipe de saúde considera
indicadores como peso, hidratação, urina, fezes e sinais de saciedade para verificar
se o bebê está recebendo o necessário. "A insegurança é muito comum, mas
não devemos avaliar apenas pela quantidade de leite que a mãe consegue
perceber. O acompanhamento do bebê mostra se ele está recebendo o que
precisa", afirma Cristina.
Embora o início da amamentação exija adaptação, a dor persistente
não deve ser considerada normal. Fissuras e machucados costumam estar
relacionados à pega inadequada e precisam ser avaliados para que a causa seja
corrigida. "Se está doendo, temos algo a melhorar. A equipe de
especialistas pode ajudar na recuperação da mama e no ajuste da pega para
evitar que a dor se prolongue".
Quando há necessidade de complementar a alimentação do bebê, a
recomendação é não encarar essa decisão como um fracasso. Em algumas situações,
a complementação é importante para proteger a saúde do recém-nascido e, quando
bem orientada, pode ocorrer sem comprometer a continuidade da amamentação.
"A complementação não significa que a mãe falhou. A amamentação é um
processo, e cada gota de leite materno importa. Diante de dificuldades
iniciais, pode ser necessário recorrer temporariamente à complementação. Em
alguns casos, a amamentação mista, com leite materno e fórmula, também pode ser
uma alternativa”, explica.
O apoio da família também faz diferença durante esse período. Mais
do que oferecer orientações, parceiros e familiares podem contribuir dividindo
tarefas da casa, ajudando nos cuidados com o bebê e garantindo momentos de
descanso para a mãe. "Amamentar exige muito da mulher. Ela também precisa
ser cuidada para conseguir cuidar do bebê. Ter alguém por perto para dividir as
tarefas reduz o estresse e traz mais segurança para esse momento", destaca
Cristina.
Embora o aleitamento materno seja indicado para a maioria dos bebês,
existem situações específicas em que ele pode não ser recomendado, como alguns
tratamentos e doenças infecciosas. Nesses casos, a conduta deve ser definida
individualmente pela equipe de saúde.
Mais do que cumprir uma recomendação, amamentar é construir uma
relação entre mãe e filho. Informação de qualidade, acompanhamento profissional
e uma rede de apoio são fundamentais para tornar essa experiência mais leve e
acolhedora, sem que as dificuldades se transformem em culpa. "Precisamos
falar sobre os desafios sem transformar a amamentação em uma cobrança. A mãe
precisa saber que pode pedir ajuda e que existem caminhos para superar as
dificuldades", conclui a especialista.
Vera
Cruz Hospital
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