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sábado, 22 de agosto de 2026

“Como foi a escola?”: como melhorar o diálogo entre pais e filhos

Magnific
Perguntas mais concretas podem ajudar a criança a compartilhar experiências do dia a dia e tornar a conversa entre pais e filhos mais espontânea

 

Um diálogo que se repete entre muitos pais e filhos na volta da escola segue o seguinte roteiro: 

- Como foi a escola?

- Legal.

- E o que você fez?

- Nada. 

O desejo de saber como foi o dia dos filhos, o que aconteceu, com quem brincaram e como estão se sentindo é atropelado por respostas monossilábicas. Na realidade, o que acontece é que, muitas vezes, as perguntas tão amplas feitas pelos pais acabam dificultando o início da conversa. 

“Perguntas genéricas não cativam a atenção das crianças e se transformam em obstáculo para que elas organizem as ideias e sentimentos e os compartilhem como os pais de fato esperam”, diz a psicanalista e hipnoterapeuta Yafit Laniado, criadora da Relacionamentoria, mentoria especializada na relação entre pais e filhos. 

Yafit explica que uma alternativa eficaz é substituir perguntas genéricas por questões mais concretas, que ajudem a criança a acessar situações específicas que viveu. “Quando perguntamos simplesmente ‘como foi seu dia?’, estamos deixando para a criança a tarefa de escolher, entre tantas experiências, por onde começar. Para algumas crianças, isso pode ser difícil. Uma pergunta mais direcionada pode facilitar esse processo e abrir espaço para uma conversa muito mais rica”. 

“Substitua o “como foi a escola?’ por questões relacionadas a momentos específicos da rotina: ‘qual alimento você mais gostou no almoço?’, ‘com qual colega você brincou hoje?’, ‘o que você mais gostou de fazer?’ ou ‘teve alguma coisa que você achou difícil?’ são exemplos de perguntas com respostas mais facilmente elaboradas por elas”, descreve a especialista. 

“Perguntas assim não têm como objetivo descobrir cada detalhe da rotina da criança. Elas funcionam como um ponto de partida para que ela possa lembrar de experiências concretas e, a partir delas, desenvolver a conversa. Quando a criança encontra um ponto específico para começar a falar, muitas vezes outras informações aparecem naturalmente. Ela pode contar sobre um amigo, uma situação que aconteceu na sala, algo que a deixou feliz ou até alguma dificuldade que enfrentou”. 

Yafit lembra que a conversa não precisa virar interrogatório. Por isso, um cuidado importante é não transformar o momento em uma sequência de perguntas. Assim, o diálogo também pode começar justamente quando os pais compartilham algo sobre o próprio dia. 

“Hoje aconteceu uma coisa engraçada comigo”, ou “Eu também tive uma situação difícil no trabalho”, ou ainda “Hoje eu lembrei de uma coisa que aconteceu quando eu era criança” são bons pontos de partida e que vão abrir um caminho de diálogo muito mais natural, agradável e produtivo com as crianças. Yafit destaca que “esse tipo de interação contribui para criar um ambiente em que a criança percebe que suas experiências são importantes e que existe espaço para compartilhá-las”. 

A psicanalista ressalta que mesmo com uma abordagem diferente, pode ser que o filho não queira conversar naquele momento. Saber respeitar esse silêncio é igualmente fundamental. 

“Nem todo silêncio significa que existe um problema. Às vezes, ela simplesmente está cansada, distraída ou precisa de um tempo antes de contar o que aconteceu. O mais importante é construir uma relação em que a criança saiba que pode procurar os pais para contar o que vive, fazer perguntas ou falar sobre aquilo que está sentindo”, reforça Yafit. 

Mais do que descobrir como foi cada minuto do dia, pais devem focar que o objetivo é criar espaço para que os filhos possam contar, perguntar, compartilhar e serem ouvidos.


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