Dr. Luiz Haroldo Pereira chama atenção para escolha do cirurgião, estrutura hospitalar, tempo de cirurgia e acompanhamento no pós-operatório
A morte da empresária Giovanna Coelho Gomes,
de 29 anos, no último sábado (8), em Belém, voltou a acender o alerta sobre a
segurança em cirurgias plásticas. A jovem morreu um dia após passar por
procedimentos que incluíram cirurgia nos seios, abdominoplastia, lipoaspiração
e enxertia. Familiares questionam a assistência recebida no pós-operatório e o
caso é investigado pela Polícia Civil do Pará e pelo Conselho Regional de
Medicina do Pará (CRM-PA).
O episódio acontece em meio a outros casos
recentes envolvendo procedimentos estéticos. No Rio de Janeiro, a Polícia Civil
informou, no início de agosto, que investigava pelo menos sete relatos de
complicações relacionados a uma rede de clínicas, em uma apuração que ganhou
repercussão após a morte de uma paciente e prisões.
Para o cirurgião plástico Luiz Haroldo
Pereira, pioneiro da lipoaspiração no Brasil, complicações podem existir mesmo
quando todos os protocolos são seguidos. O que precisa ser investigado, segundo
ele, é se houve negligência, imprudência ou imperícia.
"Em relação aos recentes acontecimentos
de falecimento de paciente após cirurgia plástica, a posição que nós temos é a
seguinte: alguma complicação pode acontecer, mas o que o médico nunca pode ter
é errar por negligência, imprudência ou imperícia. Se ele é um cirurgião que
cuidou muito bem do seu paciente, tem todo o treinamento e não foi negligente,
realmente não deve ter nenhuma culpa quanto a isso."
Tempo
de cirurgia também importa
Ainda sobre o caso de Belém, o médico alerta
sobre o tempo de cirurgia. Segundo o cirurgião, procedimentos combinados podem
ser realizados, mas exigem planejamento, estrutura e uma equipe experiente.
"A gente pode fazer tranquilamente uma
cirurgia de mama e abdômen ou uma lipo, desde que seja uma equipe treinada, um
cirurgião experiente com assistentes experientes e que faça num tempo de 4
horas a 4 horas e meia no máximo de cirurgia. Mas muitas vezes têm cirurgião
que demora 8, 10 horas fazendo uma lipoaspiração. Aí, realmente, podem
acontecer riscos por um tempo muito longo de anestesia."
Embolia
é uma das possíveis complicações
Entre as complicações que podem ocorrer em
procedimentos como a lipoaspiração, o especialista cita a embolia pulmonar, que
pode ter diferentes origens.
"Pode ter uma embolia, e essa embolia
pode ser embolia pulmonar por um trombo que soltou do membro inferior, ou uma
embolia gordurosa por um acidente na colocação de uma gordura dentro do músculo
ou qualquer outra parecida colocada dentro de um vaso sanguíneo, de uma
veia."
Outra possibilidade, embora considerada rara,
é a ocorrência de perfuração durante a lipoaspiração. Luiz Haroldo ressalta,
entretanto, que nenhuma dessas hipóteses pode ser atribuída a um caso
específico sem acesso aos exames, prontuários e resultados da necropsia.
Cirurgia
acaba, assistência não
Um dos pontos levantados pela família de
Giovanna é justamente o acompanhamento após os procedimentos. Segundo os
familiares, a jovem teria relatado dores intensas durante o
pós-operatório. Para Luiz Haroldo, independentemente do caso específico, o
acompanhamento médico após uma cirurgia é parte fundamental do procedimento.
O especialista ressalta que sinais fora do
esperado precisam ser avaliados e que a estrutura disponível para responder
rapidamente a uma eventual intercorrência deve fazer parte da escolha do
paciente antes mesmo da cirurgia.
Preço
não deve definir escolha
Para Luiz Haroldo, pesquisar o profissional,
conhecer sua formação e avaliar a estrutura onde a cirurgia será realizada são
cuidados tão importantes quanto decidir qual procedimento fazer. "O mais
importante é que você faça sempre uma boa escolha do seu cirurgião. Não vá pelo
que é mais barato, fazendo em um hospital sem a mínima condição, achando que
com isso vai ser suficiente. Saúde não tem preço"
O cirurgião reforça ainda que hospitais e
clínicas precisam estar preparados não apenas para realizar a operação, mas
também para lidar com possíveis complicações. "Escolha uma boa equipe, um
bom cirurgião, veja a reputação do cirurgião, opere em um hospital ou clínica
que tenha todo o recurso pós-operatório, como CTI e uma recuperação pós-anestésica.
A segurança é o mais importante, tanto para o cirurgião quanto para o
paciente."
Dr. Luiz Haroldo Pereira - referência nacional em cirurgia corporal e facial e um dos pioneiros da lipoaspiração no Brasil. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Rio de Janeiro (SBCP-RJ), integrou durante 12 anos a banca de exames para obtenção do título de especialista e, desde 2006, faz parte da comissão responsável pela avaliação de médicos que buscam o título de membro titular da SBCP. Com décadas de atuação dedicadas à cirurgia de contorno corporal, é presença constante em congressos nacionais e internacionais, onde ministra aulas e compartilha sua experiência em lipoaspiração, lipoescultura e lipoenxertia.
www.drluizharoldo.com.br/
www.instagram.com/luizharoldopereira
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