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| Foto: Aloander Oliveira |
A experiência propõe uma imersão no universo onírico, convoca as famílias a construírem paisagens a partir do que imaginam enquanto dormem;
“Floresta
Interior” é parte da programação gratuita do Sesc Ribeirão Preto e pode ser conferida
pelo público de terça a sexta das 13h às 21h e aos sábados, domingos e feriados
das 9h30 às 18h;
A visita pressupõe a presença de um adulto responsável durante todo o percurso;
O Sesc Ribeirão Preto exibe a
exposição “Floresta Interior”, do artista e educador Gui Teixeira com curadoria
de Lucila de Jesus. O ponto de partida é uma pergunta em aberto: e se os sonhos
fossem uma floresta dentro de nós? A instalação parte da ideia de que sonhar
não é apenas uma função do cérebro, mas uma prática ancestral com dimensões
coletivas e culturais profundas.
A pesquisa de Lucila de
Jesus, psicanalista que investigou o universo onírico entre os Kamayura no
Xingu durante o doutorado, atravessa a curadoria e dá lastro antropológico a
essa leitura. Ela entende o sonho como comunicação silenciosa e as “Rodas de
Sonho” como dispositivo de saúde pública e construção de sentido coletivo. A
instalação se estrutura em três áreas nomeadas por verbos, conforme o partido
projetual concebido por Gui Teixeira e desenvolvido pelo arquiteto e expógrafo,
Affonso Malagutti.
Na zona Construir,
o visitante é recebido por um conjunto de 22 mesas, baixas o suficiente para
que crianças as utilizem com autonomia e organizem-nas livremente. Ao longo das
paredes, estantes abastecidas com blocos de madeira, pedras, galhos, espumas e
figuras de papel convidam o público a erguer arquiteturas imaginárias
inspiradas nos próprios sonhos. A grande mesa central funciona como território
de criação coletiva: os relatos que chegam do “Painel de Sonhos”, próximo à
entrada, viram matéria para as construções. Na mesma área, um painel de madeira
serve como mural coletivo de memórias oníricas. A mediação da equipe educativa
do Sesc Ribeirão Preto é central no projeto: é ela que ativa a escuta, conecta
os relatos e orienta o percurso.
Na área intermediária,
chamada Compartilhar, painéis com chapas de acrílico
translúcido dividem o espaço e funcionam como superfície para jogos de sombra.
Fontes de luz variadas projetam nas paredes as silhuetas dos objetos dispostos
sobre as mesas, cria uma encenação poética que muda a cada visita. A ideia é
produzir bonecos de papel para teatro de sombras a partir dos personagens e
seres descritos nos sonhos dos visitantes, acumulando ao longo dos meses um
bestiário coletivo do imaginário.
No fundo da sala, a zona Sonhar
muda completamente de registro. Uma divisória translúcida delimita o último
terço do espaço, onde o piso de carpete preto cede lugar a um tatame de madeira
recoberto pelo mesmo carpete e pontuado por peças modulares de espuma cinza,
dispostas para descanso ou livre remontagem. A iluminação é mais baixa, a
trilha sonora ligeiramente mais intensa e o ambiente convida ao repouso e à
contemplação. É também o espaço de atividades programadas: rodas de partilha de
sonhos, contações de histórias, pequenas palestras e apresentações musicais.
A experiência extrapola o
espaço expositivo. O redário instalado no jardim interno do Sesc receberá
caixas de som escondidas na vegetação, próximas às redes, que tocarão em volume
muito baixo a paisagem sonora da exposição intercalada com relatos de sonhos
enviados por WhatsApp pelos próprios visitantes. No corredor ao lado da sala
expositiva, a “Parede Educativa” ocupa um espaço de alto fluxo com lousas em
formas geométricas que evocam montanhas e ilhas, nas quais os visitantes são
convidados a escrever e desenhar. A mesma ambientação sonora do redário pode
ser ativada no local.
"Floresta Interior"
é a primeira montagem dessa pesquisa de Gui Teixeira em formato expositivo. O
projeto expográfico, assinado por Affonso Malagutti, e a iluminação cênica,
concebida por Michel Mika Masson, foram desenvolvidos em diálogo direto com a
proposta do artista.
Teixeira, que nasceu em 1977,
formou-se em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado em 1999 e
concluiu o mestrado em Artes Visuais pela ECA-USP em 2010, pesquisa
aproximações entre arte e pedagogia, entre o brincar e a ação política. Já
participou do Programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, da exposição
"Daquilo Que Me Habita" no CCBB de Brasília, da Mostra Sesc de Artes
e da exposição "Deslize" no Museu de Arte do Rio.
Imersão em São Carlos
Para ampliar a experiência, a
partir de 22 de agosto no Sesc São Carlos, o artista apresenta a instalação
artística “Canteiro”, que transforma parte da área de convivência em um espaço
voltado à construção coletiva.
A obra combina uma pintura
com tinta de lousa, que convida o público a desenhar com giz, e prateleiras com
peças de madeira reutilizada ou de reflorestamento, com a finalidade de
permitir que visitantes montem e remontem estruturas em um processo contínuo de
criação compartilhada. Inspirado nas ideias de Friedrich Fröbel e no movimento
do Kindergarten, o projeto associa o canteiro de obras ao canteiro de plantas,
propõe um espaço em que construção, cuidado, imaginação e participação se unem
em uma obra em permanente transformação.
Serviço
Floresta Interior
Artista: Gui Teixeira
Curadoria: Lucila de Jesus
Projeto expográfico: Affonso
Malagutti
Iluminação: Michel Mika
Masson
Encerramento: 28 de fevereiro
de 2027
Local: Sesc Ribeirão Preto –
Rua Tibiriçá, 50, Centro
Horários: terça a sexta, das
13h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h
Entrada: gratuita
Agendamento de grupos
escolares e instituições para visitas mediadas: agendamento.ribeirao@sescsp.org.br

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