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terça-feira, 8 de agosto de 2017

O futuro da saúde mundial está no cuidado com o paciente





O melhor remédio é a prevenção, já diziam os contemporâneos de nossos avós há algumas décadas. Esses “antigos pensadores” nunca estiveram tão próximos da verdade quanto nos dias atuais. De forma bastante irônica, os rumos para a melhoria da saúde mundial passam, em partes, pelo resgate desse passado.

Não estou falando da medicina praticada antigamente, mas daquela que une a tecnologia disponível nos dias de hoje – cuja oferta cresce em níveis exponenciais – com a ideia de que o cuidado com o paciente deve vir antes mesmo do surgimento de qualquer enfermidade.

Isso pode parecer óbvio, mas não é. Nas últimas duas décadas, os gastos com a saúde no Brasil subiram quase 2%: em 1995, 6.5% do PIB era destinado para este fim; em 2014, o valor já correspondia a 8.3% (World Health Organization Global Health Expenditure). Muito desse crescimento se deve ao aumento na demanda por serviços de saúde pública, que a cada dia recebe mais e mais pacientes vítimas de complicações causadas por enfermidades como obesidade e diabetes – doenças cuja prevenção poderia fazer toda a diferença no processo de tratamento, impactando positivamente nos gastos do Estado com a área.

Esta realidade tem feito com que instituições e profissionais de saúde busquem, cada vez mais, sistemas que os ajudem a entender os riscos. Ou seja, prever suas ações – e gastos – com base nas possibilidades de um grupo ou indivíduo desenvolver certas doenças. Nestes casos, soluções como o PEP (prontuário eletrônico do paciente) tornam-se indispensáveis para que toda a história clínica do paciente possa ser analisada, e que este seja assistido da melhor forma e no momento correto.

Este é o conceito por trás do modelo de negócio buscado atualmente pelas operadoras de saúde, como instituições públicas e convênios médicos; o chamado value-based-care. A proposta é calcada na remuneração com base no cuidado do paciente e da percepção deste com relação ao atendimento, e não somente no número de consultas e/ou exames clínicos realizados. Desta forma, médicos, técnicos e enfermeiros são incentivados a conduzir todo o processo com uma visão mais sistêmica do paciente, colhendo o máximo de informações possíveis antes da decisão clínica. O resultado é um atendimento único, com mais qualidade, assertividade e acolhimento.

O futuro da saúde no Brasil está sendo escrito todos os dias, especialmente quando consideramos o crescente número de pessoas que migram de planos privados para o Sistema Único de Saúde, tornando ainda mais difícil fazer qualquer previsão. Entretanto, não há como fugir de um atendimento cada vez mais personalizado, melhorando as relações na perspectiva do paciente.






José Antônio Gasque Júnior - gerente de Marketing da Pixeon




É sinusite, não é gripe!



Durante o inverno, as quedas bruscas e acentuadas de temperatura aumentam expressivamente os casos de inflamações e infecções nasais, especialmente em crianças. E o que parece ser uma gripe ou crise alérgica pode ser sinusite, que requer tratamento específico. A pediatra Dra. Fernanda Viana, uma das idealizadoras do portal Saúde4Kids, explica que a sinusite é uma infecção dos seios paranasais ou seios da face. Normalmente ocorre depois de estados gripais, resfriados ou rinite, e os sintomas dependem muito da idade da criança. 

Nos primeiros 12 meses de vida, a sinusite é bastante rara. Na faixa etária de 1 a 8 anos, os sintomas mais comuns são: coriza que dura sete dias ou mais, descarga nasal espessa verde ou amarela, tosse noturna, tosse diurna ocasional, inchaço ao redor dos olhos e geralmente sem dor de cabeça até os cinco anos. 

Já os maiores de oito anos apresentam prurido nasal ou sintomas de resfriado por mais de sete dias, gotejamento do nariz na garganta, desconforto facial, mau hálito, tosse, febre, dor de garganta, inchaço ao redor dos olhos, muitas vezes pior de manhã. 

“É possível diagnosticar a sinusite com base na idade, saúde geral e história clínica da criança. As radiografias de seios da face não são necessárias”, comenta a médica.

Para combater a infeção, são prescritos antibióticos –geralmente administrados por, pelo menos, 14 dias-, analgésicos, antialérgicos se houver componente alérgico e lavagem nasal. Além disso, é fundamental evitar contato com fumaça de cigarros e fatores capazes de piorar a rinite, aqueles que causam inchaço da mucosa nasal e bloqueiam a drenagem dos seios.

“A causa da sinusite é a inflamação das cavidades nasais por infecções. Elas bloqueiam a abertura dos seios paranasais e resultam em uma infecção sinusal”, explica a pediatra. As alergias também levam à sinusite por causa do inchaço da mucosa nasal e aumento da produção de muco. E existem outras condições que podem impedir a drenagem de secreções dos seios paranasais e levar à sinusite, como anormalidades anatômicas, hipertrofia de adenoides, mergulho e natação, infecções dentárias, trauma nasal, corpo estranho em cavidade nasal, fenda palatina, doença de refluxo gastroesofágico (DRGE) e fumo passivo. “Quando a drenagem de secreções dos seios nasais é bloqueada, as bactérias começam a crescer, levando à sinusite”, complementa.




Dra. Fernanda Viana - médica formada pela Universidade Estadual de Campinas –UNICAMP-; pediatra pela Universidade de São Paulo –USP-; cardiologista infantil pelo Incor-Universidade de São Paulo. Além de ser especialista em pediatria com título pela Sociedade Brasileira de Pediatria e, em cardiologia infantil, pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.


 


Pediatras dizem não ao suco de frutas no primeiro ano da criança



 Não há uma ligação convincente entre a obesidade e as crianças que bebem quantidades modestas de suco de frutas. Ainda assim, as novas diretrizes defendem que o suco "não tem papel essencial em dietas saudáveis ​​e equilibradas de crianças"



Há algum tempo, os pediatras estão aconselhando os pais a deixarem de oferecer suco de frutas para as crianças no primeiro ano de vida, dizendo que a bebida não é tão saudável, quanto muitos pais pensam.

“Antes, a Academia Americana de Pediatria recomendava que os pais evitassem 100 % o suco de frutas para bebês menores de 6 meses. Mas neste ano, a entidade endureceu sua posição contra o suco, recomendando que a bebida seja banida inteiramente da dieta de um bebê durante o primeiro ano. A preocupação é que o suco não oferece benefícios nutricionais no início da vida e pode tomar o lugar de alimentos que os bebês realmente precisam: leite materno (ou fórmula) e suas proteínas, gorduras e minerais, como o cálcio, defendem os pediatras americanos”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Esta é a primeira vez que a entidade atualiza suas diretrizes sobre o suco de frutas desde 2001.


Pais pensam que seus bebês precisam de sucos de frutas

As novas recomendações podem surpreender os pais que pensavam que o suco de fruta é 100% saudável para bebês ou nutricionalmente equivalente ao próprio fruto. “Mas a fruta inteira tipicamente tem mais fibra do que o suco de frutas e é menos provável que cause deterioração dentária. A fruta, in natura, promove a ingestão de menos açúcar puro. Queremos que as crianças aprendam a comer alimentos frescos. Então, se considerarmos que o suco de frutas é igual à fruta, não estamos tendo uma compreensão correta das informações nutricionais”, diz o médico, que é membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Na verdade, há quem defenda que o suco de fruta  deva ser oferecido apenas em ocasiões especiais, especialmente para crianças com alto risco de cárie dentária. Em termos de açúcar e calorias, o suco comprado nas lojas é semelhante ao refrigerante.

“As novas diretrizes, publicadas on-line na revista Pediatrics, também recomendou restringir o suco de frutas a  120 ml diariamente para crianças de 1 a 3 anos e 180 ml por dia para crianças de 4 a 6 anos. As diretrizes de 2001 deram aos pais mais espaço para decidir se 120 ou 180 ml  diários eram apropriados para crianças em idade pré-escolar. Em contrapartida, o conselho para crianças de 4 a 6 anos permaneceu o mesmo”, destaca o pediatra. O último relatório limitou a ingestão diária máxima para crianças mais velhas, de 6 a 18 anos. A recomendação antiga era de 354 ml; agora apenas  240 ml são aconselhados.

Não há uma ligação convincente entre a obesidade e as crianças que bebem quantidades modestas de suco de frutas. Ainda assim, as novas diretrizes defendem que o suco "não tem papel essencial em dietas saudáveis ​​e equilibradas de crianças". Outra preocupação, apontada no documento, é que o suco pode ser um tipo de porta de entrada para o consumo de outras bebidas açucaradas. Há estudos que mostram que os bebês que bebem mais suco são mais propensos a beber refrigerantes e bebidas contendo açúcar.

“Assim, a recomendação é para o consumo de frutas frescas, in natura, e o consumo de água para hidratação, criando um hábito saudável desde cedo”, destaca o pediatra.




Moises Chencinski




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