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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Rio 2016 marca fim do uso de capacete de proteção no boxe



 A regra divide opiniões e abre espaço para debate sobre ETC,
doença causada por repetidas lesões na cabeça.

O boxe olímpico trouxe uma novidade na Rio 2016  – a partir da edição brasileira dos Jogos Olímpicos, os atletas não mais usarão capacetes de proteção, a exemplo do que acontece no boxe profissional. Adotada em 1984 e abolida em forma de teste em 2013, a nova regra não vale para o boxe feminino - as mulheres continuarão a usar o equipamento, mas abre espaço para falar sobre a ETC (Encefalopatia Traumática Crônica), doença neurodegenerativa progressiva. 

A Associação Internacional de Boxe afirma que a segurança dos atletas não corre risco. Segundo a entidade, a nova regra foi validada para aumentar a emoção e tornar mais próxima a modalidade olímpica da profissional. Por outro lado, atletas veteranos defendem o uso do capacete como medida de segurança contra lesões. 

Enquanto a polêmica segue, estudos apontam que 90% dos casos de ETC diagnosticados nos EUA eram em ex-boxeadores e ex-jogadores de futebol americano, todos com mais de 10 anos de profissão.  A patologia pode ser desencadeada em conseqüencia de repetidas lesões na cabeça.  

Descrita há mais de cem anos, ETC ganha evidência na última década
Os estudos sobre ETC são recentes. Não há dados que comprovem a quantidade ou intensidade de lesões para o desenvolvimento da patologia, também conhecida por Síndrome de Boxer ou Demência Pugilística, e também não é possível descrever como, em que grupo ou em quanto tempo a doença poderá se manifestar. Porém, pesquisas em andamento estimam que a ETC ainda poderá afetar cerca de 15% do total de lutadores profissionais. 

Além dos esportes de combate, houve um aumento do número de casos detectados em outras modalidades, como futebol americano e hóquei. No Brasil, os casos relacionados mais conhecidos são dos ex-pugilistas Éder Jofre e Maguila, e do zagueiro e capitão da seleção brasileira de futebol na Copa de 1958, Hideraldo Luis Bellini, falecido em 2014. O caso mais recente relacionado a ETC é o de Muhamad Ali, falecido em junho, que desenvolveu Mal de Parkinson. 

A doença é descrita há mais de cem anos, mas nos últimos dez anos vem ganhando evidência. "Com o tempo, viu-se que não apenas boxeadores eram afetados, mas também pessoas com histórico de lesões constantes na cabeça. Depois de repetidos traumas no crânio, esses pacientes sofriam demência ou declínio da capacidade mental e sintomas parkinsonianos, como tremores e comprometimento de coordenação motora, cognitiva e psiquiátrica”, destaca o Coordenador do Centro de Reabilitação Cognitiva Pós-Trauma de Crânio do Hospital Samaritano, Dr. Renato Anghinah. Esses sintomas podem evoluir para alterações de comportamento como agressividade e depressão, e também causar alucinações e confusão mental. 

Diagnóstico deve ser ser realizado por equipe experiente
O diagnóstico é realizado por meio de uma avaliação com o neurologista e exames de imagem, como o PET/CT. “Apesar da ETC ser conhecida há muito tempo, é importante que o paciente busque por um especialista experiente e com conhecimento da doença para a realização de um diagnóstico preciso”, destaca Dr. Anghinah.
Os tratamentos multidisciplinares oferecidos pelo Hospital Samaritano para ETC vão desde cuidados medicamentosos à reabilitação cognitiva e motora, e envolvem equipes de diferentes áreas como Neurologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicoterapia, Terapia Ocupacional e Neuropsicologia.


Hospital Samaritano

Saúde bucal também influencia a performance de atletas



        
Pesquisa aponta que cárie é comum entre 55% dos atletas, revelando descaso com a saúde bucal. Dentre os problemas estão algumas doenças bucais capazes de provocar alterações sanguíneas e prejudicar o processo de reparação muscular. Outro fator é a dor, que pode aparecer de forma repentina em pessoas que não fazem tratamento preventivo e prejudicar a performance por conta do desconforto

A diferença entre atletas que conseguem ou não conquistar medalhas é mínima, muitas vezes definida por frações de segundos, por isso cada detalhe importa na busca da melhor performance. O que muitos não sabem é que aquela visita ao dentista que não é feita há anos, a cárie esquecida ou uma dor de dente, pode ser determinante na busca por uma medalha.

Um estudo sobre a saúde bucal realizado com participantes das Olimpíadas de Londres, em 2012, e publicado no British Journal of Sports Medicine, mostrou que 55% dos atletas tinham cárie, 45% apresentaram erosão dentária e doenças periodontais, sendo a gengivite responsável por 76% desse índice. Além disso, 28% afirmaram ter sentido impacto na qualidade de vida e 18% contam que isso influi no treinamento e na performance.  Por fim, 46,5% afirmaram não ter feito tratamento dentário no ano que antecedeu o evento.

“Estes números são alarmantes. Infelizmente, muitos atletas apenas lembram do dentista quanto estão com dor ou outro problema mais grave. Em provas que são decididas por segundos, este tipo de desconforto é extremamente prejudicial.’’,  afirma o cirurgião-dentista e especialista em Odontologia do Esporte, Caio Santos, do Instituto Esporte & Odonto - www.facebook.com/esporteodonto.  ‘‘O dentista do esporte atua em parceria com os esportistas para prevenir problemas bucais, como a má-oclusão, gengivites e canais não tratados. Se não houver uma atenção especial, o que é simples pode tomar proporções maiores e significar o fracasso nas provas,’’ explica.

Ainda de acordo com o especialista, algumas doenças bucais podem, inclusive, provocar alterações sanguíneas, que interagem diretamente na saúde sistêmica. Isso pode provocar doenças cardíacas e até o retardo no processo de reparação muscular. ‘‘ Os problemas bucais são inimigos invisíveis, que prejudicam a saúde e o desempenho dos atletas’’.

Entre os muitos esportistas de ponta que Caio acompanha, está Ana Marcela Cunha, nadadora que compete na prova de maratona aquática e foi considerada pelo Comitê Olímpico Brasileiro a melhor atleta de 2015.  ‘‘Nesse tipo de modalidade é muito frequente a erosão dental, devido ao contato constante do dente com substâncias presentes nas piscinas durante os treinamentos.  O dente fica frágil e suscetível a outras doenças comuns, como lesões cervicais não cariosas, cáries e doenças pulpares. ’’

Respiração saudável
De acordo com o Dr. Caio Santos, a Odontologia do Esporte pode também auxiliar no diagnostico e tratamento da síndrome do respirador bucal (padrão inadequado da respiração nasal). O especialista afirma que pesquisas apontam a relação dessa doença com a queda no desempenho físico e explica: ‘‘ Uma pessoa que respira apenas pela boca apresenta alterações anatômicas do sistema estomatognático, desencadeando alterações fisiológicas que podem causar sérios danos à saúde, como desalinhamento na postura, ronco e apneia, alterações no sono, modificações na produção do hormônio GH (hormônio do crescimento), problemas no aprendizado e diminuição do fluxo salivar, provocando o enfraquecimento dental e aparecimento de outras doenças."

De olho na alimentação
É comum os atletas consumirem bebidas energéticas ricas em açúcar e extremamente ácidas, por acreditarem que são mais saudáveis do que beber um refrigerante, por exemplo. Entretanto, o dentista do esporte alerta que é preciso ter cautela na frequência com que se ingere essas bebidas e adotar uma dieta equilibrada. “Os isotônicos podem prejudicar o esmalte dos dentes e causar danos irreversíveis’’, afirma.
Visita obrigatória
Enquanto para a população geral a recomendação é visitar o dentista a cada seis meses, para os atletas a consulta deve ser mais frequente.  Caio afirma que quando o corpo é utilizado como instrumento de trabalho o ideal é buscar assistência odontológica a cada quatro meses.




Dr. Caio Santos - Cirurgião-Dentista especialista em DTM e DOF (2010) UNISANTA; Ortodontia e Ortopedia Facial (2014) UNISANTA; Odontologia do Esporte (2016) UP (Curitiba /PR); Ciências do Esporte (conclusão 2017) UNIFESP / SP. Membro da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte (ABROE).

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