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sábado, 12 de setembro de 2026

Relacionamento aberto não conserta uma relação em crise: o que precisa ser discutido antes de mudar o acordo

Ciúme, limites, transparência e expectativas precisam ser negociados pelo casal; psicóloga explica por que abrir a relação sem diálogo pode intensificar conflitos já existentes.

 

Uma análise de 35 estudos, envolvendo quase 25 mil pessoas, identificou níveis semelhantes de satisfação entre relacionamentos monogâmicos e consensualmente não monogâmicos. O resultado indica que nenhum modelo é, por si só, garantia de felicidade. A qualidade da relação depende de fatores como consentimento, comunicação, confiança e compatibilidade entre os envolvidos.

Quando a possibilidade de abrir o relacionamento surge durante uma crise, porém, ela pode ser apresentada como uma tentativa de recuperar o desejo, evitar uma separação ou solucionar insatisfações antigas. Segundo a psicóloga e sexóloga Dra. Walkíria Fernandes, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia Comportamental Integrativa para Casais, mudar o acordo não elimina os problemas anteriores.

“Se o casal já enfrenta mentiras, ressentimentos, dificuldades sexuais ou falta de diálogo, a abertura pode ampliar essas fragilidades. Novas pessoas entram na dinâmica, mas os conflitos que não foram enfrentados continuam presentes”, explica.

Antes da decisão, é necessário compreender se os dois realmente desejam experimentar esse modelo ou se uma das partes está concordando por medo de perder o relacionamento. Aceitar sob pressão, para agradar o parceiro ou impedir uma traição, não representa um consentimento construído com liberdade.

Também precisam ser discutidos limites relacionados ao envolvimento emocional e sexual, formas de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, frequência dos encontros, privacidade, compartilhamento de informações e possibilidade de rever o acordo. “Não basta dizer que está permitido ficar com outras pessoas. Cada integrante pode ter uma compreensão diferente sobre o que essa abertura significa, e as diferenças aparecem quando os limites não foram definidos”, afirma Walkíria.

O ciúme também não desaparece automaticamente porque houve concordância. Ele pode revelar medo de substituição, insegurança, comparação ou necessidade de previsibilidade. A especialista orienta que o sentimento seja conversado sem acusações, mas ressalta que nenhum combinado deve exigir que alguém suporte sofrimento constante apenas para demonstrar maturidade ou liberdade.

Outro alerta é utilizar a abertura para legitimar um interesse que já existia sem que o parceiro soubesse. Quando a proposta vem acompanhada de urgência, chantagem emocional ou regras que favorecem apenas uma pessoa, o acordo deixa de ser equilibrado. Da mesma maneira, esconder encontros ou descumprir limites continua sendo uma quebra de confiança, mesmo dentro de uma relação aberta.

“Relacionamentos não monogâmicos podem ser saudáveis quando correspondem aos valores e desejos dos envolvidos. O problema é tratá-los como remédio para uma relação que perdeu confiança, diálogo ou intimidade. Antes de mudar o formato, o casal precisa compreender o que está tentando resolver e se ambos possuem segurança para fazer essa escolha”, conclui a psicóloga.

 

Fonte: Dra. Walkíria Fernandes — psicóloga e sexóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia Comportamental Integrativa para Casais.


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