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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Obesidade infantil avança no Brasil e acende alerta para a saúde das próximas gerações

Especialista conscientiza crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade, condição associada ao aumento de casos de diabetes, colesterol alto e outras doenças precoces

 

Cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026. O número representa quase um em cada cinco jovens nessa faixa etária e preocupa especialistas pelos impactos cada vez mais precoces na saúde, como hipertensão, diabetes, alterações no colesterol e doenças hepáticas.

 

Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, o cenário brasileiro acompanha uma tendência observada em diversos países em desenvolvimento e está diretamente relacionado às mudanças no estilo de vida da população. "Não é só a questão da vulnerabilidade social, mas muito mais os facilitadores que a vida contemporânea nos traz. Na correria do dia a dia, produtos mais fáceis de consumir acabam entrando com muito mais frequência na rotina de todos nós, principalmente das crianças", explica. Segundo a médica, sem uma mudança de comportamento, a tendência é que os índices continuem crescendo nos próximos anos.

 

Os reflexos desse quadro já são sentidos nos consultórios. De acordo com Carolina, o aumento do sedentarismo infantil, impulsionado pelo excesso de tempo em telas e pela redução das atividades ao ar livre, tem contribuído para o surgimento de doenças que antes eram mais comuns na vida adulta. "A criança hoje brinca menos, corre menos e fica mais no eletrônico. Somado ao consumo excessivo de alimentos industrializados, isso favorece o aparecimento de colesterol alto, aumento dos triglicérides e diabetes precoce", afirma.

 

Os hábitos construídos na infância tendem a acompanhar o indivíduo ao longo da vida. Por isso, investir em prevenção desde os primeiros anos é fundamental para reduzir problemas futuros. Quanto mais pensarmos em prevenção e saúde nas crianças, mais conseguiremos ter adultos saudáveis lá na frente. A rotina alimentar e a prática de atividade física começam muito cedo e são determinantes para a saúde futura.

 

Nesse processo, a participação da família é considerada indispensável. A criança não é o que a gente fala, é o que a gente faz. Ela é reflexo do dia a dia. Não adianta querer que ela se alimente de forma saudável se a família não mudar seus hábitos. É importante incluir as crianças em feiras, no contato com frutas e verduras, estimulando a experimentação e a construção de uma relação positiva com os alimentos.

 

Apesar dos desafios, a médica acredita que a conscientização constante pode trazer resultados duradouros. "O grande desafio da pediatria é justamente conscientizar os pais. É um trabalho diário, de formiguinha, porque não se muda um estilo de vida da noite para o dia. Mas quando essa orientação começa cedo, os resultados aparecem e o sucesso é muito maior", conclui.

 

Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.  Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.  Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora. 



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