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terça-feira, 28 de julho de 2026

Rouquidão persistente, feridas e dificuldade para engolir. Entenda quando investigar câncer de cabeça e pescoço

O Brasil registra cerca de 39 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano. Especialista explica quais sintomas merecem atenção e porque o diagnóstico precoce é decisivo para aumentar as chances de cura


Rouquidão que não melhora, feridas na boca que persistem por mais de duas semanas, dificuldade para engolir e caroços no pescoço podem parecer sintomas de problemas comuns, mas também podem indicar outros problemas, como o câncer de cabeça e pescoço. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra aproximadamente 39 mil novos casos desse grupo de tumores a cada ano, reforçando a importância do reconhecimento precoce dos sinais de alerta e da investigação médica. 

"Um dos maiores desafios é que muitos pacientes acreditam que esses sintomas vão desaparecer sozinhos e acabam adiando a procura por atendimento. Quando o diagnóstico é feito nas fases iniciais, as chances de cura são significativamente maiores e, muitas vezes, é possível realizar tratamentos menos agressivos, preservando funções importantes como a fala e a deglutição", explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica do DB Diagnósticos. 

O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que podem surgir na cavidade oral, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face e glândulas salivares. Embora cada região apresenta características próprias, esses tumores costumam compartilhar fatores de risco e sintomas semelhantes, que frequentemente são confundidos com infecções ou inflamações benignas. 

Entre os principais sinais de alerta estão rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na mucosa, sangramentos sem causa aparente, dor de garganta contínua e aumento de gânglios no pescoço. A presença desses sintomas não significa necessariamente um câncer, mas sua persistência por mais de duas ou três semanas justifica uma avaliação médica. 

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para esses tumores, especialmente quando associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Nos últimos anos, porém, especialistas também observam o aumento de casos relacionados à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), principalmente em tumores da orofaringe. Exposição solar sem proteção, especialmente para o câncer de lábio, e má higiene bucal também contribuem para o desenvolvimento da doença. 

Quando existe suspeita clínica, a investigação pode envolver exame físico detalhado, exames de imagem, endoscopia e biópsia para confirmação diagnóstica. Os exames laboratoriais também desempenham papel importante na avaliação do estado geral do paciente, no planejamento terapêutico e no acompanhamento durante o tratamento, auxiliando a equipe médica em diferentes etapas do cuidado. 

"Receber um diagnóstico de câncer assusta, mas o atraso no diagnóstico costuma representar um risco ainda maior. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de tratamentos menos invasivos, melhores resultados clínicos e preservação da qualidade de vida do paciente", reforça o especialista. 

A prevenção continua sendo a melhor estratégia. Não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter boa higiene bucal, usar protetor labial com filtro solar durante exposições prolongadas ao sol e manter a vacinação contra o HPV conforme as recomendações do Ministério da Saúde ajudam a reduzir o risco de desenvolver esses tumores. 

Além disso, ouvir os sinais do próprio corpo faz toda a diferença. Alterações que persistem por semanas não devem ser encaradas como algo normal. A investigação precoce pode representar um diagnóstico mais rápido, ampliar as possibilidades de tratamento e aumentar significativamente as chances de cura.
 

DB Diagnósticos



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