O Brasil registra cerca de 39 mil novos
casos de câncer de cabeça e pescoço por ano. Especialista explica quais
sintomas merecem atenção e porque o diagnóstico precoce é decisivo para
aumentar as chances de cura
Rouquidão que não melhora, feridas na boca que
persistem por mais de duas semanas, dificuldade para engolir e caroços no
pescoço podem parecer sintomas de problemas comuns, mas também podem indicar
outros problemas, como o câncer de cabeça e pescoço. De acordo com estimativas
do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra aproximadamente 39
mil novos casos desse grupo de tumores a cada ano, reforçando a importância do
reconhecimento precoce dos sinais de alerta e da investigação médica.
"Um dos maiores desafios é que muitos pacientes acreditam que
esses sintomas vão desaparecer sozinhos e acabam adiando a procura por
atendimento. Quando o diagnóstico é feito nas fases iniciais, as chances de
cura são significativamente maiores e, muitas vezes, é possível realizar
tratamentos menos agressivos, preservando funções importantes como a fala e a
deglutição", explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica
do DB Diagnósticos.
O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que podem surgir na
cavidade oral, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da
face e glândulas salivares. Embora cada região apresenta características
próprias, esses tumores costumam compartilhar fatores de risco e sintomas
semelhantes, que frequentemente são confundidos com infecções ou inflamações
benignas.
Entre os principais sinais de alerta estão rouquidão persistente,
dor ou dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam, manchas
esbranquiçadas ou avermelhadas na mucosa, sangramentos sem causa aparente, dor
de garganta contínua e aumento de gânglios no pescoço. A presença desses
sintomas não significa necessariamente um câncer, mas sua persistência por mais
de duas ou três semanas justifica uma avaliação médica.
O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para esses
tumores, especialmente quando associado ao consumo excessivo de bebidas
alcoólicas. Nos últimos anos, porém, especialistas também observam o aumento de
casos relacionados à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV),
principalmente em tumores da orofaringe. Exposição solar sem proteção,
especialmente para o câncer de lábio, e má higiene bucal também contribuem para
o desenvolvimento da doença.
Quando existe suspeita clínica, a investigação pode envolver exame
físico detalhado, exames de imagem, endoscopia e biópsia para confirmação
diagnóstica. Os exames laboratoriais também desempenham papel importante na
avaliação do estado geral do paciente, no planejamento terapêutico e no acompanhamento
durante o tratamento, auxiliando a equipe médica em diferentes etapas do
cuidado.
"Receber um diagnóstico de câncer assusta, mas o atraso no
diagnóstico costuma representar um risco ainda maior. Quanto mais cedo a doença
é identificada, maiores são as possibilidades de tratamentos menos invasivos,
melhores resultados clínicos e preservação da qualidade de vida do
paciente", reforça o especialista.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia. Não fumar, evitar
o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter boa higiene bucal, usar
protetor labial com filtro solar durante exposições prolongadas ao sol e manter
a vacinação contra o HPV conforme as recomendações do Ministério da Saúde
ajudam a reduzir o risco de desenvolver esses tumores.
Além disso, ouvir os sinais do próprio corpo faz toda a diferença.
Alterações que persistem por semanas não devem ser encaradas como algo normal.
A investigação precoce pode representar um diagnóstico mais rápido, ampliar as
possibilidades de tratamento e aumentar significativamente as chances de cura.
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