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terça-feira, 28 de julho de 2026

Nem toda mulher pode fazer terapia hormonal. Mas isso não significa conviver com os sintomas da menopausa

Especialista alerta que, embora a terapia hormonal seja a opção mais eficaz para muitas mulheres, existem alternativas seguras e respaldadas por evidências científicas para quem possui contraindicação ao seu uso

 

À medida que a terapia hormonal ganha cada vez mais espaço nas redes sociais, na mídia e consultórios, um grupo de mulheres ainda se sente à margem dessa discussão: aquelas que possuem contraindicação ao tratamento. Muitas chegam às consultas acreditando que terão de conviver, inevitavelmente, com ondas de calor, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal e outros sintomas característicos da menopausa, sem possibilidade de melhora. 

Essa percepção, no entanto, está longe da realidade. 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030 mais de 1,2 bilhão de mulheres estarão na pós-menopausa em todo o mundo, com cerca de 47 milhões ingressando nessa fase anualmente. Como, em média, elas vivem mais de um terço da vida após o fim do período reprodutivo, a menopausa passou a ser considerada uma importante questão de saúde pública. 

Estima-se que aproximadamente 80% das mulheres apresentem sintomas relacionados à menopausa e que cerca de um terço desenvolva manifestações moderadas ou intensas, capazes de comprometer significativamente a qualidade de vida, o sono, o desempenho profissional, os relacionamentos e a saúde mental. Entre os sintomas mais frequentes estão fogachos, suor noturno, insônia, ansiedade, alterações de humor, dores articulares, redução da libido, dificuldades cognitivas e síndrome geniturinária da menopausa. 

Embora a terapia hormonal continue sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores em mulheres elegíveis, ela não é indicada para todas. 

Pacientes com histórico de câncer de mama hormônio-dependente, determinados tipos de câncer de endométrio, tromboembolismo venoso, doença hepática grave, sangramento uterino sem investigação adequada ou outras condições específicas podem não ser candidatas ao tratamento hormonal sistêmico. Nesses casos, a indicação deve ser feita de forma individualizada, conforme recomendam a North American Menopause Society (NAMS), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a European Menopause and Andropause Society (EMAS). 

Os especialistas ressaltam, entretanto, que essas contraindicações atingem apenas uma parcela das pacientes e que a maioria pode utilizar hormônios com segurança, desde que passe por avaliação médica adequada.

 

Há tratamento para quem não pode usar hormônios 

Para as mulheres que realmente possuem contraindicação, o excesso de informações focadas exclusivamente na terapia hormonal acaba gerando frustração, insegurança e a falsa impressão de que não existe tratamento. 

"A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para muitas mulheres e transformou a qualidade de vida de milhares de pacientes. Mas ela não é indicada para todas. Isso não significa que quem possui contraindicação precise conviver com os sintomas. Hoje contamos com alternativas não hormonais eficazes, além de mudanças no estilo de vida e outras estratégias respaldadas por evidências científicas. O mais importante é entender que cada mulher precisa de uma avaliação individualizada para receber a abordagem mais adequada e segura para o seu caso", afirma a ginecologista Dra. Daniella Campos Oliveira, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho.

 

Novos tratamentos ampliam as possibilidades 

Os avanços científicos dos últimos anos ampliaram significativamente as opções terapêuticas para mulheres que não podem ou optam por não utilizar hormônios. 

Um dos principais marcos foi a aprovação, pela Anvisa, do fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal dessa classe autorizado no Brasil para o tratamento dos sintomas vasomotores moderados a graves associados à menopausa. 

Os estudos internacionais SKYLIGHT 1 e SKYLIGHT 2, publicados na revista The Lancet, demonstraram redução significativa tanto da frequência quanto da intensidade dos fogachos já nas primeiras semanas de tratamento, com manutenção dos benefícios ao longo do acompanhamento e perfil de segurança considerado favorável. 

Além dessa inovação, outras alternativas já fazem parte da prática clínica em casos selecionados. Entre elas estão alguns antidepressivos em baixas doses, como determinados inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e de serotonina-noradrenalina (IRSN), a gabapentina em situações específicas, além de intervenções como terapia cognitivo-comportamental, programas estruturados de atividade física, medidas voltadas à higiene do sono e tratamentos direcionados à síndrome geniturinária da menopausa, incluindo terapias locais quando clinicamente indicadas.

 

O tratamento deve ser individualizado 

Não existe uma única estratégia capaz de atender todas as mulheres. 

A escolha da melhor abordagem deve considerar fatores como idade, tempo desde a menopausa, intensidade dos sintomas, histórico familiar, doenças associadas, fatores de risco, preferências da paciente e as melhores evidências científicas disponíveis. 

As diretrizes mais recentes da North American Menopause Society (NAMS) reforçam que a terapia hormonal permanece como a opção mais eficaz para mulheres elegíveis, especialmente quando iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos dez primeiros anos após a menopausa. Ao mesmo tempo, destacam que pacientes que não podem utilizar hormônios devem receber orientação ativa sobre alternativas terapêuticas baseadas em evidências, evitando que permaneçam sem tratamento.

 

Informação também faz parte do tratamento 

Apesar dos avanços científicos, muitas mulheres ainda desconhecem que existem alternativas eficazes para quem não pode utilizar terapia hormonal. 

A falta de informação faz com que inúmeras pacientes convivam durante anos com sintomas incapacitantes, acreditando que o sofrimento é uma consequência inevitável do envelhecimento ou que não existe solução. 

"Precisamos ampliar esse debate. Quando falamos sobre menopausa, não podemos concentrar toda a discussão apenas na terapia hormonal. Cuidar da mulher nessa fase significa oferecer informação de qualidade, avaliar cada caso de forma individualizada e mostrar que existem alternativas seguras e eficazes para aliviar os sintomas. Nenhuma paciente deve se sentir desassistida porque não pode usar hormônios", conclui a Dra. Daniella Campos Oliveira. 



Dra. Daniella Campos Oliveira - ginecologista e obstetra, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo. Possui residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de São Paulo e especialização em Cirurgia Minimamente Invasiva. Também é especialista em Ultrassonografia Geral e em Ginecologia e Obstetrícia pelo IBCC, além de Ginecologia Regenerativa Funcional e Estética pela ABGRE. Sua formação e atuação são pautadas em cirurgia minimamente invasiva, implantes hormonais e em temas voltados à saúde integral da mulher.


Clínica Elsimar Coutinho


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