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terça-feira, 28 de julho de 2026

65% dos pacientes abandonam tratamento com GLP-1 por questões financeiras, aponta pesquisa

Levantamento da Febrafar com mais de mil médicos aponta que 65% dos pacientes interrompem o tratamento por questões financeiras e que redução de preços pode ampliar significativamente a adesão

 

O mercado brasileiro de medicamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", vive um momento de transformação. Com a chegada de novas opções terapêuticas ao mercado e a ampliação gradual da oferta nas farmácias brasileiras, uma pesquisa nacional realizada pela Febrafar buscou entender como os médicos brasileiros avaliam essa nova fase da categoria. 

O estudo ocorre em um momento de mudança para o setor, marcado pela entrada de novos produtos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela expectativa de aumento da concorrência. Esse movimento pode contribuir para reduzir uma das principais barreiras apontadas pelos médicos: o custo do tratamento. 

O levantamento, realizado pelo Instituto IFEPEC em maio de 2026, ouviu 1.067 médicos de todo o país, distribuídos entre as especialidades de Clínica Médica, Cardiologia, Medicina de Família e Comunidade e Endocrinologia. Trata-se de um dos maiores estudos já realizados no Brasil sobre a percepção médica em relação aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1. 

Os resultados mostram que os profissionais reconhecem amplamente os benefícios terapêuticos dessa classe de medicamentos, mas apontam o custo como a principal barreira para a ampliação do acesso. 

Segundo a pesquisa, atualmente o tratamento é considerado financeiramente viável para apenas 28% dos pacientes aptos a utilizá-lo. Além disso, 65% dos pacientes acabam interrompendo o tratamento ou não conseguem manter a posologia recomendada devido a limitações financeiras. Por outro lado, os médicos acreditam que uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia elevar a viabilidade do tratamento para cerca de 45% dos pacientes, ampliando significativamente o acesso. 

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, os dados mostram que a discussão sobre os GLP-1 entrou em uma nova etapa. "Os médicos já reconhecem os benefícios clínicos dessa categoria terapêutica. O desafio agora não é mais comprovar sua eficácia, mas ampliar o acesso. A pesquisa mostra que o principal obstáculo para a expansão dos GLP-1 no Brasil continua sendo o custo, e isso fica evidente quando observamos que 65% dos pacientes abandonam o tratamento por questões financeiras", afirma.
 

Médicos veem potencial de crescimento com chegada de novas opções

A pesquisa também investigou as expectativas dos médicos em relação à chegada de biossimilares, similares e outras novas opções de GLP-1 ao mercado brasileiro. Os resultados apontam que a maioria dos profissionais pretende incorporar essas alternativas à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia equivalentes às terapias já disponíveis. 

Segundo Tamascia, a ampliação da oferta pode representar um marco para o setor. "Estamos entrando em uma nova fase dos GLP-1. A chegada de novas opções ao mercado tende a ampliar a concorrência e criar condições para que mais pacientes tenham acesso a tratamentos que hoje ainda estão fora da realidade financeira de grande parte da população. Esse é um movimento positivo para a saúde pública e para a adesão terapêutica", destaca.
 

Benefícios vão além da perda de peso

Embora os GLP-1 tenham se popularizado pelos resultados relacionados ao emagrecimento, os médicos entrevistados destacaram uma série de benefícios clínicos associados ao tratamento. 

Entre os principais resultados observados estão o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, a redução da compulsão alimentar, a perda de peso significativa, além da proteção cardiovascular, renal e hepática. Os profissionais também relataram melhora em condições associadas à obesidade, como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono, dores articulares e alterações metabólicas. 

Para Tamascia, os resultados reforçam a importância da ampliação do acesso a essa categoria terapêutica. "Quando falamos sobre GLP-1, não estamos tratando apenas de perda de peso. Os médicos relatam benefícios importantes para o controle de doenças crônicas que afetam milhões de brasileiros. Isso torna ainda mais relevante a busca por mecanismos que ampliem o acesso a esses tratamentos", explica.
 

Uso irregular preocupa profissionais de saúde

Outro dado que chamou atenção foi o relato de utilização dos medicamentos sem acompanhamento médico. Em média, 7% dos pacientes chegam aos consultórios informando já ter utilizado GLP-1 sem prescrição antes da primeira consulta. O resultado acende um alerta para a comercialização irregular desses produtos e para os riscos associados ao uso sem orientação profissional. 

"Os medicamentos da classe GLP-1 exigem prescrição médica e as farmácias seguem rigorosamente essa determinação. O combate aos canais irregulares de comercialização é fundamental para proteger a saúde da população. O lugar desses tratamentos é dentro do canal farmacêutico regular, com acompanhamento médico e orientação farmacêutica adequada", afirma Tamascia. 

Segundo ele, o farmacêutico desempenha papel estratégico nesse processo. "O farmacêutico é um elo fundamental entre o médico e o paciente. Sua atuação contribui para o uso racional dos medicamentos, para a adesão ao tratamento e para a segurança dos pacientes durante toda a jornada terapêutica", acrescenta.
 

Expansão do mercado já começa a chegar às farmácias

O movimento de ampliação da oferta de medicamentos da classe GLP-1 já pode ser observado no varejo farmacêutico. Nesta semana, a Farmarcas, organização responsável por 11 redes e mais de 1.700 farmácias no Brasil, recebeu os primeiros lotes do Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética produzida no Brasil aprovada pela Anvisa. 

As primeiras unidades começaram a ser distribuídas para farmácias associadas em diversas regiões do país, marcando uma nova etapa para o mercado nacional de tratamentos voltados ao controle da obesidade e do diabetes tipo 2.
 

Para Fábio Chacon, diretor da Farmarcas, a chegada de novas alternativas reforça um dos principais pontos identificados pela pesquisa: a necessidade de ampliar o acesso dos pacientes aos tratamentos. "Os resultados mostram que o grande desafio para os GLP-1 no Brasil ainda é o custo. Quando novas opções chegam ao mercado, cria-se um ambiente mais favorável para ampliar o acesso e permitir que mais pacientes tenham condições de iniciar e manter o tratamento", afirma. 

Segundo Chacon, a entrada de produtos nacionais também contribui para fortalecer a segurança dos pacientes ao ampliar a oferta de medicamentos regularizados e aprovados pela Anvisa. "Existe uma demanda crescente por essa categoria terapêutica. Quanto maior a disponibilidade de produtos seguros, prescritos por médicos e dispensados por farmácias legalmente estabelecidas, maior será a proteção dos pacientes e menor a busca por alternativas de origem duvidosa", destaca. 

Para o executivo, a expansão da oferta observada atualmente vai ao encontro das expectativas identificadas entre os médicos entrevistados pela pesquisa. "Estamos vendo na prática uma transformação que os próprios médicos enxergam com otimismo. O aumento da concorrência e da disponibilidade dos medicamentos tem potencial para ampliar o acesso e fortalecer a adesão aos tratamentos nos próximos anos", conclui.
 

Pesquisa ouviu médicos de todas as regiões do país

O levantamento teve abrangência nacional e contou com a participação de 544 médicos da região Sudeste, 206 do Nordeste, 169 do Sul, 96 do Centro-Oeste e 52 da região Norte. Entre os entrevistados, 59,3% eram clínicos gerais, 21,9% cardiologistas, 10,8% especialistas em Medicina de Família e Comunidade e 8% endocrinologistas. 

A pesquisa também identificou que os médicos consideram os efeitos gastrointestinais, como náusea, constipação, vômitos e diarreia, os eventos adversos mais frequentemente relatados pelos pacientes. Ainda assim, a percepção predominante é de que os benefícios clínicos superam os riscos quando o tratamento é realizado com acompanhamento adequado. 

Para a Febrafar, os resultados mostram que o mercado brasileiro de GLP-1 possui amplo potencial de crescimento, especialmente em um cenário de ampliação da oferta e maior concorrência. "Os médicos demonstram confiança nessa nova etapa do mercado. O que eles esperam é que o aumento das opções disponíveis seja acompanhado de qualidade, segurança e preços mais acessíveis. Se isso acontecer, teremos a oportunidade de levar uma terapia altamente eficaz para um número muito maior de brasileiros", conclui Edison Tamascia.

  

Febrafar - Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias




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