No Julho Amarelo, especialistas alertam que
diagnóstico precoce, vacinação e testagem são fundamentais para evitar cirrose
e câncer hepático
As hepatites virais
seguem como um importante desafio de saúde pública no mundo. Segundo o Global
Hepatitis Report, da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são a segunda
principal causa infecciosa de morte, responsáveis por cerca de 1,3 milhão de
óbitos todos os anos. O alerta é ainda maior porque muitas pessoas convivem com
a infecção sem saber: os vírus podem permanecer silenciosos por anos ou até
décadas enquanto provocam danos progressivos ao fígado.
Durante o Julho
Amarelo – campanha dedicada à conscientização sobre as hepatites virais –,
especialistas reforçam a importância da prevenção, da vacinação e da testagem
para identificar precocemente os vírus e evitar complicações como fibrose,
cirrose e câncer de fígado.
“As hepatites B, C
e D são consideradas doenças silenciosas porque muitas pessoas infectadas não
apresentam sintomas por longos períodos. O diagnóstico, em alguns casos,
ocorreapenas quando já existe algum grau de comprometimento do fígado”, explica
a infectologista Renata Beranger, do Samaritano Botafogo, da Rede Américas,
segunda maior rede privada de hospitais do Brasil.
No país, os tipos
mais frequentes são as hepatites A, B e C. Já a hepatite D ocorre
principalmente na Região Norte e depende da presença do vírus da hepatite B
para se desenvolver. A hepatite E é menos comum no país. Embora todas recebam o
nome “hepatite” por causarem inflamação no fígado, cada tipo possui
características próprias de transmissão e prevenção. As hepatites A e E são
transmitidas principalmente pela via fecal–oral, pelo consumo de água ou
alimentos contaminados. Já as hepatites B, C e D estão relacionadas,sobretudo,
com o contato com sangue e fluidos corporais contaminados, que pode ocorrer por
meio de relações sexuais sem preservativo e do compartilhamento de objetos
perfurocortantes – como agulhas, lâminas e alicates –, além de procedimentos de
tatuagem, piercing e estética realizados sem os cuidados adequados de
biossegurança.
“É fundamental que
as pessoas tenham atenção aos locais onde realizam práticas que envolvam
contato com sangue:agulhas devem ser descartáveis, materiais reutilizáveis
precisam passar por esterilização correta e objetos como alicates e lâminas não
devem ser compartilhados”, orienta Beranger.
A especialista
também destaca que ainda existem muitos mitos relacionados com as hepatites
virais. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, nem todos os pacientes
apresentam pele ou olhos amarelados (icterícia), e a ausência de sintomas não
significa que não exista infecção.
“Esse é um dos
grandes desafios das hepatites. A pessoa pode se sentir saudável e ainda assim
estar infectada. Por isso, a testagem é uma ferramenta essencial para o
diagnóstico e para iniciar o tratamento no momento adequado”, afirma.
Segundo o
infectologista Eduardo Faria, do Hospital Samaritano Barra, também da Rede
Américas, os avanços no diagnóstico e no tratamento transformaram a perspectiva
para os pacientes.
“Existem testes
específicos para identificar cada tipo de hepatite e tratamentos capazes de
controlar a infecção e alcançar altas taxas de cura. Quanto mais cedo o
diagnóstico for realizado, menor o risco de evolução para as formas graves da
doença”, explica.
A recomendação é
que todas as pessoas façam pelo menos uma testagem para hepatites B e C ao
longo da vida, enquanto alguns grupos devem repetir os exames periodicamente,
como pessoas que tiveram contato com sangue, profissionais de saúde, gestantes,
pessoas que vivem com o HIV e indivíduos expostos a situações de risco.
A vacinação continua sendo uma das principais
estratégias de prevenção. O Brasil oferece vacina contra as hepatites A e B – e
a imunização contra a hepatite B também protege contra a hepatite D. Para a
hepatite C ainda não existe vacina, mas os tratamentos disponíveis atualmente
apresentam altas taxas de cura.
1- Relatório Global sobre Hepatite 2024: ação pelo acesso em países de baixa e média renda
Nenhum comentário:
Postar um comentário