Especialista explica como as alterações hormonais modificam o contorno do corpo e quando a cirurgia plástica pode ser indicada
A expectativa de vida das brasileiras chegou a 79,9 anos,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso
significa que uma parcela cada vez maior da população feminina viverá décadas
após a menopausa, fase que deixou de ser encarada apenas como uma transição
hormonal para integrar um debate mais amplo sobre longevidade, bem-estar e
envelhecimento saudável.
Esse movimento acompanha uma tendência global. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2030,
haverá cerca de 1,2 bilhão de mulheres vivendo a menopausa ou a
pós-menopausa. Ao mesmo tempo em que elas permanecem mais
ativas, investem em alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento
preventivo da saúde, cresce também o desejo de que a aparência acompanhe esse
novo momento.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Pedro Westphalen,
essa mudança tem se refletido de forma clara no consultório.
"A mulher na menopausa de
hoje não procura a cirurgia plástica para parecer 20 anos mais jovem. Na maioria
das vezes, ela quer que sua aparência acompanhe a vitalidade que sente. São mulheres que trabalham, viajam, praticam exercícios e percebem que
determinadas alterações não respondem apenas à alimentação ou à atividade
física, porque fazem parte das mudanças naturais dessa fase", afirma.
Entre as queixas mais frequentes estão o aumento da
gordura na região abdominal, a perda de firmeza das mamas, a flacidez da pele e
alterações no contorno corporal. Muitas pacientes chegam acreditando que
ganharam peso, quando, na verdade, o que mudou foi a forma como o organismo
passou a distribuir gordura e a responder às alterações hormonais.
Mais do que uma questão estética, essas mudanças costumam
interferir na relação da mulher com o próprio corpo. Roupas deixam de vestir da
mesma maneira, a silhueta se modifica e a aparência passa a não refletir o
estilo de vida mantido ao longo dos anos.
Para Westphalen, esse comportamento revela uma
mudança importante na forma como o envelhecimento é encarado.
"Há alguns anos, era comum ouvir pacientes
dizendo que queriam parecer mais jovens. Hoje, elas falam muito mais em voltar
a se reconhecer no espelho. Existe uma busca por naturalidade e coerência entre
a forma como vivem e aquilo que enxergam quando se olham", observa.
Embora a cirurgia plástica possa ser uma
alternativa para casos específicos, ela não trata a menopausa e tampouco
substitui o acompanhamento com o ginecologista. A indicação depende de uma
avaliação individualizada e deve considerar o estado de saúde, o histórico
clínico e as expectativas da paciente.
Quando indicada, a cirurgia pode contribuir para
corrigir alterações nas mamas, no abdômen, no contorno corporal ou na região
íntima. No entanto, tão importante quanto o procedimento é o planejamento da
recuperação. Como muitas pacientes conciliam carreira, rotina familiar e,
frequentemente, o cuidado com filhos ou pais idosos, organizar esse período com
antecedência é essencial para que o organismo tenha o tempo necessário para
cicatrizar e responder adequadamente à cirurgia.
Respeitar o repouso recomendado, evitar esforços
físicos precoces, comparecer às consultas de acompanhamento e seguir
rigorosamente as orientações médicas são cuidados que reduzem o risco de
intercorrências e contribuem diretamente para um resultado mais seguro e
duradouro.
"A cirurgia é apenas uma
etapa do processo. Um pós-operatório bem conduzido, com repouso adequado,
retorno gradual às atividades e seguimento rigoroso das orientações médicas, é
fundamental para uma recuperação segura e para a qualidade do resultado. O planejamento desse período deve começar antes mesmo da cirurgia, para
que a paciente consiga organizar sua rotina e dedicar o tempo necessário à
recuperação”, explica Westphalen.
Mais do que acompanhar tendências estéticas, a procura
por procedimentos nessa fase da vida reflete uma transformação na forma como as
mulheres encaram o próprio envelhecimento. Em vez de buscar uma versão
idealizada da juventude, cresce o desejo de preservar identidade, bem-estar e
confiança. Nesse contexto, a cirurgia plástica passa a ocupar um papel
complementar dentro de um cuidado mais amplo com a saúde feminina, respeitando
as características e os objetivos de cada paciente.

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