Coordenadora de Artes Visuais da Cruzeiro do Sul
Virtual explica que foco deve ser na liberdade criativa e no desenvolvimento
infantil, e não em um resultado esteticamente perfeito
Com a chegada do período de férias escolares, muitos pais enfrentam o desafio diário de manter as crianças entretidas longe do uso excessivo de telas (como celulares, tablets e televisão). Nesse cenário, as atividades artísticas e manuais surgem como grandes aliadas. Longe de serem apenas uma forma de distração, essas práticas contribuem diretamente para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional na infância, estimulando a imaginação e fortalecendo os vínculos afetivos em família.
De acordo com a Profa. Andrea Gonçalves, coordenadora do curso de Artes Visuais da Cruzeiro do Sul Virtual, o ato de criar trabalha áreas cerebrais complexas das crianças. "Quando uma criança desenha, recorta, cola, pinta ou monta um objeto, ela exercita de forma lúdica a coordenação motora fina, a percepção espacial, a atenção, a memória e a capacidade de resolver problemas. Do ponto de vista cognitivo, a arte estimula o raciocínio. A criança passa a perceber de forma criativa que um rolo de papel higiênico pode virar um foguete ou que tampinhas podem formar personagens", destaca a especialista.
No aspecto emocional, Andrea ressalta que a arte funciona como uma válvula de escape segura e simbólica para a expressão de sentimentos, frustrações e fantasias, ajudando a criança a lidar com a mudança na rotina escolar. Além disso, quando os pais participam, o momento fortalece a relação e cria memórias afetivas duradouras.
Criação com o
que se tem em casa
Para a professora, os materiais mais potentes para a criação artística costumam ser os mais simples e que já estão disponíveis no lixo reciclável das residências, como rolos de papel, caixas de ovos, caixas de sapatos, potes de plástico limpos, revistas antigas e retalhos de tecido.
A especialista da Cruzeiro do Sul Virtual sugere três propostas simples e econômicas de projetos manuais para fazer com os filhos durante as férias:
- Bichinhos
de rolo de papel: utilizando rolos de papel higiênico ou
papel-toalha, as crianças podem pintar o papelão, desenhar rostos e colar
orelhas e asas de papel para dar vida a corujas, coelhos, gatos ou
monstros inventados.
- Minicidade
de papelão: caixas pequenas de remédios, sapatos ou alimentos
podem ser pintadas e decoradas para se transformarem em prédios, casas,
mercados e ruas. "Além de estimular a criatividade, essa brincadeira
permite conversar com a criança de forma leve sobre convivência social,
trânsito e cuidado com o meio ambiente", explica Andrea.
- Instrumentos musicais caseiros: garrafas plásticas pequenas ou potes com tampa podem virar chocalhos divertidos quando preenchidos com pequenas porções de arroz, feijão ou pedrinhas, estimulando também a percepção sonora da criança.
A docente faz um
alerta importante para os adultos: "O mais importante nesse processo é não
buscar um resultado perfeito. A proposta não é criar uma peça decorativa
'bonita' sob os padrões do adulto, mas permitir que a criança experimente,
teste, erre e descubra do jeito dela".
Ateliê sem
desespero: como gerenciar a bagunça
Para os pais que têm receio da sujeira que tintas, colas e papéis picados podem fazer na casa, a coordenadora de Artes Visuais conta que o segredo do sucesso está no planejamento prévio do espaço, o que garante a liberdade criativa dos pequenos sem causar estresse nos adultos.
Uma dica importante é delimitar o espaço antes de abrir os materiais. "Não é necessário ter um cômodo exclusivo. Uma mesa de cozinha, uma varanda ou um cantinho da sala podem virar um excelente ateliê temporário. O segredo é forrar a mesa ou o chão com folhas de jornal, papel kraft, plástico ou uma toalha antiga de plástico", orienta Andrea.
Organizar os insumos em pequenos potinhos de plástico ou bandejas (separando papéis, tampinhas, tesouras sem ponta e lápis de cor) também ajuda a manter o controle visual da atividade. Materiais como tinta guache lavável e cola branca escolar à base de água são os mais indicados por serem fáceis de limpar e seguros para a saúde das crianças.
"A regra de ouro é combinar os limites de forma clara antes de começar, sem controlar a criação artística. O adulto pode dizer que a tinta fica restrita àquele plástico e que no final todos vão ajudar a guardar. Dentro desse espaço de segurança combinada, a criança precisa ter total autonomia. A bagunça faz parte do processo criativo, e com uma organização simples, ela deixa de ser um problema e vira parte da experiência afetiva das férias", conclui a professora da Cruzeiro do Sul Virtual.
Cruzeiro do Sul Virtual
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
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