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sábado, 11 de julho de 2026

Aromas podem influenciar memória, sono, emoções e qualidade de vida em uma sociedade que está vivendo mais

 

Sono, controle do estresse, memória, conexão social e bem-estar passaram a ocupar um espaço central nas discussões sobre envelhecimento saudável. E é nesse contexto que uma prática usada há milhares de anos vem ganhando um novo olhar científico: a aromaterapia.

Segundo Daiana Petry, aromaterapeuta, neurocientista e perfumista, os aromas não devem ser entendidos apenas como cheiros agradáveis, mas como estímulos capazes de conversar diretamente com áreas importantes do cérebro.

“O olfato é um sentido muito especial porque possui uma ligação direta com regiões cerebrais relacionadas à emoção e à memória. Um aroma pode resgatar uma lembrança antiga, mudar a percepção de um ambiente e influenciar respostas emocionais antes mesmo de termos consciência disso”, explica.
 

Como melhorar o sono para ter mais longevidade

Dormir bem é um dos pilares do envelhecimento saudável. É durante o sono que o organismo realiza processos importantes relacionados à recuperação física, equilíbrio hormonal e funcionamento cerebral.

Entre os óleos essenciais mais estudados nesse contexto está a lavanda.

Uma meta-análise publicada em 2024 na revista Medicine, envolvendo 674 idosos, identificou melhora significativa na qualidade do sono com o uso da lavanda por até quatro semanas, além da redução de sintomas depressivos.

Outra revisão científica publicada no International Journal of Nursing Studies, reunindo 30 estudos, também observou efeitos positivos relacionados ao estresse, ansiedade, fadiga, dor e qualidade do sono.

“Quando falamos de longevidade, precisamos lembrar que o cérebro envelhece melhor em um corpo que consegue descansar. O sono é uma ferramenta biológica de reparação”, destaca Daiana Petry.


Como melhorar a memória para ter mais longevidade

O impacto dos aromas sobre o estado emocional também tem despertado interesse científico.

Um estudo publicado na revista Explore acompanhou idosos que utilizaram lavanda ou camomila por 30 noites e observou redução em indicadores de ansiedade, estresse e sintomas depressivos.

Já uma pesquisa publicada na Psychogeriatrics, envolvendo idosos com demência, avaliou o uso combinado de diferentes óleos essenciais, como alecrim, limão, lavanda e laranja-doce, e identificou melhora em aspectos relacionados à orientação pessoal e desempenho cognitivo.

“Não estamos falando de substituir tratamentos ou prometer cura. Estamos falando de criar estímulos positivos para o cérebro e de usar os sentidos como aliados do cuidado”, reforça a neurocientista.
 

O ambiente influencia na longevidade

Para Daiana Petry, um dos grandes aprendizados da nova longevidade é entender que saúde não está relacionada apenas à ausência de doenças.

O ambiente, as emoções e as experiências também fazem parte desse processo.

“Um cheiro pode trazer conforto, sensação de segurança e conexão com a própria história. Envelhecer bem também é continuar criando memórias, vivendo experiências e mantendo o cérebro estimulado”, afirma.

Em uma sociedade que está aprendendo a viver mais, a aromaterapia surge não como uma solução isolada, mas como uma peça dentro de um conceito maior de cuidado.

“Não existe um único segredo da longevidade. Existe um conjunto de escolhas diárias. E os aromas podem fazer parte dessa construção de uma vida mais equilibrada e com mais significado”, finaliza.


Daiana Petry @daianagpetry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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