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sexta-feira, 10 de julho de 2026

O retorno aos treinos e à vida sexual no pós-parto: os sinais de que o assoalho pélvico ainda não está recuperado

Especialista alerta para os perigos de retomar atividades de impacto ou a rotina íntima sem a reabilitação da musculatura profunda, o que pode agravar escapes de urina e a sensação de flacidez interna.


O nascimento de um filho vira a vida de qualquer mulher do avesso, no bom sentido, claro, mas o corpo cobra o preço. Na pressa de recuperar a antiga rotina e a autoestrada da autoestima, muitas recém-mães acabam ignorando avisos discretos do próprio corpo. O problema é que a pressa pode custar caro: estimativas mostram que cerca de 30% das mulheres enfrentam algum grau de incontinência urinária no pós-parto. É um número alto para um sintoma que a maioria tenta esconder por pura vergonha, achando que faz parte do processo.

Existe um mito muito comum de que a famosa liberação médica dos 40 dias é um sinal verde para fazer qualquer coisa. Só que a fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira lembra que o exame do obstetra avalia a cicatrização do útero e dos pontos, e não se a musculatura que sustenta a bexiga e o canal vaginal recuperou a função. “A musculatura profunda passa por uma sobrecarga imensa durante a gestação inteira, não importa se o parto foi normal ou cesárea. Voltar a correr ou a saltar sem recuperar essa base é como tentar construir uma casa sem alicerce”, explica.

Na prática, o corpo avisa quando não está pronto, mas é preciso saber ouvir. Pequenos escapes de xixi ao tossir, espirrar ou pegar o bebê no colo, e aquela sensação estranha de peso na vagina, como se tivesse uma bola descendo,são os primeiros sinais de alerta. Na vida a dois, as pistas aparecem na forma de dor ou desconforto na penetração e na percepção de uma flacidez interna, que reduz o prazer de ambos.

“É muito comum ouvir no consultório que vazar um pouquinho de xixi é normal depois de ser mãe. Não é. Isso é um sinal claro de disfunção”, alerta a especialista. De acordo com ela, ignorar esses episódios e insistir em treinos pesados na academia pode transformar um incômodo passageiro em um problema crônico, ou até evoluir para a descida dos órgãos pélvicos.

O caminho para voltar a se sentir bem não exige milagre, mas sim um olhar direcionado para essa musculatura escondida. Longe de ser um tratamento demorado ou doloroso, a reabilitação devolve a sensibilidade e a firmeza da região íntima, preparando a mulher de verdade para o impacto dos exercícios e para o cotidiano.

“O pós-parto não tem um prazo de validade igual para todo mundo. Cada corpo tem seu tempo, e olhar para a musculatura íntima com carinho é devolver a essa mulher a liberdade de tossir, correr e namorar sem medo”, conclui Flaviana. 



Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica
flavianafisiopelvica.com.br


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