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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Frio, ar seco e excesso de telas: julho acende alerta para a saúde ocular da família

Oftalmologista alerta para a "tempestade perfeita" na visão com frio e férias escolares
 

O mês de julho traz uma combinação climática e comportamental que pode favorecer sintomas oculares, desconforto visual e agravar doenças pré-existentes em toda a família. De um lado, as baixas temperaturas do inverno reduzem a umidade do ar e aumentam a poluição. De outro, o período de férias escolares e o ritmo de trabalho em home office disparam o tempo de exposição a telas de celulares, tablets e computadores. No dia 10 de julho, Dia da Saúde Ocular, especialista alerta que esse cenário cria o ambiente perfeito para o surgimento de problemas graves de visão em toda a família.

De acordo com o Dr. Cleso Andrade, oftalmologista e professor da São Leopoldo Mandic, a baixa umidade do inverno acelera a evaporação da lágrima, enquanto o uso de telas reduz drasticamente a frequência de piscadas.

"Normalmente, piscamos cerca de 15 a 20 vezes por minuto para manter a superfície ocular lubrificada. Diante de uma tela, essa frequência cai para apenas 5 a 7 vezes. Se somarmos isso ao ar seco do inverno e ao uso de ambientes fechados com aquecedores ou ar-condicionado, temos a receita para o sofrimento ocular", explica o médico.


Adultos: o perigo do olho seco e da automedicação

Para os adultos, a rotina intensa de trabalho digital em julho costuma resultar em fadiga ocular crônica (astenopia) e na Síndrome do Olho Seco. Os sintomas incluem vermelhidão, sensação de "areia" nos olhos, queimação, sensibilidade à luz e dores de cabeça ao fim do dia. O maior risco, no entanto, mora na farmácia.

"O erro mais comum nesta época do ano é a automedicação. As pessoas sentem o olho vermelho ou irritado e usam colírios que estão guardados em casa ou aceitam indicações de balcão. Fórmulas com corticoides ou vasoconstritores podem aliviar o sintoma imediatamente, mas o uso contínuo sem orientação médica pode mascarar doenças sérias e causar problemas graves como glaucoma e catarata precoce", alerta o médico.


Crianças: Férias escolares e o aumento da miopia infantil

Se para os adultos o problema é a rotina de trabalho, para as crianças o perigo está nas férias de julho. Com o frio lá fora, o entretenimento dos filhos costuma se concentrar dentro de casa, com os olhos fixos em telas a poucos centímetros do rosto. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) já aponta um crescimento alarmante de casos de miopia infantil globalmente.

"O olho da criança está em pleno desenvolvimento. E, apesar da miopia ser multifatorial, sabemos que o excesso de atividades perto do rosto, como uso de celular, tablet, videogame e leitura muito próximos, associado à pouca exposição à luz natural, pode favorecer o aparecimento e a progressão da miopia em crianças predispostas. Os pais precisam ficar atentos se os filhos estão apertando os olhos para enxergar, aproximando-se muito da televisão ou dos livros, reclamam de dor de cabeça, apresentaram queda no rendimento escolar, lacrimejamento, vermelhidão ou piscam e esfregam os olhos com frequência", alerta o médico.


Guia de Sobrevivência Ocular para a Família

Para proteger a visão de adultos e crianças neste mês de julho, o especialista sugere a adoção de medidas simples no dia a dia:

  • A Regra do 20-20-20: A cada 20 minutos olhando para uma tela, faça uma pausa de 20 segundos e foque em um objeto que esteja a pelo menos 6 metros de distância (20 pés). Isso relaxa a musculatura interna dos olhos.
  • Lembre-se de piscar: Pode parecer bobagem, mas piscar conscientemente ou usar lembretes visuais ajuda a manter o filme lacrimal estável. Além disso, lubrificantes sem conservantes podem ajudar em muitos casos. Porém, o uso contínuo sem orientação médica de colírios com corticoide, antibiótico, anti-inflamatório ou vasoconstritor podem mascarar doenças importantes e, em alguns casos, aumentar o risco de complicações como glaucoma e catarata.
  • Umidifique o ambiente: O uso de umidificadores de ar ou mesmo bacias com água nos cômodos onde a família passa mais tempo ajuda a combater o tempo seco. Importante sempre manter o umidificador devidamente higienizado e evitar o fluxo direto de ar-condicionado, ventiladores ou aquecedores no rosto.
  • Limite de telas por idade: de acordo com o Dr. Cleso, ele recomenda evitar telas antes dos 2 anos, exceto videochamadas com familiares e amigos. Dos 2 a 5 anos, até uma hora por dia com supervisão; e de 6 a 10 anos, em geral uma a duas horas por dia, desde que não substitua sono, brincadeiras, leitura, convivência familiar e atividades ao ar livre.
  • Atividades ao ar livre: Mesmo nos dias frios de julho, incentive as crianças a brincarem ao ar livre durante o dia. Duas horas diárias de luz natural indireta ajudam a reduzir o risco de aparecimento e progressão da miopia.

O especialista reforça que a prevenção ainda é o melhor remédio, principalmente para doenças silenciosas que podem ser agravadas pelo ressecamento ocular. "A consulta periódica com um oftalmologista é insubstituível e importante tanto para tratar sintomas como olho vermelho, ardência e visão embaçada, quanto para detectar precocemente doenças silenciosas, como glaucoma, alterações da retina e erros de grau não corrigidos", finaliza.

 

São Leopoldo Mandic

 

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