Silenciosas em grande parte dos casos, as
hepatites virais acendem um alerta durante o Julho Amarelo, campanha nacional
voltada à conscientização sobre prevenção, testagem e tratamento dessas
infecções. A mobilização chama atenção para um dos principais desafios
relacionados à doença: muitas pessoas convivem com hepatite sem apresentar
sintomas e só descobrem o diagnóstico em fases avançadas, quando já há risco de
complicações como cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado.
De acordo com o médico infectologista e
professor da Universidade Christus, Dr. Luan Victor, a testagem regular é uma
das principais estratégias para interromper essa evolução silenciosa. “Um dos
maiores desafios das hepatites virais é que a doença pode evoluir sem sintomas.
Se a pessoa não faz a testagem, muitas vezes o diagnóstico só vem em um momento
avançado, quando já existe alguma complicação, como cirrose ou até câncer
hepatocelular”, explica.
As hepatites virais são infecções que atingem
o fígado e podem ser causadas por diferentes vírus. Entre os sintomas possíveis
estão cansaço intenso, febre, náuseas, vômitos, perda de apetite, dor
abdominal, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados, condição
conhecida como icterícia. No entanto, nos casos de hepatite B e C, que podem se
tornar crônicos, a ausência de sinais por longos períodos é comum.
As formas de transmissão variam conforme o
tipo de hepatite. A hepatite A está mais relacionada ao consumo de água e
alimentos contaminados, além de condições inadequadas de higiene e saneamento
básico. Já as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue e
outros fluidos corporais, como em relações sexuais desprotegidas,
compartilhamento de seringas, agulhas ou materiais perfurocortantes.
Para o infectologista, a prevenção deve ser
tratada como prioridade. “As hepatites virais podem ser prevenidas, diagnosticadas
cedo por meio de testes rápidos e, em muitos casos, tratadas com excelentes
resultados. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de evitar
complicações graves”, reforça Dr. Luan.
A vacinação também ocupa papel central nesse
cuidado. Atualmente, há vacinas disponíveis contra as hepatites A e B,
consideradas seguras e eficazes, oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). No caso da hepatite C, embora não exista vacina, o tratamento
disponível apresenta alta eficácia e pode levar à cura na maioria dos casos. Já
a hepatite B não tem cura, mas pode ser controlada com medicação, reduzindo
significativamente o risco de evolução para cirrose, insuficiência hepática e
câncer de fígado.
“O diagnóstico precoce é decisivo porque
permite iniciar o tratamento antes que a doença avance. A hepatite C, por
exemplo, tem tratamento extremamente eficaz. Já a hepatite B pode ser
controlada com o uso regular da medicação, o que diminui muito o risco de
complicações”, destaca o professor.
A recomendação é que a população busque
orientação nas unidades de saúde, mantenha a vacinação em dia e realize a
testagem, especialmente pessoas que nunca fizeram o exame ou que estiveram
expostas a situações de risco.

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