Crescimento da oferta de imóveis atrai investidores, mas especialistas alertam para riscos jurídicos que podem transformar oportunidade em prejuízo
O mercado de leilões imobiliários vive um dos momentos
mais aquecidos dos últimos anos no Brasil. Somente no primeiro semestre de
2025, mais de 116 mil imóveis foram ofertados em leilões judiciais e
extrajudiciais, um crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período do ano
anterior. O avanço é impulsionado principalmente pelo aumento da inadimplência
e pelos juros elevados, que pressionam o orçamento das famílias e elevam o
número de retomadas de imóveis pelos bancos.
O cenário tem despertado o interesse de
investidores e compradores em busca de descontos que podem chegar a 50% ou mais
em comparação aos valores praticados no mercado tradicional. Porém,
especialistas alertam que o aparente bom negócio pode esconder armadilhas
jurídicas capazes de gerar prejuízos significativos.
Em Maringá, onde o mercado imobiliário segue
aquecido e figura entre os mais valorizados do país, a procura por
oportunidades de aquisição tem crescido. Em 2025, a cidade foi apontada como a
terceira com maior valorização imobiliária do Brasil, enquanto atualmente soma
quase 12 mil apartamentos em construção, reforçando a força do setor na região.
Segundo o advogado imobiliário Carlos Alberto Zonta Junior, o principal erro
dos compradores é acreditar que basta oferecer o maior lance para garantir um
bom negócio. "Muitas pessoas se encantam pelo preço anunciado e esquecem
de realizar uma análise jurídica completa do imóvel. É fundamental verificar a
matrícula, a existência de ações judiciais, débitos, ocupação e todas as
condições previstas no edital. Um desconto elevado pode acabar saindo muito
caro quando esses cuidados são ignorados."
Outro ponto que costuma gerar transtornos é a posse
do imóvel. Em muitos casos, o bem permanece ocupado pelo antigo proprietário ou
por terceiros, exigindo medidas judiciais para desocupação. O processo pode
levar meses e gerar custos que nem sempre são considerados pelo comprador no
momento da arrematação.
Além disso, existem diferenças importantes entre os
leilões judiciais e extrajudiciais. Enquanto um possui origem em processos
judiciais, o outro geralmente decorre de contratos de alienação fiduciária.
Cada modalidade possui regras específicas, exigindo atenção redobrada para
evitar surpresas futuras.
"Os leilões podem representar excelentes
oportunidades patrimoniais, mas devem ser encarados como operações jurídicas e
não apenas comerciais. O apoio de um advogado especializado antes da
arrematação é uma medida que reduz riscos e aumenta significativamente as
chances de sucesso no investimento", afirma Zonta.
Com a tendência de manutenção dos juros em
patamares elevados e o aumento das retomadas de imóveis em todo o país,
especialistas acreditam que o volume de leilões continuará crescendo nos
próximos meses, tornando ainda mais importante a busca por orientação jurídica
especializada antes de qualquer decisão.
Carlos Alberto Zonta Junior - Advogado Imobiliário, OAB/PR 77920
@bzonta
contato@zonta.adv.brwww.zonta.adv.br

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