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sexta-feira, 10 de julho de 2026

As mulheres conquistaram espaço na liderança das agências de live marketing. O desafio agora é a autoridade


Comecei a trabalhar com eventos aos 20 anos. Naquela época, era raro encontrar mulheres ocupando posições de liderança nas agências. A maioria dos cargos de direção era ocupada por homens e, em muitos ambientes, a autoridade feminina precisava ser conquistada antes mesmo que qualquer resultado pudesse ser avaliado.

Em diversas situações, a competência não era presumida. Era testada. E, em alguns casos, questionada.

Em uma reunião no início da minha carreira, ouvi uma frase que nunca esqueci: “mulher não pode dar opinião, mulher executa”. Aquilo me marcou menos pelo impacto imediato e mais pelo que revelava sobre o ambiente em que eu estava inserida. Não se tratava de um episódio isolado, mas de uma percepção estrutural sobre o papel da mulher em ambientes de decisão.

Ao longo dos anos, precisei aprender a construir credibilidade de forma consistente, muitas vezes antes mesmo de ter a chance de exercer plenamente a liderança. Era necessário entregar resultados de forma recorrente para alcançar um nível de reconhecimento que, em muitos casos, era automaticamente atribuído a profissionais homens em posições equivalentes.

O mercado de live marketing evoluiu de forma significativa desde então.

Hoje, vemos mais mulheres ocupando posições de liderança, direção e empreendedorismo. As agências e marcas também passaram a reconhecer a importância de equipes diversas, entendendo que diferentes perspectivas ampliam repertórios e geram experiências mais relevantes.

Mas existe uma diferença importante entre ocupar espaço e exercer autoridade.

Pesquisas recentes sobre liderança feminina ajudam a iluminar esse ponto. O relatório Women in the Workplace 2025, produzido pela McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, mostra que, embora a presença feminina em cargos de liderança tenha avançado ao longo dos anos, mulheres ainda enfrentam barreiras consistentes para progressão na carreira e para reconhecimento de sua autoridade profissional, especialmente em níveis mais altos de gestão.

Na prática, isso significa que o desafio não está apenas em chegar aos cargos de liderança, mas em ser reconhecida como liderança de fato.

No universo do live marketing, esse tema ganha ainda mais relevância. Trabalhamos em um setor baseado em relacionamento, tomada de decisão rápida, criatividade e gestão de grandes equipes e projetos complexos. Nesse contexto, a autoridade não deveria estar associada a gênero, mas sim a capacidade de execução, visão estratégica e construção de resultados.

Ainda assim, muitas mulheres seguem relatando a necessidade de validar sua competência de forma mais constante para terem suas decisões aceitas com o mesmo nível de naturalidade que o de seus pares masculinos.

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar o avanço dos últimos anos.

As mulheres estão mais presentes em posições de comando, liderando empresas, fundando negócios e ocupando espaços estratégicos em diferentes áreas da comunicação e do marketing. Essa transformação não aconteceu por concessão, mas por mérito, consistência e pela construção de trajetórias sólidas ao longo do tempo.

Também houve uma mudança importante por parte das organizações. A diversidade deixou de ser tratada apenas como um valor simbólico e passou a ser reconhecida como um fator de desempenho. Equipes mais diversas tendem a ampliar a capacidade de análise, criatividade e conexão com diferentes públicos, o que impacta diretamente a qualidade das experiências que são criadas.

Ainda assim, o debate sobre liderança feminina não está encerrado. Ele apenas mudou de estágio.

Se antes a discussão era sobre acesso, hoje ela passa a ser sobre legitimidade. Sobre influência. Sobre autoridade.

E talvez esse seja o ponto mais importante da evolução. Porque não basta estar na sala de decisões. É preciso que a voz dentro dela tenha o mesmo peso, o mesmo reconhecimento e a mesma escuta qualificada, independentemente de quem a emite.

O avanço da liderança feminina é real. Mas o próximo passo ainda é o mais desafiador: garantir que presença e autoridade caminhem juntas.




Flávia Morizono - cofundadora e diretora da Joia. Experiências que Transformam, agência especializada em live marketing, brand experience e eventos corporativos.

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