Comecei a trabalhar com eventos aos 20 anos. Naquela época,
era raro encontrar mulheres ocupando posições de liderança nas agências. A
maioria dos cargos de direção era ocupada por homens e, em muitos ambientes, a
autoridade feminina precisava ser conquistada antes mesmo que qualquer
resultado pudesse ser avaliado.
Em diversas situações, a competência não era presumida. Era
testada. E, em alguns casos, questionada.
Em uma reunião no início da minha carreira, ouvi uma frase
que nunca esqueci: “mulher não pode dar opinião, mulher executa”. Aquilo me
marcou menos pelo impacto imediato e mais pelo que revelava sobre o ambiente em
que eu estava inserida. Não se tratava de um episódio isolado, mas de uma
percepção estrutural sobre o papel da mulher em ambientes de decisão.
Ao longo dos anos, precisei aprender a construir
credibilidade de forma consistente, muitas vezes antes mesmo de ter a chance de
exercer plenamente a liderança. Era necessário entregar resultados de forma
recorrente para alcançar um nível de reconhecimento que, em muitos casos, era
automaticamente atribuído a profissionais homens em posições equivalentes.
O mercado de live marketing evoluiu de forma significativa
desde então.
Hoje, vemos mais mulheres ocupando posições de liderança,
direção e empreendedorismo. As agências e marcas também passaram a reconhecer a
importância de equipes diversas, entendendo que diferentes perspectivas ampliam
repertórios e geram experiências mais relevantes.
Mas existe uma diferença importante entre ocupar espaço e
exercer autoridade.
Pesquisas recentes sobre liderança feminina ajudam a
iluminar esse ponto. O relatório Women in the Workplace 2025, produzido pela
McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, mostra que, embora a
presença feminina em cargos de liderança tenha avançado ao longo dos anos,
mulheres ainda enfrentam barreiras consistentes para progressão na carreira e
para reconhecimento de sua autoridade profissional, especialmente em níveis
mais altos de gestão.
Na prática, isso significa que o desafio não está apenas em
chegar aos cargos de liderança, mas em ser reconhecida como liderança de fato.
No universo do live marketing, esse tema ganha ainda mais
relevância. Trabalhamos em um setor baseado em relacionamento, tomada de
decisão rápida, criatividade e gestão de grandes equipes e projetos complexos.
Nesse contexto, a autoridade não deveria estar associada a gênero, mas sim a
capacidade de execução, visão estratégica e construção de resultados.
Ainda assim, muitas mulheres seguem relatando a necessidade
de validar sua competência de forma mais constante para terem suas decisões
aceitas com o mesmo nível de naturalidade que o de seus pares masculinos.
Ao mesmo tempo, é impossível ignorar o avanço dos últimos
anos.
As mulheres estão mais presentes em posições de comando,
liderando empresas, fundando negócios e ocupando espaços estratégicos em
diferentes áreas da comunicação e do marketing. Essa transformação não
aconteceu por concessão, mas por mérito, consistência e pela construção de
trajetórias sólidas ao longo do tempo.
Também houve uma mudança importante por parte das
organizações. A diversidade deixou de ser tratada apenas como um valor
simbólico e passou a ser reconhecida como um fator de desempenho. Equipes mais
diversas tendem a ampliar a capacidade de análise, criatividade e conexão com
diferentes públicos, o que impacta diretamente a qualidade das experiências que
são criadas.
Ainda assim, o debate sobre liderança feminina não está
encerrado. Ele apenas mudou de estágio.
Se antes a discussão era sobre acesso, hoje ela passa a ser
sobre legitimidade. Sobre influência. Sobre autoridade.
E talvez esse seja o ponto mais importante da evolução.
Porque não basta estar na sala de decisões. É preciso que a voz dentro dela
tenha o mesmo peso, o mesmo reconhecimento e a mesma escuta qualificada,
independentemente de quem a emite.
O avanço da liderança feminina é real. Mas o próximo passo
ainda é o mais desafiador: garantir que presença e autoridade caminhem juntas.
Flávia Morizono - cofundadora e diretora da Joia. Experiências que Transformam, agência especializada em live marketing, brand experience e eventos corporativos.
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sexta-feira, 10 de julho de 2026
As mulheres conquistaram espaço na liderança das agências de live marketing. O desafio agora é a autoridade
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