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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Primeiras Infâncias Brasileiras convida o público a mergulhar nos seis primeiros anos da vida por meio de experiência multissensorial



 Exposição inédita transforma conhecimento científico sobre o desenvolvimento infantil em percurso sensível sobre cuidado, cultura, brincadeira, território, direitos e futuro coletivo 


Já parou para pensar como é o mundo visto pelos olhos de um bebê que engatinha? A menos de 30 centímetros do chão, um gaveteiro pode parecer uma muralha. Uma mesa, um grande acampamento. Sons e movimentos que, para um adulto, fazem parte do ambiente tornam-se grandiosos para ele. Qual é a sensação de entrar numa sala na proporção similar a que móveis e objetos normais têm para um bebê ou uma criança pequena? E que tal fazer um mergulho na diversidade das infâncias por meio de uma rica variedade de frases de crianças de até 6 anos de todas as partes do país? 

Essas e outras experiências estarão presentes na exposição inédita Primeiras Infâncias Brasileiras, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e da Intercultura, em exibição no Solar Fábio Prado, em São Paulo, de 23 de julho a 20 de setembro de 2026, com entrada gratuita e uma extensa programação educativa e cultural que acontece na exposição e no espaço anexo. 

A mostra reúne ambientes interativos, instalações audiovisuais e experiências sensoriais, projetados por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e especialistas, que abordam temas como desenvolvimento infantil, cuidado, brincadeira, desigualdades sociais e direitos das crianças. O objetivo é sensibilizar o público adulto sobre a importância desse período para o presente de cada bebê e criança, e também para toda a sociedade. Primeiras infâncias bem cuidadas têm reflexo em toda a vida do indivíduo, até suas próximas gerações. 

A curadoria conceitual tem orientação da psicóloga e pesquisadora Juliana Prates Santana, especialista em desenvolvimento infantil. O projeto foi construído a partir de um processo colaborativo entre pesquisadores de diferentes regiões do país, reunindo contribuições das áreas da psicologia, educação, saúde, ciências sociais, cultura e políticas públicas. 

“A exposição nasce do desejo de aproximar a sociedade da riqueza e da complexidade dos primeiros anos de vida. Queremos despertar encantamento, e também ampliar a compreensão sobre as condições necessárias para que todas as crianças possam se desenvolver plenamente”, afirma Juliana.
 

Uma exposição para sentir, pensar e agir

Ao longo do percurso, o visitante é convidado a alternar escalas de observação. Em alguns momentos, o olhar se aproxima dos chamados “microgestos” da infância — os primeiros sorrisos, passos, palavras, brincadeiras e descobertas. Em outros, a narrativa se amplia para revelar os contextos sociais, culturais, econômicos e políticos que influenciam o desenvolvimento das crianças no Brasil.

A exposição parte do conceito de desenvolvimento integral, compreendido como um processo que articula dimensões físicas, cognitivas, emocionais, sociais e culturais da experiência humana. O percurso foi estruturado para transformar conhecimento científico em experiência, aproximando o público de temas frequentemente restritos ao universo acadêmico.

Ao mesmo tempo, a mostra evidencia que o desenvolvimento infantil não acontece isoladamente. Habitação, saúde, educação, saneamento, cultura, segurança, mobilidade urbana e redes de apoio aparecem como elementos fundamentais para garantir o pleno desenvolvimento de bebês e crianças pequenas.



Primeiras infâncias brasileiras, no plural

O título da exposição já anuncia um de seus princípios centrais: falar das primeiras infâncias, no plural. A mostra reconhece que as experiências da primeira infância são atravessadas por questões territoriais, raciais, sociais, econômicas, culturais e de gênero. Por isso, evita visões homogêneas da infância brasileira e busca apresentar múltiplas realidades, sem romantizações nem estereótipos.

“Os primeiros anos de vida representam uma janela única de oportunidades para o desenvolvimento humano. Mas não existe uma única infância brasileira. Existem muitas, tão diversas quanto o próprio Brasil. Esta exposição convida o público a conhecer e valorizar essa riqueza, mas também a refletir sobre as desigualdades que limitam as oportunidades de muitas crianças. Reconhecer essas diferenças é fundamental para promover um começo de vida com cuidado, afeto e oportunidades para todas”, afirma Paula Perim, diretora de Sensibilização da Sociedade da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Imagens, vozes, sons, relatos, dados e registros audiovisuais ajudam a construir uma narrativa que conecta o visitante aos diferentes contextos em que a vida começa e se desenvolve no país.



Experiência para todas as gerações

Pensada como uma exposição multigeracional, Primeiras Infâncias Brasileiras dialoga com crianças, famílias, educadores, profissionais da infância, pesquisadores e também com visitantes que não possuem relação direta com o tema. A proposta é oferecer diferentes portas de entrada para a experiência, combinando emoção, memória, conhecimento, participação e reflexão.

Com esta exposição, estamos levando o tema da primeira infância, em toda a sua pluralidade e complexidade, para um campo de materialidade que promove uma sensibilização e mobilização das pessoas para se envolverem com a causa. Essa conexão se estabelece aqui por meio da linguagem e das estruturas únicas que a exposição proporciona, ressalta Andréa Buoro, diretora executiva da Intercultura.

A exposição também dedica atenção especial à acessibilidade, incorporando recursos de Libras, audiodescrição, comunicação alternativa, conteúdos táteis, textos ampliados, mapas táteis e diferentes possibilidades de interação e circulação, buscando ampliar autonomia, compreensão e pertencimento para diversos públicos.



Um convite à sociedade

Ao reunir arte, ciência, educação e participação cidadã, Primeiras Infâncias Brasileiras procura ampliar o debate sobre a importância dos seis primeiros anos de vida. A mostra parte de uma ideia simples e potente: cuidar das crianças é uma responsabilidade compartilhada e uma escolha que impacta toda a sociedade.

Em um país marcado por profundas desigualdades, a exposição convida o público a reconhecer a infância não apenas como promessa de futuro, mas como um presente que merece atenção, investimento e cuidado.

A exposição Primeiras Infâncias Brasileiras é uma realização da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e da Intercultura e contou com o patrocínio de Guaspari, Itaú Unibanco, Vale, MAHLE, Nitro, Tecnogera, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e apoio da Fundação Padre Anchieta.
 

SERVIÇO - Primeiras Infâncias Brasileiras

• Data: 23 de julho a 20 de setembro de 2026
• Local: Solar Fábio Prado | Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 | 11 3026-3900
• Horário: Terça a domingo, das 10h às 18h
• Entrada gratuita
• Mais informações: primeirasinfanciasbrasileiras.org
• Realização: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e Intercultura
• Curadoria conceitual: Juliana Prates Santana
 

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