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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Acidentes domésticos: cuidados essenciais para proteger as crianças nas férias

Especialistas da Rede Santa Catarina - Paulista chamam atenção para riscos frequentes e orientam como organizar ambientes para garantir mais segurança

 

Com a chegada das férias escolares, cresce também o número de atendimentos de emergência por acidentes envolvendo crianças. A combinação entre rotina mais livre, novas atividades e menor supervisão direta faz deste período um dos mais desafiadores para pais e responsáveis. 

Segundo a pediatra do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dra. Patrícia Rolli, as ocorrências aumentam de forma expressiva e, embora muitas vezes pareçam imprevisíveis, são evitáveis com medidas simples: “A maioria dos acidentes pode ser evitada com supervisão adequada, ambiente seguro e educação preventiva”. 

O tipo de acidente varia conforme a idade, e isso ajuda a entender onde estão os principais riscos. Crianças pequenas se machucam mais dentro de casa, com quedas, queimaduras ou ingestão de substâncias. Já as maiores e adolescentes são mais vulneráveis a traumas em atividades externas, lazer e trânsito, além de afogamentos.

O gênero também influencia: meninos se acidentam mais do que meninas em quase todas as faixas etárias. A médica explica que a mudança na rotina é um dos fatores centrais nesse aumento. Sem a estrutura escolar e com mais tempo livre, as crianças circulam entre casas, clubes e parques, muitas vezes sem a mesma atenção rotineira. Isso amplia a exposição a ambientes desconhecidos e a atividades que exigem cuidados específicos. 

Além disso, viagens, deslocamentos mais longos e estadias temporárias em casas de campo ou praia podem esconder riscos adicionais, como piscinas sem cercamento, pisos escorregadios, ausência de telas nas janelas, substâncias tóxicas ou cáusticas mal armazenadas ou presença de animais peçonhentos. 

Pequenos descuidos também estão entre os principais gatilhos. O acidente acontece em segundos, basta um instante de desatenção para que a criança fique em perigo”, alerta Dra. Patrícia Rolli. Distrações rápidas, como atender o celular ou checar algo na cozinha, podem ser suficientes para uma situação de risco.
 

Como evitar situações de risco?

Criar ambientes seguros dentro de casa é essencial para a prevenção. Na cozinha, é importante manter panelas com os cabos voltados para dentro, usar as bocas traseiras do fogão e deixar líquidos quentes e objetos cortantes fora do alcance. Quartos e salas devem contar com janelas protegidas por telas e com móveis bem fixados, posicionados de forma a evitar que a criança os utilize para subir. 

Produtos de limpeza devem ficar trancados ou em locais altos, tomadas precisam de protetores, banheiros exigem tapetes antiderrapantes e tampas de vaso travadas. Brinquedos devem ser adequados à idade e possuir selo do Inmetro. Já as escadas e corredores pedem portões de segurança e boa iluminação. 

Fora de casa, a atenção deve ser redobrada, especialmente em piscinas, parques e praias. Piscinas precisam de cercas, portões com trava e regras claras de uso. Em playgrounds, os responsáveis devem observar o estado dos brinquedos e se o piso oferece absorção de impacto. 

Além da segurança física, educar as crianças sobre seus próprios limites e riscos é parte fundamental da prevenção. Orientações adequadas à idade, como não mexer em tomadas, não subir em móveis, esperar um adulto para entrar na piscina ou usar equipamentos de proteção, ajudam a criar consciência desde cedo. O exemplo dos responsáveis também faz diferença.

“Quando os adultos seguem regras de segurança no trânsito e na hora do lazer, as crianças reproduzem esse comportamento naturalmente. Ensinar como agir em situações de risco, como pedir ajuda, reconhecer perigos e memorizar números de emergência, também contribui para uma rotina mais segura”, conta a médica. 

A pediatria do Hospital Santa Catarina - Paulista destaca que transformar essas orientações em hábitos diários reduz significativamente as chances de acidentes e garante que as férias sejam, de fato, um período de descanso e diversão. “Prevenir é sempre o melhor cuidado”, resume a Dra. Patrícia.
 

Uso de telas requer atenção

Para além dos riscos físicos, o uso de telas gera uma falsa sensação de segurança e precisa ser monitorado pelos responsáveis. Especialista em psicologia escolar e da educação e orientadora educacional do Colégio Santa Catarina São Paulo, Larissa Guarnieri Capito explica que o hábito pode gerar prejuízos emocionais, impactos à saúde e problemas de linguagem. 

Utilizar timers e seguir a recomendação de tempo dos órgãos oficiais ajuda a evitar excessos. “Organizar a rotina, manter o padrão de alimentação e sono sem telas, proporcionar brincadeiras, momentos de convivência com outras crianças e recursos materiais adequados são dicas para mantê-las ocupadas e sem exposição a conteúdos nocivos”, afirma a mestranda do Programa de Educação e Saúde na infância e na adolescência.


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