Especialistas da Rede Santa Catarina - Paulista chamam atenção para riscos frequentes e orientam como organizar ambientes para garantir mais segurança
Com a chegada das férias escolares, cresce também o número de
atendimentos de emergência por acidentes envolvendo crianças. A combinação
entre rotina mais livre, novas atividades e menor supervisão direta faz deste
período um dos mais desafiadores para pais e responsáveis.
Segundo a pediatra do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dra.
Patrícia Rolli, as ocorrências aumentam de forma expressiva e, embora muitas
vezes pareçam imprevisíveis, são evitáveis com medidas simples: “A maioria dos
acidentes pode ser evitada com supervisão adequada, ambiente seguro e educação
preventiva”.
O tipo de acidente varia conforme a idade, e isso ajuda a entender
onde estão os principais riscos. Crianças pequenas se machucam mais dentro de
casa, com quedas, queimaduras ou ingestão de substâncias. Já as maiores e
adolescentes são mais vulneráveis a traumas em atividades externas, lazer e
trânsito, além de afogamentos.
O gênero também influencia: meninos se acidentam mais
do que meninas em quase todas as faixas etárias. A médica explica que a mudança
na rotina é um dos fatores centrais nesse aumento. Sem a estrutura escolar e
com mais tempo livre, as crianças circulam entre casas, clubes e parques,
muitas vezes sem a mesma atenção rotineira. Isso amplia a exposição a ambientes
desconhecidos e a atividades que exigem cuidados específicos.
Além disso, viagens, deslocamentos mais longos e estadias temporárias
em casas de campo ou praia podem esconder riscos adicionais, como piscinas sem
cercamento, pisos escorregadios, ausência de telas nas janelas, substâncias
tóxicas ou cáusticas mal armazenadas ou presença de animais peçonhentos.
Pequenos descuidos também estão entre os principais gatilhos. “O
acidente acontece em segundos, basta um instante de desatenção para que a
criança fique em perigo”, alerta Dra. Patrícia Rolli. Distrações rápidas, como
atender o celular ou checar algo na cozinha, podem ser suficientes para uma
situação de risco.
Como evitar situações de risco?
Criar ambientes seguros dentro de casa é essencial para a
prevenção. Na cozinha, é importante manter panelas com os cabos voltados para
dentro, usar as bocas traseiras do fogão e deixar líquidos quentes e objetos
cortantes fora do alcance. Quartos e salas devem contar com janelas protegidas
por telas e com móveis bem fixados, posicionados de forma a evitar que a
criança os utilize para subir.
Produtos de limpeza devem ficar trancados ou em locais altos,
tomadas precisam de protetores, banheiros exigem tapetes antiderrapantes e
tampas de vaso travadas. Brinquedos devem ser adequados à idade e possuir selo
do Inmetro. Já as escadas e corredores pedem portões de segurança e boa
iluminação.
Fora de casa, a atenção deve ser redobrada, especialmente em
piscinas, parques e praias. Piscinas precisam de cercas, portões com trava e
regras claras de uso. Em playgrounds, os responsáveis devem observar o estado
dos brinquedos e se o piso oferece absorção de impacto.
Além da segurança física, educar as crianças sobre seus próprios
limites e riscos é parte fundamental da prevenção. Orientações adequadas à
idade, como não mexer em tomadas, não subir em móveis, esperar um adulto para
entrar na piscina ou usar equipamentos de proteção, ajudam a criar consciência
desde cedo. O exemplo dos responsáveis também faz diferença.
“Quando os adultos seguem regras de segurança no
trânsito e na hora do lazer, as crianças reproduzem esse comportamento
naturalmente. Ensinar como agir em situações de risco, como pedir ajuda,
reconhecer perigos e memorizar números de emergência, também contribui para uma
rotina mais segura”, conta a médica.
A pediatria do Hospital Santa Catarina - Paulista destaca que
transformar essas orientações em hábitos diários reduz significativamente as
chances de acidentes e garante que as férias sejam, de fato, um período de
descanso e diversão. “Prevenir é sempre o melhor cuidado”, resume a Dra.
Patrícia.
Uso de telas requer atenção
Para além dos riscos físicos, o uso de telas gera uma falsa
sensação de segurança e precisa ser monitorado pelos responsáveis. Especialista
em psicologia escolar e da educação e orientadora educacional do Colégio Santa
Catarina São Paulo, Larissa Guarnieri Capito explica que o hábito pode gerar
prejuízos emocionais, impactos à saúde e problemas de linguagem.
Utilizar timers e seguir a recomendação de tempo dos órgãos
oficiais ajuda a evitar excessos. “Organizar a rotina, manter o padrão de
alimentação e sono sem telas, proporcionar brincadeiras, momentos de
convivência com outras crianças e recursos materiais adequados são dicas para
mantê-las ocupadas e sem exposição a conteúdos nocivos”, afirma a mestranda do
Programa de Educação e Saúde na infância e na adolescência.
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