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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sudeste concentra 74% dos embriões congelados no Brasil e evidencia desigualdade no acesso à reprodução assistida

Distribuição desigual de clínicas, custo elevado e falta de informação ainda limitam tratamentos em outras regiões do país

 

A maior parte dos embriões congelados no Brasil está concentrada na região Sudeste. Segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), cerca de 74% do total armazenado no país está nos estados da região, evidenciando uma desigualdade significativa no acesso à reprodução assistida. 

Enquanto o Sudeste soma 469.450 embriões congelados, outras regiões apresentam números muito inferiores, como o Sul, com 84.499, o Nordeste, com 73.661, e o Norte e Centro-Oeste, que juntos não chegam a 11 mil embriões armazenados. 

Para especialistas, essa concentração reflete uma combinação de fatores estruturais, econômicos e culturais.

De acordo com a ginecologista e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), Profª Dra. Marise Samama, a maior presença de profissionais especializados e centros de tratamento é determinante para esse cenário. 

“O Sudeste concentra um maior número de especialistas, além de maior poder aquisitivo da população e mais laboratórios de reprodução assistida, o que naturalmente impacta o acesso aos tratamentos”, explica. 

A distribuição das clínicas pelo país também influencia diretamente esse panorama. No entanto, o setor vem apresentando sinais de expansão nos últimos anos. 

“Esse mercado está crescendo e se espalhando. Há 20 anos atuo como professora em uma pós-graduação em reprodução assistida e observo um aumento significativo de ginecologistas de todas as regiões do Brasil interessados em atuar na área”, afirma. 

Apesar da expansão, especialistas apontam que ainda existem obstáculos importantes para o acesso à reprodução assistida fora dos grandes centros.
 

Além da concentração de clínicas, o custo dos tratamentos continua sendo um fator limitante, já que muitos dos insumos utilizados são importados. 

“A reprodução assistida depende de insumos de importação, desde equipamentos laboratoriais até medicamentos hormonais, o que impacta diretamente o custo dos procedimentos”, destaca a médica. 

Outro desafio é a falta de informação e o estigma em determinadas regiões, o que pode afastar pacientes dos tratamentos. “Em algumas áreas, ainda pode existir preconceito relacionado ao tema, muitas vezes por falta de conhecimento”, diz. 

Para reduzir a desigualdade regional, especialistas apontam que a disseminação de informação e o apoio institucional são fundamentais. 

“É essencial ampliar a divulgação de informação científica e contar com maior apoio público e incentivo de empresas para tornar esses tratamentos mais acessíveis”, afirma a especialista. 

Na avaliação da AMCR, o avanço passa também por um processo de conscientização da população. “A educação sobre o tema é o primeiro grande passo. Desmistificar os preconceitos é urgente”, conclui.


 

AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil

 

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