Entender o que é normal sobre a pelagem de cães e gatos ajuda o tutor a identificar sinais que podem indicar desequilíbrios nutricionais ou problemas dermatológicos
A presença de pelos pela casa costuma fazer parte
da rotina de quem convive com cães e gatos. Sofás, roupas e até o chão acabam
recebendo um pouco dessa “assinatura” dos pets. Em muitos casos, isso está
relacionado à troca natural de pelagem, um processo fisiológico importante para
a renovação dos fios. No entanto, quando a queda se torna excessiva ou vem
acompanhada de alterações na pele ou na aparência da pelagem, pode ser um sinal
de que algo não está em equilíbrio no organismo.
Assim como acontece com os cabelos humanos, os
pelos dos animais passam por um ciclo natural de crescimento conhecido como
ciclo do pelo que envolve três fases principais: a anágena, quando o fio está
em crescimento, a catágena, fase de transição, e a telógena, período em que o
pelo entra em repouso até se desprender para dar lugar a um novo fio. Esse
processo ocorre continuamente e garante a renovação da pelagem ao longo da
vida.
A intensidade dessa troca pode variar de acordo com
fatores como raça, idade, ambiente e período do ano. “Em determinadas épocas,
especialmente no outono e na primavera, é comum que cães e gatos apresentem uma
queda de pelos mais intensa. Isso acontece porque o organismo está ajustando a
pelagem para as mudanças de temperatura”, explica Lucas Piza,
médico-veterinário e gerente de produtos da Avert Saúde Animal.
Por se tratar de um processo natural, essa troca
tende a ocorrer de forma equilibrada. Os fios continuam sendo substituídos
gradualmente e a pelagem mantém aspecto saudável, com brilho e densidade
adequados. O alerta costuma surgir quando a queda passa a ser muito intensa,
persistente ou acompanhada de sinais como falhas na pelagem, descamação da
pele, coceira ou áreas de irritação.
Nesses casos, diferentes fatores podem estar
envolvidos. Alterações nutricionais, por exemplo, podem interferir diretamente
na qualidade dos fios. A pele e a pelagem são estruturas altamente dependentes
de nutrientes específicos para manter sua integridade, já que os pelos são
formados principalmente por proteínas e aminoácidos.
Entre os nutrientes que beneficiam esse processo
estão aminoácidos como a cistina, além de vitaminas do complexo B, como
pantotenato de cálcio (vitamina B5) e tiamina (vitamina B1), que participam do
metabolismo celular e do crescimento dos fios. Compostos derivados de leveduras
também podem fornecer nutrientes e contribuir para o suporte nutricional da
pele e da pelagem, ajudando a manter o ciclo saudável de renovação dos pelos.
“Quando existe deficiência ou desequilíbrio desses
nutrientes, o organismo pode ter dificuldade para manter o crescimento e a
qualidade da pelagem, o que pode se refletir em queda excessiva ou fios mais
frágeis”, explica Lucas.
Além dos fatores nutricionais, a queda de pelos
também pode estar associada a problemas dermatológicos, presença de parasitas,
alergias, alterações hormonais ou até situações de estresse. Por isso, observar
o contexto em que a queda ocorre é essencial para identificar quando ela foge
do padrão esperado.
Outro sinal importante é a aparência geral da
pelagem. Pelos opacos, quebradiços ou áreas com falhas visíveis podem indicar
que o organismo não está recebendo o suporte necessário para manter o
crescimento saudável dos fios.
Quando esses sinais aparecem, a orientação
veterinária é fundamental para investigar a causa e definir a melhor abordagem.
“A queda de pelos pode ter diversas origens. O médico-veterinário vai avaliar
fatores nutricionais, condições dermatológicas e o histórico do animal para
entender o que está acontecendo e indicar o cuidado mais adequado”, destaca o
especialista.
Na rotina, alguns cuidados simples ajudam a manter
a pelagem saudável, como escovação regular, alimentação equilibrada, controle
de parasitas e acompanhamento veterinário periódico. Em situações específicas,
o suporte nutricional pode ser indicado para auxiliar na manutenção da saúde da
pele e no crescimento adequado dos fios.
Mais do que uma questão estética, a pelagem
funciona como um importante indicador da saúde do animal. Quando brilhante,
uniforme e resistente, ela costuma refletir um organismo em equilíbrio. Por
isso, prestar atenção à forma como os pelos caem e se renovam é uma maneira
simples, mas valiosa, de acompanhar o bem-estar de cães e gatos no dia a dia.
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