Receber uma proposta da concorrência costuma gerar
muitas dúvidas nos executivos. À primeira vista, muitos benefícios
evidentes podem ganhar bastante relevância, como um aumento salarial, posição
mais estratégica ou maior autonomia. Mas, por trás, existe uma decisão muito
mais complexa: não se trata apenas de trocar de
empresa, mas sim de reposicionar a própria trajetória profissional,
rever valores, avaliar riscos e refletir sobre qual caminho faz mais
sentido a longo prazo.
Apesar
da movimentação no mercado sempre ter sido comum, dados divulgados
pelo Caged em 2025 identificaram que 36% dos profissionais – o
equivalente a 8,8 milhões de pessoas – com carteira assinada mudaram de emprego
voluntariamente, o maior percentual observado desde o início da série histórica
do indicador, em 2004.
Em
ofertas de concorrentes, os pontos a serem levados em consideração são ainda
mais delicados, indo muito além do que a remuneração em si. Neste processo
profundo de autoanálise e alinhamento de estratégia para a carreira e vida
pessoal, veja algumas perguntas importantes de serem respondidas a fim
de orientar na melhor decisão a ser tomada:
#1 Qual a realidade na minha empresa atual? O primeiro
exercício de análise precisa ser interno. Entenda de que forma o negócio atual
está alinhado com seus objetivos e realizações de carreira, se já atingiu o teto, ou ainda pode ter saltos maiores de
crescimento; se está estagnado ou sendo constantemente desafiado; e se possui
voz ativa e visibilidade internamente. Respostas negativas tendem a fazer
com que os executivos se abram a outras oportunidades.
#2 Qual a cultura, missão e valores da nova empresa? Essa tríade pode ser extremamente atraente no papel
– mas, se não for vista na prática e alinhada com os times, há um risco
inevitável de falta de compatibilidade entre as partes. Qualquer
divergência entre esses pontos do executivo com os da organização é um sinal
amarelo de que ele, talvez, não deva considerar essa mudança.
#3 Quão compatível meu salário atual é, em comparação com a oferta do
mercado? Muitas vezes, há uma discrepância entre o que o executivo ganha
atualmente e o que os concorrentes ofertam a seus profissionais. Isso faz com
que, ao receberem uma proposta com uma remuneração bem maior e mais
aderente, se sintam bastante atraídos em aceitá-la. É importante
analisar esse tópico com bastante profundidade, compreendendo o quanto que
uma possível diferença nesses valores pesa nesta decisão.
#4 Quais oportunidades de aprendizado eu tenho, atualmente? Toda movimentação de carreira, inevitavelmente,
tira os executivos da zona de conforto, fazendo com que tenham que se adaptar a
uma nova realidade. Ao mesmo tempo, também é uma
oportunidade de ganho de habilidades e aprendizado, ainda mais em
mudanças setoriais completamente diferentes. Caso o profissional esteja se
sentindo estagnado nesse sentido em sua ocupação atual, é mais provável que
aceite uma proposta que lhe ofereça essa trilha.
#5 Qual a reputação da empresa? Analise quanto que uma possível movimentação
para o concorrente pode potencializar – ou prejudicar – sua imagem no mercado.
Leve em consideração se a empresa possui uma boa imagem, liderança forte, e a
capacidade de alavancar sua marca pessoal, enquanto executivo, ao assumir a
posição no local. Essas respostas trarão uma visão mais clara sobre a
capacidade de conquistar benefícios como ampliação do networking e maior visibilidade,
ou se será só mais um dentre tantos profissionais em um meio que já conhece e
está acostumado.
Claro que
ainda há todas as questões legais, cláusulas contratuais relacionadas e
termos de não concorrência e confidencialidade que não podem ser deixados de
lado – o que torna essa decisão um cálculo complexo que envolve uma série de
variáveis como ambição, satisfação pessoal, alinhamento cultural, remuneração e
valorização, compensação justa e avaliação rigorosa de riscos.
Respostas
mais positivas que indiquem uma mudança que irá alavancar a carreira de forma
significativa, certamente se mostram mais estratégicas para a jornada
profissional. Por outro lado, caso não haja essa sustentação, é melhor não
se arriscar nesse sentido. No final, o que sempre acabará balizando qual
escolha tomar é até que ponto essa mudança o levará ao próximo passo de
realização profissional que a empresa atual não proporciona.
Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Wide
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