Das passarelas de
Paris ao aconchego das agulhas, a temporada reforça o desejo por texturas,
volumes e uma moda que conta histórias. Aida Fonseca, fundadora da Novelaria, e
especialistas do setor explicam como o tricô e o crochê se tornaram os novos
protagonistas do maximalismo elevado.
A mulher do Outono/Inverno 2026 é adulta,
autoral e profundamente tátil. Após temporadas dominadas pelo minimalismo
rígido do quiet luxury, as passarelas de Milão e Paris abriram espaço
para uma "opulência moderna", onde o verdadeiro valor não está no
logótipo, mas no tempo de execução e na riqueza das técnicas manuais.
Neste cenário, o artesanal deixa de ser um detalhe
regional para se tornar o ponto central do design de luxo. Tricôs estruturados,
crochês com texturas 3D, franjas e rendas dominam a silhueta, provando que o
"feito à mão" é a resposta definitiva para quem busca exclusividade
em um mundo digitalizado.
O Luxo da Imperfeição
Planejada
Para Aida Fonseca, fundadora da Novelaria,
espaço que se tornou referência em São Paulo por unir moda, técnica e convivência,
essa tendência reflete uma mudança de comportamento. "O
inverno 2026 é uma celebração da identidade. Não queremos apenas uma roupa que
sirva; queremos uma peça que tenha alma. O artesanal traz essa 'magia real',
onde cada ponto de um tricô ou cada trama de um crochê carrega uma história
única", afirma a empresária.
Segundo Aida, o interesse por processos manuais
cresceu à medida que o público saturou do fast-fashion. "O
luxo hoje é ter algo que ninguém mais tem, feito com um material nobre que você
entende de onde veio. É uma moda que você vive dentro dela, com glamour, mas
com o pé na realidade", complementa.
Texturas que abraçam: a volta
do maximalismo
A temporada trouxe volumes imponentes e uma
exploração profunda de materiais. O tricô aparece em jacquards complexos,
enquanto o crochê ganha ares de alta-costura.
A professora Katia Linden, especialista em Corte e
Costura da Novelaria, destaca que a estrutura das roupas mudou. “Vemos uma
valorização de silhuetas com ombros mais estruturados e cinturas marcadas,
agora suavizadas pelo toque do trabalho manual. O segredo deste inverno está
nas sobreposições: um vestido de seda sob um casaco de tricô oversized com
texturas de pelúcia. É o jogo de contrastes que cria o visual moderno”,
explica.
As tendências-chave para
colocar em prática:
- Ode
ao Artesanal: Esqueça o artesanal rústico. A aposta agora é no luxo tátil. Peças
que exploram o volume do fio, franjas dramáticas e rendas trabalhadas em
tons de pedras preciosas (como o roxo e o bordô).
- Silhuetas
Esculturais: O peplum e as golas funil ganham versões em tricô encorpado,
garantindo estrutura sem perder o conforto.
- O
"New Dark": O clima gótico vitoriano aparece em rendas
manuais pretas e transparências de tule bordado, trazendo um sex appeal
sofisticado.
- Acessórios
Decorados:
Luvas, golas trabalhadas e até sapatos com detalhes em veludo e brocados
elevam o look artesanal ao status de joia.
Técnica como Terapia e Estilo
Além do impacto visual, a Novelaria observa o
artesanal sob a ótica do processo. "Nossos alunos buscam aprender o tricô e o
crochê não apenas para seguir a tendência da passarela, mas para controlar sua
própria narrativa de moda", diz Aida.
Em um inverno que pede cores densas como o cinza chique, o mostarda e o onipresente vermelho, o toque humano das agulhas é o que diferencia o comum do extraordinário. Como resume Aida: "Não importa quão digital o mundo se torne, a gente sempre vai precisar do toque, do fio e do afeto que só o artesanal proporciona".
Novelaria
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