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domingo, 19 de abril de 2026

Ode ao artesanal: por que o "feito à mão" é o verdadeiro luxo do Inverno 2026

Das passarelas de Paris ao aconchego das agulhas, a temporada reforça o desejo por texturas, volumes e uma moda que conta histórias. Aida Fonseca, fundadora da Novelaria, e especialistas do setor explicam como o tricô e o crochê se tornaram os novos protagonistas do maximalismo elevado. 

 

A mulher do Outono/Inverno 2026 é adulta, autoral e profundamente tátil. Após temporadas dominadas pelo minimalismo rígido do quiet luxury, as passarelas de Milão e Paris abriram espaço para uma "opulência moderna", onde o verdadeiro valor não está no logótipo, mas no tempo de execução e na riqueza das técnicas manuais.

Neste cenário, o artesanal deixa de ser um detalhe regional para se tornar o ponto central do design de luxo. Tricôs estruturados, crochês com texturas 3D, franjas e rendas dominam a silhueta, provando que o "feito à mão" é a resposta definitiva para quem busca exclusividade em um mundo digitalizado.


O Luxo da Imperfeição Planejada

Para Aida Fonseca, fundadora da Novelaria, espaço que se tornou referência em São Paulo por unir moda, técnica e convivência, essa tendência reflete uma mudança de comportamento. "O inverno 2026 é uma celebração da identidade. Não queremos apenas uma roupa que sirva; queremos uma peça que tenha alma. O artesanal traz essa 'magia real', onde cada ponto de um tricô ou cada trama de um crochê carrega uma história única", afirma a empresária.

Segundo Aida, o interesse por processos manuais cresceu à medida que o público saturou do fast-fashion. "O luxo hoje é ter algo que ninguém mais tem, feito com um material nobre que você entende de onde veio. É uma moda que você vive dentro dela, com glamour, mas com o pé na realidade", complementa.


Texturas que abraçam: a volta do maximalismo

A temporada trouxe volumes imponentes e uma exploração profunda de materiais. O tricô aparece em jacquards complexos, enquanto o crochê ganha ares de alta-costura.

A professora Katia Linden, especialista em Corte e Costura da Novelaria, destaca que a estrutura das roupas mudou. “Vemos uma valorização de silhuetas com ombros mais estruturados e cinturas marcadas, agora suavizadas pelo toque do trabalho manual. O segredo deste inverno está nas sobreposições: um vestido de seda sob um casaco de tricô oversized com texturas de pelúcia. É o jogo de contrastes que cria o visual moderno”, explica.


As tendências-chave para colocar em prática:

  • Ode ao Artesanal: Esqueça o artesanal rústico. A aposta agora é no luxo tátil. Peças que exploram o volume do fio, franjas dramáticas e rendas trabalhadas em tons de pedras preciosas (como o roxo e o bordô).
  • Silhuetas Esculturais: O peplum e as golas funil ganham versões em tricô encorpado, garantindo estrutura sem perder o conforto.
  • O "New Dark": O clima gótico vitoriano aparece em rendas manuais pretas e transparências de tule bordado, trazendo um sex appeal sofisticado.
  • Acessórios Decorados: Luvas, golas trabalhadas e até sapatos com detalhes em veludo e brocados elevam o look artesanal ao status de joia.


Técnica como Terapia e Estilo

Além do impacto visual, a Novelaria observa o artesanal sob a ótica do processo. "Nossos alunos buscam aprender o tricô e o crochê não apenas para seguir a tendência da passarela, mas para controlar sua própria narrativa de moda", diz Aida.

Em um inverno que pede cores densas como o cinza chique, o mostarda e o onipresente vermelho, o toque humano das agulhas é o que diferencia o comum do extraordinário. Como resume Aida: "Não importa quão digital o mundo se torne, a gente sempre vai precisar do toque, do fio e do afeto que só o artesanal proporciona". 



Novelaria
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