No contexto do Dia Mundial de Combate ao Câncer, que acontece em 8 de abril, especialistas reforçam a importância de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico precoce e a tratamentos cada vez mais inovadores e personalizados. Entre os avanços que vêm transformando a oncologia, a medicina nuclear tem ocupado papel de destaque, especialmente em casos mais avançados e resistentes às terapias tradicionais.
Uma das inovações que mais chamam a atenção nesse cenário é o Lutécio-177 PSMA, terapia de precisão já aplicada no Brasil com resultados promissores no tratamento do câncer de próstata metastático.
A tecnologia representa um novo modelo de cuidado oncológico: em vez de atuar de forma ampla no organismo, ela direciona a radiação diretamente às células tumorais. Isso é possível porque o Lutécio-177 é ligado a uma molécula capaz de reconhecer o PSMA, proteína presente nas células do câncer de próstata.
Segundo o médico nuclear Dr. Marcos Villela Pedras, presidente da Associação Nacional das Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) e diretor da Clínica Villela Pedras, esse tipo de abordagem marca uma virada importante na oncologia.
“Estamos falando de uma terapia que utiliza o conceito de medicina de precisão. Conseguimos identificar, localizar e tratar as células tumorais de forma muito mais direcionada, aumentando a eficácia e reduzindo danos aos tecidos saudáveis”, explica.
Nesse sentido, o Lutécio-177 PSMA surge como alternativa especialmente para pacientes que já passaram por cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou bloqueio hormonal, sem a resposta esperada.
Realizada por via intravenosa, geralmente em ciclos e sem necessidade de internação, a terapia alia precisão e menor agressividade ao organismo, o que contribui para uma abordagem mais individualizada do tratamento.
Além da terapia em si, a medicina nuclear também exerce papel essencial no diagnóstico e na definição da estratégia terapêutica. Exames avançados, como o PET/CT, permitem mapear com precisão a atividade do câncer e orientar condutas mais adequadas em cada caso.
“O PET/CT é uma ferramenta essencial nesse processo. Ele permite visualizar o comportamento do tumor em nível molecular, o que nos ajuda não só a indicar o tratamento mais adequado, mas também a monitorar a resposta ao longo do tempo”, destaca o especialista.
Esse modelo integrado, que combina diagnóstico avançado e terapia direcionada, reforça o papel da medicina nuclear como uma das grandes aliadas no combate ao câncer. Na prática, isso representa uma mudança importante no cuidado oncológico: tratamentos mais personalizados, menos agressivos e com maior potencial de controle da doença, mesmo em estágios avançados.
Para Dr.
Marcos Villela Pedras, o avanço dessas tecnologias aponta para um futuro mais
promissor no tratamento oncológico. “A tendência é que consigamos, cada vez
mais, individualizar o cuidado, oferecendo terapias mais eficazes e com melhor
qualidade de vida para os pacientes.”
@clinicavillelapedras
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