Montagem com elenco formado por imigrantes e refugiadas estreia temporada gratuita no Centro Cultural Bibli-ASPA, em São Paulo
Inspirado em histórias reais de mulheres refugiadas que reconstruíram a vida no Brasil, o espetáculo Daqui pra frente estreia no Centro Cultural Bibli-ASPA, no dia 11 de abril. Com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 18h, a temporada gratuita segue até 3 de maio.
Com texto e direção de Danielli Guerreiro, a peça reúne sete mulheres de cinco países, Nigéria, Afeganistão, Irã, Venezuela e Congo. Em esquetes inspiradas em situações vividas após a chegada ao Brasil, o espetáculo aborda diferenças culturais, saudade do país de origem e os desafios com o idioma. O elenco é formado por Adanne Udoka, Muzghan Yawari, Fahima Panahi, Atefa Mohammadi, Zaynab Ataollahi, Laura Velasquez e Arlete N’Daya.
A montagem é a segunda produção teatral da Bibli-ASPA, organização sem fins lucrativos que há mais de 20 anos atua na integração de imigrantes e refugiados no Brasil. O espetáculo nasce do curso regular de teatro da instituição, que reúne mulheres atendidas pela entidade e transforma suas próprias vivências de migração em material cênico. Em 2025, a instituição também abordou o tema da migração forçada no espetáculo Refúgio.
Dividida em capítulos, a montagem
aborda temas recorrentes no processo de criação, como idioma, identidade e
adaptação cultural. A dramaturgia combina relatos reais com situações do cotidiano
brasileiro, como conversas em bares, passagens pela imigração em aeroportos e
aulas de português.
Embora trate de experiências marcadas por deslocamento e recomeço, o espetáculo aposta no humor como ferramenta narrativa. “Ele nos ajuda a atravessar desafios de forma mais leve. Muitas histórias que foram desesperadoras no momento acabam se tornando engraçadas com o tempo”, explica a diretora.
A peça também traz cenas mais emocionais sobre a vida antes da migração, sonhos interrompidos e o processo de reconstrução de identidade no Brasil. Durante os ensaios, o idioma foi um dos principais desafios. “Muitas vezes precisei parar os ensaios para explicar as ‘pegadinhas’ do nosso idioma, palavras que se escrevem igual e têm pronúncias diferentes ou que soam iguais com significados distintos”, conta Guerreiro.
A encenação aposta em cenário simples, com projeções de vídeo e figurinos sobre roupas pretas básicas. A trilha sonora, dirigida por Flávio Hernandes, inclui a canção Flutua, interpretada ao vivo pelo elenco. Duas atrizes, Adanne Udoka, da Nigéria, e Laura Velasquez, da Venezuela, eram cantoras em seus países de origem.
Para a diretora, o trabalho no palco tem papel importante no fortalecimento da autoestima das participantes. “O teatro coloca essas mulheres na vitrine. Elas são vistas e ouvidas. Estar em cartaz contando histórias reais, interpretadas por elas mesmas e em português, depois de tanto estudo e dedicação, valida essa jornada.”
A proposta também é aproximar o público
da realidade de refugiados e imigrantes. “A ideia é mostrar essas histórias de
uma forma diferente dos telejornais. Quando o público as conhece de perto, fica
difícil continuar acreditando em preconceitos sobre refugiados.”
Sinopse
Sete mulheres refugiadas que hoje vivem
no Brasil compartilham, em esquetes baseadas em fatos reais, episódios marcados
por humor, confusão e descobertas. As histórias revelam os desafios enfrentados
ao chegar a um novo país — do idioma às diferenças culturais — e mostram, com
sensibilidade e leveza, o processo de adaptação e reconstrução de suas vidas.
Sobre a Bibli-ASPA
A Bibli-ASPA (Biblioteca e Centro de
Pesquisa América do Sul–Países Árabes–África) é uma organização sem fins
lucrativos que promove a integração de imigrantes e refugiados ao Brasil. A
instituição oferece aulas gratuitas de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira,
formação profissional, oficinas culturais, apoio psicológico, alimentação e
iniciativas de empreendedorismo.
A organização também desenvolve
atividades culturais como festivais, apresentações artísticas, exposições e
oficinas de teatro, sempre com protagonismo das pessoas atendidas pelos
projetos.
Ficha técnica:
Texto e direção: Danielli Guerreiro. Direção musical: Flávio
Hernandes. Elenco: Adanne Udoka, Muzghan
Yawari, Fahima Panahi, Atefa Mohammadi, Zaynab Ataollahi, Laura Velasquez e
Arlete N’Daya. Capoeira e maculelê: Tante Silva. Coreografia:
Matheus Spolzino. Figurino: Jawad Bator.
Serviço:
Espetáculo Daqui pra frente
Estreia dia 11 de abril de 2026.
Temporada: De 11 de abril a 3 de maio - sábados, às 20h |
domingos, às 18h
Duração: 60 minutos.
Classificação
etária:
Ingressos: gratuitos,
retirada 1 hora antes do espetáculo.
BibliASPA -
Biblioteca Centro de Pesquisa América do Sul Paises Árabes África
Rua Baronesa de Itu, 639 -
Higienópolis, São Paulo - SP, 01231-001.

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