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Infecções podem evoluir sem sintomas e causar infertilidade,
além de complicações na gestação.
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil, principalmente por um fator preocupante: muitas delas evoluem de forma silenciosa, sem sintomas aparentes, o que favorece a transmissão e dificulta o diagnóstico precoce.
Entre as ISTs mais comuns no Brasil, a sífilis representa
um desafio para a saúde pública. Segundo dados Ministério da Saúde, divulgados
no Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, mostram que o país registrou, em
2024, cerca de 256 mil casos de sífilis adquirida, aproximadamente 89 mil casos
em gestantes e cerca de 24 mil casos de sífilis congênita, quando a infecção é
transmitida da mãe para o bebê.
Segundo a médica ginecologista Raphaela Conrado, membro
do Comitê de Sexologia da SOGIMIG, entre as ISTs silenciosas mais comuns também
estão clamídia, gonorreia, HPV, HIV nas fases iniciais e hepatite B.
“Doença sexualmente transmissível não tem cara! Muitas
dessas infecções podem permanecer por meses ou até anos sem causar sintomas
evidentes. A pessoa pode não apresentar dor, corrimento ou lesões visíveis e só
descobrir a doença em exames de rotina ou quando já existem complicações”, explica.
Quando não diagnosticadas e tratadas corretamente, as
ISTs podem trazer consequências importantes para a saúde reprodutiva feminina.
Entre os riscos estão doença inflamatória pélvica, infertilidade, dor pélvica
crônica, gravidez ectópica e complicações durante a gestação.
Algumas infecções também podem ser transmitidas da mãe
para o bebê durante a gravidez ou no parto. A sífilis, por exemplo, pode causar
aborto, parto prematuro, além da transmissão para o recém-nascido . Já o HPV
está diretamente associado ao câncer do colo do útero.
“As ISTs têm impacto direto na fertilidade e na gestação.
Por isso, o rastreio faz parte da rotina do pré-natal e o diagnóstico precoce é
fundamental para evitar complicações”, destaca a médica.
Testagem mesmo sem sintomas
Entre os exames considerados essenciais para o
rastreamento estão os testes rápidos, disponíveis nos centros públicos de
saúde, com resultado em 30 minutos, para HIV, sífilis e hepatites. Além desses,
há também o exame preventivo (Papanicolau), que ajuda a identificar alterações
relacionadas ao HPV. Também existem exames específicos para clamídia e
gonorreia, feitos a partir de secreção vaginal ou urina.
A frequência dos exames deve ser individualizada, mas a
recomendação geral é manter acompanhamento ginecológico regular. Mulheres com
vida sexual ativa devem realizar testagem sempre que houver mudança de parceria
ou situação de risco.
“O preventivo deve ser feito a partir dos 25 anos,
conforme as recomendações do Ministério da Saúde. Já os testes para ISTs devem
ser feitos periodicamente, principalmente quando há novas parcerias”, orienta.
Prevenção é a melhor estratégia
O uso do preservativo continua sendo a principal forma de
prevenção contra ISTs. Além disso, a especialista reforça a importância da
vacinação contra HPV e hepatite B, testagem regular e tratamento adequado das
pessoas infectadas e de seus parceiros. “A vacina contra HPV é uma ferramenta
extremamente importante porque previne o câncer do colo do útero. Quanto maior
a cobertura vacinal, maior a proteção da população”, afirma Raphaela.
Outro ponto fundamental apontado pela médica é o diálogo
aberto entre o casal e com o médico, reduzindo estigmas e facilitando o
diagnóstico precoce.
Para a especialista, a ausência de sintomas não significa
ausência de doença. Por isso, a prevenção deve fazer parte da rotina de
cuidados com a saúde: “A maioria dessas infecções não dá sinais no início, mas
pode trazer consequências importantes. Fazer exames periódicos é uma forma de
autocuidado e de proteção da saúde sexual e reprodutiva”, conclui.
SOGIMIG - Associação de Ginecologistas e Obstetras de
Minas Gerais

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