
José Carlos Vilar, Conjunto de Esculturas
São
Paulo recebe a exposição “José Carlos Vilar – Mestre Escultor”, com curadoria
de Agnaldo Farias, reunindo mais de 20 esculturas, muitas delas inéditas. A mostra
permanece até 28 de maio, na galeria Herança Cultural.
A
exposição apresenta ao público paulistano a produção de José Carlos Vilar,
escultor capixaba reconhecido por sua dedicação ao ferro forjado e por sua
atuação como professor no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito
Santo, onde formou gerações de artistas. Cultuado sobretudo entre escultores
que passaram por suas aulas, Vilar construiu uma trajetória marcada pelo rigor
técnico e pela relação direta com a matéria. Seu trabalho parte do confronto
físico com o ferro, como o próprio artista descreve: “O caminho é o diálogo com
o material. Na juventude, queria fazer com o ferro o que quisesse. Aprendi,
depois, o caminho do diálogo. Se você for com violência, ele te responde com
violência”, afirma. Para Agnaldo Farias, a produção de Vilar situa-se dentro de
uma linhagem importante da escultura brasileira. Segundo ele, trata-se de um
trabalho que dialoga com uma tradição que atravessa nomes como Franz Weissmann,
Amilcar de Castro, José Resende e alcança artistas contemporâneos como Artur
Lescher. “Com obras de presença forte, apuradas e concisas, José Carlos Vilar
junta-se aos adeptos da matéria densa e do ar”, escreve o curador, destacando o
modo como o artista trabalha a tensão entre peso e leveza, massa e vazio. E completa:
“São obras que surpreendem pela variedade de processos e pela potência
plástica. Ao mesmo tempo, esculturas e maquetes de obras futuras, indicam como
um pequeno gesto no papel pode se tornar semente de expansões inesperadas”.
A exposição reúne esculturas de diferentes escalas e
soluções formais. Entre elas está Aranha, construída com vergalhões espessos e
estruturada por três apoios pontiagudos, cuja estrutura vazada cria uma
presença simultaneamente pesada e aérea. Já Onda, que abre o percurso expositivo,
apresenta uma curva ascendente, feita também de vergalhões, gesto interrompido
no ápice que projeta corpo e sombra no espaço.
Outras peças evocam formas vegetais ou estruturas
orgânicas — bulbos, sementes, carapaças —, enquanto algumas assumem caráter
geométrico ou arquitetônico, aproximando-se de torres, casas ou obeliscos.
Entre os trabalhos está ainda Batéias, instalação composta por cones suspensos
por cabos de aço, que se movimentam continuamente como um móbile. O conjunto
evoca o instrumento usado na mineração para revolver a terra em busca do que
está oculto, metáfora para o próprio processo escultórico. Para Farias, essas
esculturas operam numa zona intermediária entre objeto e presença corporal:
“Facear essas peças de escala tão próximas às dos nossos corpos equivale a
encarar alguém, ou a nós mesmos diante do espelho”.
Serviço
Exposição: José Carlos Vilar – Mestre Escultor
Curadoria: Agnaldo Farias
Visitação: até 28 de maio de 2026
Endereço: Galeria Herança Cultural | Rua do
Curtume, 274 – Lapa de Baixo, São Paulo
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