Consumo pode desencadear tontura em pessoas sensíveis, e especialista explica como substâncias presentes no doce influenciam o organismo e os sinais de alerta após ingestão
Com a chegada da Páscoa, cresce o consumo de chocolate em
diferentes momentos do dia, seja em encontros familiares ou como presente.
Embora o período seja marcado por celebração, é importante manter atenção a possíveis
efeitos no organismo, especialmente entre pessoas sensíveis a determinados
estímulos alimentares. Em alguns casos, o doce pode atuar como fator
desencadeante para episódios de tontura, exigindo cuidado e moderação.
De acordo com o Dr. Fernando Botelho, otoneurologista especialista
em tontura do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, o consumo de chocolate
pode, sim, desencadear sintomas em indivíduos com determinadas condições
vestibulares. “O consumo pode funcionar como gatilho em doenças como a
Enxaqueca Vestibular e a Síndrome de Ménière”, explica. Segundo ele, essas
condições estão relacionadas ao funcionamento do ouvido interno, responsável
pelo equilíbrio, e podem ser influenciadas por fatores alimentares.
Entre os componentes presentes no chocolate, alguns merecem
destaque por sua ação no organismo. “Os principais são a cafeína, a teobromina
e o açúcar”, afirma o especialista. Essas substâncias podem interferir na
atividade neurológica e metabólica, provocando alterações que impactam a percepção
de estabilidade corporal, principalmente em pessoas predispostas.
Quem já possui histórico de crises deve redobrar a atenção durante
esse período. “Pessoas com enxaqueca precisam ter cuidado, já que o chocolate
pode desencadear episódios de tontura”, ressalta o médico. Isso ocorre porque
há maior sensibilidade a estímulos que afetam o sistema nervoso central,
favorecendo o surgimento de sintomas.
Não há uma quantidade considerada universalmente segura para
consumo. Um organismo responde de forma distinta do outro, o que torna
essencial o autoconhecimento. “Cada pessoa tem seu próprio limiar e deve
respeitar esse limite”, orienta o especialista. Observar como o corpo reage
após a ingestão é um passo importante para evitar desconfortos.
Em relação aos sinais de alerta, a intensidade e a frequência dos
episódios são determinantes. “Se os sintomas forem intensos ou recorrentes, é
importante buscar investigação médica”, destaca. Quadros persistentes podem
indicar a necessidade de avaliação especializada para diagnóstico adequado e
definição de conduta.
Além do chocolate, outros itens comuns na rotina também podem
atuar como gatilhos e muitas vezes passam despercebidos. “Café, refrigerantes e
doces em geral podem influenciar, principalmente pelo excesso de glicose e
possíveis alterações na produção de insulina”, explica. Esses fatores podem
contribuir para oscilações que afetam a estabilidade do organismo.
Para aproveitar a data sem prejuízos à saúde, a recomendação
principal é manter o equilíbrio. “É importante conhecer seus limites e evitar a
associação de vários alimentos que podem funcionar como gatilhos, a exemplo de
chocolate com refrigerante e outros doces”, finaliza o especialista. A
moderação, aliada à atenção aos sinais do corpo, permite que a celebração seja
vivida de forma leve e segura.

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