Aumento de queixas
como garganta irritada, pigarro, tosse leve e sensação de secreção acumulada na
Páscoa
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho
Barros, o problema não está no consumo pontual do chocolate na Páscoa, mas no
excesso. De acordo com o médico, o chocolate, especialmente os mais ricos em
açúcar e gordura, pode favorecer uma sensação maior de pigarro na garganta.
“Não significa que ele produza secreção diretamente, mas pode intensificar a
produção de ácido gástrico. Ó ácido quando chega nesta região promove uma
irritação, sentida como uma bola ou algo preso na garganta. Além disso, pode
piorar sintomas em crianças que já têm rinite, sinusite ou tendência alérgica”,
explica.
Outro ponto de atenção é a composição dos chocolates mais
consumidos nessa época. Produtos com leite, corantes e aditivos podem atuar
como gatilhos inflamatórios e/ou alérgicos leves, contribuindo para irritações
na via aérea superior.
Por que a garganta sofre mais com o consumo de chocolate?
A Páscoa coincide com o outono, período marcado por mudanças de
temperatura, ar mais seco e aumento de quadros alérgicos e infecciosos. Essa
combinação — clima + excesso de chocolate— pode deixar a mucosa da garganta
mais sensível. Além disso, o consumo elevado de doces pode levar a uma menor
ingestão de água, o que contribui para o ressecamento das vias aéreas e
intensifica o desconforto.
Sinais de alerta nas crianças após o consumo exagerado de
chocolate:
• Tosse persistente
• Pigarro frequente
• Queixa de garganta arranhando ou ardendo
• Sensação de “catarro parado ou de bola na garganta”
• Voz mais rouca
“Em crianças com histórico de alergias respiratórias, esses
sintomas podem aparecer com mais intensidade. Mas, não é necessário restringir
completamente o chocolate — mas sim orientar o consumo”, fala o médico que
deixa algumas medidas simples podem fazer diferença:
• Evitar grandes quantidades em um único dia
• Oferecer água com frequência
• Intercalar o consumo com frutas e refeições equilibradas
• Preferir chocolates com menos aditivos e maior teor de cacau
• Manter a rotina alimentar o mais regular possível
Dr. Bruno alerta para que se os sintomas persistirem por mais de
alguns dias, piorarem ou vierem acompanhados de febre, dificuldade para engolir
ou chiado no peito, é importante buscar avaliação médica. “Em alguns casos, o
quadro pode evoluir para infecções ou crises alérgicas mais intensas já que o
sistema respiratório infantil é mais sensível e responde rapidamente a mudanças
na alimentação e no ambiente”, finaliza.
FONTE:
Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista.
Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.
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