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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Crianças, chocolate e garganta: quando o excesso da Páscoa pode virar problema

Aumento de queixas como garganta irritada, pigarro, tosse leve e sensação de secreção acumulada na Páscoa
 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, o problema não está no consumo pontual do chocolate na Páscoa, mas no excesso. De acordo com o médico, o chocolate, especialmente os mais ricos em açúcar e gordura, pode favorecer uma sensação maior de pigarro na garganta. “Não significa que ele produza secreção diretamente, mas pode intensificar a produção de ácido gástrico. Ó ácido quando chega nesta região promove uma irritação, sentida como uma bola ou algo preso na garganta. Além disso, pode piorar sintomas em crianças que já têm rinite, sinusite ou tendência alérgica”, explica.

Outro ponto de atenção é a composição dos chocolates mais consumidos nessa época. Produtos com leite, corantes e aditivos podem atuar como gatilhos inflamatórios e/ou alérgicos leves, contribuindo para irritações na via aérea superior.
 

Por que a garganta sofre mais com o consumo de chocolate?

A Páscoa coincide com o outono, período marcado por mudanças de temperatura, ar mais seco e aumento de quadros alérgicos e infecciosos. Essa combinação — clima + excesso de chocolate— pode deixar a mucosa da garganta mais sensível. Além disso, o consumo elevado de doces pode levar a uma menor ingestão de água, o que contribui para o ressecamento das vias aéreas e intensifica o desconforto.
 

Sinais de alerta nas crianças após o consumo exagerado de chocolate:

• Tosse persistente

• Pigarro frequente

• Queixa de garganta arranhando ou ardendo

• Sensação de “catarro parado ou de bola na garganta”

• Voz mais rouca

“Em crianças com histórico de alergias respiratórias, esses sintomas podem aparecer com mais intensidade. Mas, não é necessário restringir completamente o chocolate — mas sim orientar o consumo”, fala o médico que deixa algumas medidas simples podem fazer diferença:

• Evitar grandes quantidades em um único dia

• Oferecer água com frequência

• Intercalar o consumo com frutas e refeições equilibradas

• Preferir chocolates com menos aditivos e maior teor de cacau

• Manter a rotina alimentar o mais regular possível

Dr. Bruno alerta para que se os sintomas persistirem por mais de alguns dias, piorarem ou vierem acompanhados de febre, dificuldade para engolir ou chiado no peito, é importante buscar avaliação médica. “Em alguns casos, o quadro pode evoluir para infecções ou crises alérgicas mais intensas já que o sistema respiratório infantil é mais sensível e responde rapidamente a mudanças na alimentação e no ambiente”, finaliza.
  


FONTE:
Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista. 
Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.


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