Pesquisar no Blog

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão alerta para doença silenciosa que afeta cerca de 3 em cada 10 brasileiros

Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do diagnóstico precoce, controle contínuo e adoção de hábitos saudáveis

 

Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial tem como objetivo promover a conscientização sobre o diagnóstico e o tratamento de uma das condições crônicas mais prevalentes no país. 

De acordo com dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados em 2025, cerca de 30% da população brasileira adulta vive com a doença¹, que é um dos principais fatores de risco para condições cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal. 

Caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial acima de 140 por 90 mmHg (14 por 9), a hipertensão é considerada uma doença silenciosa, já que, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. 

“Quando os pacientes apresentam sintomas, os mais comuns são tontura, dor de cabeça, falta de ar, palpitações e alterações na visão. Dessa forma, o diagnóstico precoce se torna essencial para o controle da pressão arterial”, afirma o Dr. Leandro Costa, cardiologista do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Novas diretrizes e atenção precoce

Os médicos brasileiros acompanharam a tendência internacional e, em setembro de 2025, foi lançada a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, elaborada em conjunto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão. 

Uma das principais atualizações é a reclassificação dos níveis pressóricos. A aferição popularmente conhecida como “12 por 8” deixou de ser considerada normal e passou a ser classificada como indicativa de pré-hipertensão. A pressão arterial normal agora é definida como inferior a 120 por 80 mmHg. 

“Essa alteração reforça ainda mais a importância do monitoramento domiciliar da pressão arterial, estimulando o uso adequado e mais frequente de aparelhos automáticos de braço devidamente validados. Além disso, a diretriz enfatiza o papel desse acompanhamento para identificar precocemente a pré-hipertensão e orientar o tratamento”, comenta o especialista. 

O cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz ressalta que o monitoramento domiciliar não substitui a avaliação médica. “Qualquer alteração persistente ou sintoma deve ser discutido com um especialista, que poderá orientar o tratamento mais adequado”, completa. 

No contexto da saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), que representa a primeira versão oficial de um protocolo clínico abrangente e padronizado para orientar o manejo da doença na rede pública. 

O documento foi desenvolvido pela Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS). 

Outro avanço importante incluído neste protocolo foi a incorporação da Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para o diagnóstico da pressão alta em adultos com suspeita da doença, recomendação embasada em parecer técnico favorável.

 

Doença multifatorial e impacto crescente

A hipertensão pode ter origem primária (genética) ou secundária, quando associada a outras condições de saúde, como doenças renais, distúrbios hormonais ou da tireoide. 

Entre os principais fatores de risco estão excesso de peso e obesidade, consumo elevado de sal, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse frequente, histórico familiar e envelhecimento. 

Além disso, fatores como má qualidade do sono, alimentação inadequada, com consumo excessivo de gorduras saturadas e açucares, e doenças como diabetes e colesterol elevado também contribuem para o desenvolvimento da condição. 

Outro ponto de atenção é a chamada síndrome do jaleco branco, condição em que o paciente apresenta elevação da pressão arterial apenas durante consultas médicas ou em ambientes clínicos, enquanto os níveis se mantêm normais em casa. 

Frequentemente associada à ansiedade, pode incluir sintomas como tremores, palpitações, respiração acelerada, tontura e tensão muscular. “A pressão elevada no consultório pode não refletir a realidade do paciente no dia a dia. Por isso, é fundamental complementar a avaliação com medições fora do ambiente clínico, para garantir um diagnóstico mais preciso”, comenta o cardiologista.

 

Tecnologia como aliada no monitoramento e medição em casa

O uso de dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, também pode contribuir para o acompanhamento da saúde cardiovascular, especialmente em pessoas acima dos 50 anos. 

“Com sensores cada vez mais precisos e funções voltadas ao bem-estar, esses dispositivos podem se tornar aliados importantes na prevenção de doenças e no acompanhamento da rotina”, explica o especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

Entre os principais benefícios está o monitoramento contínuo da frequência cardíaca, que pode ajudar a identificar alterações e orientar a busca por avaliação médica. 

Além disso, a aferição da pressão arterial em casa é uma ferramenta importante para o acompanhamento da saúde. Para garantir resultados confiáveis, algumas orientações são essenciais:

  • utilizar um aparelho validado, preferencialmente automático de braço;
  • realizar a medição em ambiente calmo, após pelo menos cinco minutos de repouso;
  • manter o braço apoiado na altura do coração;
  • posicionar corretamente o manguito e seguir as instruções do aparelho;
  • registrar os valores e repetir a medição em diferentes momentos. 

Esses cuidados ajudam a garantir maior precisão nas medições e contribuem para um acompanhamento mais eficaz.

 

Prevenção e controle: compromisso coletivo

Mesmo sem cura na maioria dos casos, a hipertensão pode ser controlada com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida. A adoção de hábitos saudáveis é fundamental para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida. 

Entre as principais recomendações estão praticar atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos por semana), reduzir o consumo de sal (até 5g por dia, segundo a Organização Mundial da Saúde), manter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool, controlar o estresse, manter o peso adequado e realizar acompanhamento médico regular. 

“Mesmo com a adoção de hábitos saudáveis, é fundamental manter o acompanhamento regular com um profissional de saúde, que pode avaliar corretamente os níveis de pressão e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”, reforça o Dr. Leandro. 

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde cardiovascular e destaca que o controle da hipertensão depende de uma atuação conjunta entre pacientes, profissionais de saúde, famílias e sociedade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados