Com o tema “Together for health. Stand with science”, campanha da OMS destaca o valor da evidência científica e da cooperação em saúde
O
Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, tem em 2026 o tema oficial “Together
for health. Stand with science”, em uma mobilização global da Organização
Mundial da Saúde (OMS) para reforçar a ciência como base de decisões que
protegem pessoas, comunidades e sistemas de saúde. No Brasil, a data também
reacende um alerta fundamental: o pré-natal segue sendo uma das ferramentas
mais eficazes para garantir gestações mais seguras e reduzir riscos evitáveis
para mães e bebês.
O
Ministério da Saúde orienta que o pré-natal seja iniciado preferencialmente até
a 12ª semana de gestação, incluindo ao menos seis consultas ao longo do
período, com início precoce e acompanhamento contínuo. A importância desse
cuidado é evidenciada pelos dados nacionais mais recentes. Segundo nota técnica
do Ministério da Saúde publicada em 2025, o país registrou, em 2023, Razão de
Mortalidade Materna de 55,3 óbitos por 100 mil nascidos vivos — número inferior
aos picos da pandemia, mas ainda acima da meta assumida internacionalmente.
Para enfrentar o desafio, o governo federal lançou a Rede Alyne, que prevê
reduzir em 25% a mortalidade materna até 2027, com foco no fortalecimento da
linha de cuidado da gestante no Sistema Único de Saúde (SUS).
O
impacto do cuidado precoce também aparece no enfrentamento da sífilis
congênita. Em 2023, segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico e o tratamento
adequados durante o pré-natal evitaram 71% dos casos da doença em bebês,
levando a uma redução de 1.511 registros entre menores de um ano. Os números
mostram como rastreamento, exames e seguimento clínico rigoroso geram efeitos
reais e imediatos na saúde neonatal.
Para
o Dr. Eduardo Cordioli, diretor de Obstetrícia do Grupo Santa Joana, o tema
global deste ano dialoga diretamente com a prática clínica. “Falar em ciência
aplicada à saúde da gestante é falar de acompanhamento estruturado, diagnóstico
precoce, protocolos bem definidos e decisões baseadas em evidência. O pré-natal
é o momento em que conseguimos transformar conhecimento técnico em prevenção
real, identificando riscos antes que se tornem complicações mais graves”,
afirma.
O
especialista reforça que o pré-natal vai muito além de uma rotina protocolar.
“É durante a gestação que monitoramos pressão arterial, sinais de diabetes
gestacional, infecções, crescimento fetal, sintomas maternos e fatores de risco
que demandam atenção maior. Quanto mais cedo esse acompanhamento começa e
quanto maior a adesão da gestante às consultas, maiores são as chances de
conduzir a gestação com segurança e tranquilidade”, completa.
Segundo
o Ministério da Saúde, o início precoce das consultas é um dos principais
indicadores de qualidade da assistência, pois permite identificar alterações ao
longo da gravidez com tempo hábil para intervir. Na prática, isso envolve não
apenas a solicitação de exames, mas também o acompanhamento integral da mulher,
orientações sobre sinais de alerta, atualização vacinal, cuidados com
alimentação e saúde emocional, além do encaminhamento adequado para serviços de
maior complexidade, quando necessário.
Em
um país marcado por desigualdades de acesso, Dr. Eduardo Cordioli reforça que o
Dia Mundial da Saúde é um lembrete urgente. “ A maioria das mortes maternas que
ainda acontecem no Brasil não são inevitáveis. Elas podem ser reduzidas com
informação, vigilância clínica e assistência adequada. Defender a ciência,
neste contexto, é defender o valor do pré-natal de qualidade, do cuidado
individualizado e da integração entre atenção básica, diagnóstico e
maternidades preparadas para atender cada perfil de risco”, diz.
Ao relacionar o tema global de 2026 com a realidade brasileira, a data ressalta que a saúde materna não depende apenas do momento do parto, mas de uma jornada de cuidado que começa muito antes. Em um cenário em que mortes maternas e complicações neonatais ainda desafiam o sistema de saúde, investir em pré-natal qualificado é a forma mais direta de transformar evidência científica em proteção real para gestantes e bebês.
Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br
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