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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Criar um filho pode custar milhões, mas especialista defende: “não é despesa, é investimento de vida”

 

Um levantamento que voltou a circular nas redes sociais, com base em dados do Insper e do IBGE, estima que o custo para criar um filho no Brasil até os 18 anos pode variar de cerca de R$ 240 mil, nas faixas de renda mais baixas, a R$ 3,6 milhões ou mais, entre famílias de alta renda. Na classe C, os valores ficariam entre R$ 480 mil e R$ 1,2 milhão. Na classe B, entre R$ 1,2 milhão e R$ 2,4 milhões. Já na classe A, a partir de R$ 3,6 milhões. 

Os números chamam atenção e reacendem o debate sobre o impacto financeiro da criação dos filhos no orçamento familiar. Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, ABEFIN, e da DSOP Educação Financeira, o principal ponto não está no valor estimado, mas na forma como ele é interpretado. 

“Eu não concordo com a leitura de que filhos representam custo. Filhos são os nossos maiores e mais importantes investimentos. A diferença está na forma como enxergamos e organizamos essa jornada”, afirma. 

Segundo o educador, embora seja verdade que despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, lazer e outros itens possam representar, em média, cerca de 30% da renda familiar ao longo do tempo, o erro está em tratar essa realidade apenas como gasto acumulado. 

“O problema não é o valor. É a ausência de método. Quando uma família decide ter um filho, está assumindo um compromisso de longo prazo. Isso exige organização, clareza de sonhos e planejamento financeiro. Não é uma visão fria. Para mim, é exatamente o contrário: é o cuidado responsável”, destaca.
 

Metodologia estruturada para realizar sonhos

Reinaldo Domingos explica que a Metodologia DSOP, aplicada pela DSOP Educação Financeira, foi desenvolvida justamente para organizar projetos de vida de forma estruturada. A sigla representa quatro pilares: Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar. 

“Quando aplicamos essa metodologia à decisão de ter filhos, a lógica muda completamente. Em vez de perguntar quanto um filho vai pesar no orçamento, eu convido as famílias a refletirem: qual é o sonho que tenho para meu filho e como organizo meus recursos para sustentá-lo ao longo do tempo?”, afirma. 

De acordo com ele, ao incluir o filho de forma consciente no planejamento financeiro, a família passa a estruturar reservas, revisar padrões de consumo e alinhar prioridades. “Não se trata de gastar mais, mas de gastar com consciência e coerência com os próprios sonhos”, reforça.
 

Educação financeira começa na infância

Para o presidente da ABEFIN, o maior investimento não está apenas nos recursos destinados aos filhos, mas na formação que recebem dentro de casa. “Se ensinarmos nossas crianças e jovens a lidar com dinheiro desde cedo, estaremos formando adultos mais equilibrados financeiramente. Isso rompe ciclos de endividamento e desorganização”, afirma. 

Ele acrescenta que muitos conflitos familiares relacionados ao dinheiro surgem da ausência de diálogo: “Quando incluímos os filhos no entendimento do orçamento, mostramos como funcionam as escolhas e as prioridades. Aquilo que muitos enxergam apenas como despesa passa a ser também construção de responsabilidade.”
 

Padrão de vida e escolhas conscientes

O próprio levantamento evidencia que os valores variam conforme renda e padrão de consumo. Para Domingos, isso demonstra que não existe um número fixo, mas sim estilos de vida e decisões alinhadas à realidade de cada família. 

“Escolas, atividades, moradia e experiências fazem parte das decisões familiares. O que eu defendo é que tudo esteja alinhado à realidade financeira, sem comprometer a sustentabilidade ao longo do tempo. Sem planejamento, o sonho pode se transformar em preocupação constante. Com método, ele se torna projeto viável”, pontua. 

Ao final, o educador reforça que o amor não pode ser reduzido a cifras, mas que o planejamento deve fazer parte da equação. “Ter filhos é uma decisão emocional e profundamente humana. Meu papel como educador financeiro é orientar as famílias a estruturarem seus sonhos com responsabilidade. Eu não vejo filhos como custo. Eu vejo filhos como investimento de vida. E todo investimento consistente começa com diagnóstico, sonho estruturado, orçamento equilibrado e poupança consciente.”


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