Um levantamento
que voltou a circular nas redes sociais, com base em dados do Insper e do IBGE,
estima que o custo para criar um filho no Brasil até os 18 anos pode variar de
cerca de R$ 240 mil, nas faixas de renda mais baixas, a R$ 3,6 milhões ou mais,
entre famílias de alta renda. Na classe C, os valores ficariam entre R$ 480 mil
e R$ 1,2 milhão. Na classe B, entre R$ 1,2 milhão e R$ 2,4 milhões. Já na
classe A, a partir de R$ 3,6 milhões.
Os números chamam
atenção e reacendem o debate sobre o impacto financeiro da criação dos filhos
no orçamento familiar. Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação
Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, ABEFIN, e da DSOP Educação
Financeira, o principal ponto não está no valor estimado, mas na forma como ele
é interpretado.
“Eu não concordo
com a leitura de que filhos representam custo. Filhos são os nossos maiores e
mais importantes investimentos. A diferença está na forma como enxergamos e
organizamos essa jornada”, afirma.
Segundo o educador,
embora seja verdade que despesas com alimentação, moradia, saúde, educação,
lazer e outros itens possam representar, em média, cerca de 30% da renda
familiar ao longo do tempo, o erro está em tratar essa realidade apenas como
gasto acumulado.
“O problema não é
o valor. É a ausência de método. Quando uma família decide ter um filho, está
assumindo um compromisso de longo prazo. Isso exige organização, clareza de
sonhos e planejamento financeiro. Não é uma visão fria. Para mim, é exatamente
o contrário: é o cuidado responsável”, destaca.
Metodologia
estruturada para realizar sonhos
Reinaldo Domingos
explica que a Metodologia DSOP, aplicada pela DSOP Educação Financeira, foi
desenvolvida justamente para organizar projetos de vida de forma estruturada. A
sigla representa quatro pilares: Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar.
“Quando aplicamos
essa metodologia à decisão de ter filhos, a lógica muda completamente. Em vez
de perguntar quanto um filho vai pesar no orçamento, eu convido as famílias a
refletirem: qual é o sonho que tenho para meu filho e como organizo meus
recursos para sustentá-lo ao longo do tempo?”, afirma.
De acordo com ele,
ao incluir o filho de forma consciente no planejamento financeiro, a família
passa a estruturar reservas, revisar padrões de consumo e alinhar prioridades.
“Não se trata de gastar mais, mas de gastar com consciência e coerência com os
próprios sonhos”, reforça.
Educação
financeira começa na infância
Para o presidente
da ABEFIN, o maior investimento não está apenas nos recursos destinados aos
filhos, mas na formação que recebem dentro de casa. “Se ensinarmos nossas
crianças e jovens a lidar com dinheiro desde cedo, estaremos formando adultos
mais equilibrados financeiramente. Isso rompe ciclos de endividamento e desorganização”,
afirma.
Ele acrescenta que
muitos conflitos familiares relacionados ao dinheiro surgem da ausência de
diálogo: “Quando incluímos os filhos no entendimento do orçamento, mostramos
como funcionam as escolhas e as prioridades. Aquilo que muitos enxergam apenas
como despesa passa a ser também construção de responsabilidade.”
Padrão de
vida e escolhas conscientes
O próprio
levantamento evidencia que os valores variam conforme renda e padrão de
consumo. Para Domingos, isso demonstra que não existe um número fixo, mas sim
estilos de vida e decisões alinhadas à realidade de cada família.
“Escolas,
atividades, moradia e experiências fazem parte das decisões familiares. O que
eu defendo é que tudo esteja alinhado à realidade financeira, sem comprometer a
sustentabilidade ao longo do tempo. Sem planejamento, o sonho pode se
transformar em preocupação constante. Com método, ele se torna projeto viável”,
pontua.
Ao final, o
educador reforça que o amor não pode ser reduzido a cifras, mas que o planejamento
deve fazer parte da equação. “Ter filhos é uma decisão emocional e
profundamente humana. Meu papel como educador financeiro é orientar as famílias
a estruturarem seus sonhos com responsabilidade. Eu não vejo filhos como custo.
Eu vejo filhos como investimento de vida. E todo investimento consistente
começa com diagnóstico, sonho estruturado, orçamento equilibrado e poupança
consciente.”
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