Especialista analisa crescimento até três vezes mais rápido dos diagnósticos
Celebrado no dia
08 de abril, o Dia Mundial de Combate ao Câncer chama atenção para o avanço dos
diagnósticos da doença entre adultos jovens. Embora a doença ainda seja mais
comum após os 50 anos, estudos recentes mostram um aumento expressivo da
incidência entre pessoas de 20 a 40 anos, especialmente nos casos de câncer
colorretal, de mama, de tireoide, melanoma e alguns tipos hematológicos.
Uma pesquisa
publicada em outubro de 2025 na JAMA Network Open, que analisou 13
tipos de câncer em 42 países, identificou crescimento da incidência entre os
mais jovens na maioria das nações avaliadas para seis tipos da doença:
tireoide, mama, colorretal, rim, endométrio e leucemia. Em 69% dos países, esse
aumento foi mais acentuado entre os jovens do que entre adultos mais velhos. No
Brasil o cenário também é preocupante, segundo dados do Ministério da Saúde,
casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre
2013 e 2024.
De acordo com a
professora de Oncologia do Afya Centro Universitário de Itaperuna, Dra. Ana
Vitarelli, esse crescimento não pode ser explicado por um único fator.
“Trata-se de um fenômeno mundial e multifatorial. Observamos mudanças
importantes no estilo de vida, maior exposição a riscos ambientais e metabólicos,
além do avanço dos métodos diagnósticos, que hoje permitem identificar tumores
de forma mais precoce”, explica.
Entre os
principais fatores associados ao aumento dos casos estão o sedentarismo, a
alimentação rica em produtos ultraprocessados, a obesidade, o consumo de álcool
e o tabagismo. Segundo a especialista, apenas o sedentarismo e o excesso de
peso já estão relacionados a pelo menos 13 tipos de câncer.
Além disso, a
urbanização acelerada e a globalização também impactam diretamente a saúde. A
mudança no padrão alimentar, a redução da atividade física e a maior exposição
a poluentes ambientais, pesticidas, produtos químicos e microplásticos,
especialmente na infância, são apontadas como elementos que podem favorecer o
desenvolvimento da doença. “Esses agentes nem sempre são carcinógenos diretos,
mas interferem no sistema imunológico e no ambiente celular”, destaca Dra. Ana.
Outro ponto
relevante é o aprimoramento do diagnóstico. Segundo a oncologista, o maior
acesso a exames e tecnologias mais precisas não causa o aumento real dos casos,
mas contribui para que eles sejam mais bem registrados e identificados mais
cedo, inclusive em faixas etárias mais jovens.
Apesar disso,
muitos jovens ainda subestimam sinais de alerta. “Existe uma falsa percepção de
que o câncer é uma doença distante, restrita aos mais velhos. Em um país como o
Brasil, isso se soma à desinformação e à sensação de invulnerabilidade comum
nessa fase da vida”, afirma a professora. Sintomas como dor persistente,
alterações intestinais, emagrecimento sem causa aparente, nódulos, sangramentos
inexplicados e fadiga prolongada devem sempre ser investigados,
independentemente da idade.
A genética também
tem papel importante, podendo antecipar o aparecimento da doença em alguns
casos. No entanto, a especialista reforça que a maioria dos diagnósticos em
jovens não está ligada exclusivamente ao histórico familiar. “Ter parentes com
câncer aumenta o risco, mas os hábitos de vida continuam sendo determinantes
fundamentais”, ressalta.
Prevenção e informação
salvam vidas
Embora nem todos os casos de câncer possam ser evitados, a
especialista reforça que algumas medidas reduzem significativamente o risco em
qualquer idade:
- Manter
uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e alimentos in natura;
- Praticar
atividade física regularmente;
- Evitar
o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
- Manter
o peso adequado;
- Usar
protetor solar e evitar exposição excessiva ao sol;
- Manter
a vacinação em dia, como HPV e hepatite B;
- Procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes e realizar exames preventivos quando indicados.
Além disso, a orientação médica
individualizada é essencial, especialmente para pessoas com histórico familiar
ou outros fatores de risco, que podem justificar o início mais precoce de
exames de rastreamento. “O câncer em jovens é uma realidade crescente, mas a
boa notícia é que muitos casos apresentam altas chances de cura quando
diagnosticados precocemente. Informação, atenção aos sinais do corpo e hábitos
saudáveis fazem toda a diferença”, conclui a professora.
Afya
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