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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Alergias respiratórias em alta: como proteger o nariz na virada do outono

Queda da umidade, mudanças de temperatura e mais tempo em ambientes fechados favorecem crises alérgicas; especialista orienta como prevenir

 

A chegada do outono marca um período de transição que vai além das temperaturas mais amenas. Para quem sofre com alergias respiratórias, a estação costuma ser sinônimo de desconforto — e exige atenção redobrada com a saúde do nariz. 

Dados recentes mostram a dimensão do problema: mais de 30% da população brasileira convive com algum tipo de alergia, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde. Entre as mais comuns estão a rinite e a asma, condições que tendem a se intensificar justamente nos meses mais secos do ano. 

Segundo a otorrinolaringologista Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, a combinação de fatores típicos da estação cria um cenário propício para o agravamento dos sintomas. 

“Com a queda da umidade do ar e das temperaturas, as mucosas do nariz ficam mais ressecadas e vulneráveis. Ao mesmo tempo, as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados, o que aumenta a exposição a poeira, ácaros e vírus respiratórios”, explica.

 

Nariz mais sensível e sistema imune sob pressão 

O nariz funciona como uma barreira natural de defesa do organismo, responsável por filtrar impurezas e microrganismos. No entanto, o ar seco compromete esse mecanismo. 

Quando a mucosa nasal perde hidratação, a produção de muco se altera e a capacidade de eliminação de partículas diminui. Esse processo favorece irritações, crises alérgicas e até infecções respiratórias. 

De acordo com especialistas, esse cenário se soma a um contexto global de crescimento das alergias. Estimativas indicam que até 2050 metade da população mundial poderá ter algum tipo de alergia.

 

Sintomas que se intensificam no outono 

Durante esse período, é comum observar o aumento de sintomas como:

  • espirros frequentes
  • congestão nasal
  • coriza
  • coceira no nariz e nos olhos
  • tosse seca
  • sensação de nariz e garganta ressecados

“Pacientes com rinite alérgica costumam perceber uma piora significativa nessa época. Em muitos casos, os sintomas são confundidos com resfriados recorrentes, o que pode atrasar o diagnóstico”, alerta a médica.

 

Como proteger o nariz na mudança de estação 

Apesar do aumento dos casos, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o impacto do outono na saúde respiratória. 

Entre as principais recomendações estão:

  • manter boa hidratação ao longo do dia
  • realizar lavagem nasal com soro fisiológico
  • evitar ambientes fechados e pouco ventilados
  • reduzir exposição à poeira, mofo e ácaros
  • manter a limpeza frequente de roupas de cama e ambientes
  • utilizar umidificadores ou recipientes com água em locais muito secos

“A higiene nasal é uma aliada importante nesse período, pois ajuda a manter a mucosa hidratada e a eliminar partículas que podem desencadear crises alérgicas”, orienta.

 

Imunidade também entra em jogo 

Outro ponto importante é a relação entre imunidade e alergias respiratórias. Embora não sejam doenças infecciosas, as alergias estão diretamente ligadas à resposta do sistema imunológico. 

Quando o organismo está mais sensível — seja por fatores ambientais, estresse ou hábitos inadequados —, as reações alérgicas tendem a se intensificar. 

Por isso, manter uma rotina equilibrada, com boa alimentação, hidratação e qualidade do sono, também contribui para reduzir o risco de crises.

 

Quando procurar um especialista 

Se os sintomas forem persistentes, intensos ou recorrentes, a avaliação com um especialista é fundamental.

“Quando há impacto na qualidade de vida, dificuldade para respirar ou sintomas frequentes, é importante investigar. O tratamento adequado ajuda não só a controlar as crises, mas também a prevenir complicações”, finaliza a especialista.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

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