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terça-feira, 28 de abril de 2026

A vacina da gripe é para todos? Infectologista fala sobre a importância da imunização

 

Infectologista explica quem deve se vacinar, desmente mitos sobre a imunização e explica por que a dose anual é importante para prevenir casos graves 

 

Com a chegada do outono e o aumento na circulação de vírus respiratórios, a vacinação contra a gripe volta ao centro do debate na saúde pública. A atual Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou com alta procura nos postos de saúde: mais de 2,3 milhões de doses já foram aplicadas no país. Os números reforçam a importância da imunização antes do inverno, período de maior circulação do vírus, especialmente diante do risco de complicações graves e hospitalizações entre grupos mais vulneráveis. 

Embora ainda haja dúvidas sobre quem deve se vacinar, a recomendação é clara: a imunização é indicada para toda a população a partir dos seis meses de idade. No Sistema Único de Saúde (SUS), a campanha prioriza inicialmente grupos mais vulneráveis, como gestantes, crianças, idosos e pessoas com comorbidades, mas na rede privada a vacina está disponível para toda a população. Além do acesso em clínicas, modelos de vacinação domiciliar também têm sido uma alternativa para famílias. É o caso da Nina Saúde, que oferece vacinação em casa, o que permite imunizar toda a família no conforto do lar. 

Segundo o infectologista Bil Randerson Bassetti, mestre em Biotecnologia e cofundador da Nina Saúde, a vacina é uma estratégia de proteção coletiva e individual, inclusive para quem raramente adoece. “Existe a percepção equivocada de que só precisa se vacinar quem costuma ter gripe com frequência ou faz parte de grupos de risco. Mas qualquer pessoa pode se tornar vulnerável e, além disso, a imunização ajuda a reduzir a circulação do vírus”, comenta. 

Entre os grupos em que a vacinação é ainda mais importante estão gestantes, crianças menores de cinco anos, idosos, pessoas com obesidade, diabetes, cardiopatias, doenças respiratórias, pacientes imunossuprimidos e profissionais da saúde. Segundo o médico, mesmo pessoas muito frágeis ou com a imunidade comprometida devem ser vacinadas. As contraindicações são raras e geralmente se restringem a casos de alergia grave a doses anteriores ou reações relacionadas ao ovo. 

Outro ponto de desinformação é a ideia de que a vacina pode causar gripe. “Isso é um mito. A vacina não provoca a doença, porque não contém vírus capaz de causar infecção. O que pode acontecer é a pessoa associar reações leves, como indisposição, ou até outras infecções respiratórias à vacinação”, afirma o infectologista . 

A recomendação de tomar a vacina todos os anos é porque o vírus influenza sofre mutações frequentes, e as cepas em circulação mudam de uma temporada para outra. Por isso, o imunizante é atualizado anualmente para manter a proteção. 

Há ainda dúvidas sobre situações específicas, como estar resfriado ou com febre. De acordo com o Dr. Bassetti, quadros febris pedem apenas cautela e, em geral, a orientação é aguardar a melhora dos sintomas antes de se vacinar. Já em casos de diagnóstico confirmado de influenza, o ideal é esperar alguns dias para receber a dose. A vacina também pode ser administrada junto com outros imunizantes do calendário, ou seja, pode ser um bom momento para colocar as imunizações em dia. 

Já na comparação entre os imunizantes oferecidos pelo SUS e pela rede privada, há diferenças importantes. Enquanto a vacina aplicada na rede pública é trivalente, protegendo contra três cepas do vírus, a disponível na rede privada costuma ser quadrivalente, com cobertura ampliada para quatro cepas em circulação. Segundo Bassetti, isso amplia a proteção, especialmente em temporadas de maior circulação viral. 

Além disso, na rede privada as vacinas costumam ser ofertadas em doses unitárias, enquanto no sistema público são comuns frascos multidoses. Essa é uma diferença operacional que também reduz a necessidade de conservantes. Ainda assim, ambas cumprem o papel central de prevenir formas graves da doença. 

Para o infectologista, o principal erro ainda é enxergar a vacinação apenas como resposta a surtos, e não como prevenção. “Muitas vezes a adesão cresce quando os casos aumentam, quando o ideal seria se proteger antes. A vacina segue sendo a forma mais segura de evitar complicações e reduzir o impacto da gripe”, conclui.


Nina Saúde


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