Manual internacional reforça urgência de ampliar
cobertura vacinal e diagnóstico precoce para conter avanço de doenças que podem
levar à cirrose e câncer de fígado
A
Organização Mundial da Saúde acaba de lançar um novo manual global com
estratégias para acelerar a eliminação das hepatites virais até 2030, colocando
novamente o tema no centro das discussões de saúde pública mundial. A
iniciativa surge em um momento crítico, marcado por baixas taxas de vacinação e
alto número de pessoas que ainda desconhecem o diagnóstico.
As
hepatites virais seguem como um problema relevante de saúde pública, com impacto
direto não só na saúde individual, mas também no sistema de saúde e na
economia. “Estamos falando de doenças silenciosas, que muitas vezes só dão
sinais em fases mais avançadas, quando já há comprometimento do fígado. Isso
torna o diagnóstico precoce e a prevenção ainda mais importantes”, explica Dra.
Patrícia Almeida Hepatologista, doutora pela USP e membro da Sociedade
Brasileira de Hepatologia.
Entre
os tipos mais comuns estão as hepatites A, B e C. A hepatite A tem transmissão
fecal-oral e costuma ter evolução aguda. Já as hepatites B e C são transmitidas
principalmente por contato com sangue contaminado, relações sexuais
desprotegidas ou objetos perfurocortantes, podendo evoluir para formas
crônicas.
“Quando
não tratadas, as hepatites B e C podem levar a complicações graves como cirrose
e câncer de fígado. E o grande problema é que muitos pacientes convivem com o
vírus sem saber”, alerta Dra. Patrícia.
Vacinação
abaixo da meta preocupa
Apesar
da existência de vacinas seguras e eficazes contra as hepatites A e B, a
cobertura vacinal ainda está aquém do ideal no Brasil. Dados do Ministério da
Saúde mostram que, em 2021, a cobertura da segunda dose da vacina contra
hepatite B em crianças menores de um ano foi de 77,8%, abaixo da meta de 90%.
Já para hepatite A, a cobertura ficou em 64,8% entre crianças e adolescentes,
também distante do recomendado.
As
hepatites virais continuam a representar uma ameaça significativa à saúde
pública no Brasil. Somente em 2024, o país registrou mais de 34 mil casos da doença
e cerca de 1.100 mortes diretas.
“Esses
números são preocupantes porque indicam uma população ainda vulnerável. A
vacinação é a principal ferramenta de prevenção e precisa ser ampliada com
urgência”, reforça a especialista.
Atualmente,
a vacina contra hepatite A é aplicada em duas doses, enquanto a vacina contra
hepatite B segue esquema de três doses. Ambas oferecem proteção eficaz e
duradoura. Já a hepatite C ainda não possui vacina disponível, o que torna o
diagnóstico e tratamento ainda mais essenciais.
Impacto vai
além da saúde individual
A baixa cobertura
vacinal e o grande número de casos não diagnosticados podem resultar em aumento
de internações, complicações graves e custos elevados para o sistema de saúde.
Além disso, o
estigma ainda associado às hepatites virais contribui para o atraso no
diagnóstico e no tratamento. “Muitas pessoas evitam falar sobre o tema ou
buscar ajuda por preconceito ou falta de informação. Isso precisa mudar.
Informação também é uma forma de prevenção”, destaca Dra. Patrícia.
Alerta global
e necessidade de ação imediata
O novo manual da
OMS reforça que eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até
2030 é possível, mas depende de ações coordenadas entre governos, profissionais
de saúde e população.
“A gente tem
vacina, tem tratamento e tem conhecimento. O que falta, muitas vezes, é ampliar
o acesso e conscientizar a população sobre a importância de se prevenir e se
testar”, finaliza a hepatologista.
Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
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