
Especialista esclarece mitos e verdades sobre a saúde após os 60 anos.
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No Dia
da Mentira, geriatra alerta para informações equivocadas que podem comprometer
a qualidade de vida na maturidade
No Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, a reflexão vai além das brincadeiras tradicionais. A data também convida a questionar informações que circulam, especialmente quando o assunto é saúde. Em um país que envelhece em ritmo acelerado, combater mitos sobre o envelhecimento deixou de ser apenas uma questão de esclarecimento: tornou-se uma estratégia essencial para promover autonomia, prevenção e qualidade de vida.
Dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a dimensão dessa
transformação demográfica. Nas últimas duas décadas, a população a partir dos
60 anos mais que dobrou, passando de 15,2 milhões em 2000 para cerca de 33
milhões em 2023. As projeções indicam que o envelhecimento continuará
avançando: até 2070, aproximadamente 75,3 milhões de pessoas terão 60 anos ou
mais, o equivalente a quase 38% da população. Diante desse cenário, informação
de qualidade e políticas voltadas à promoção da saúde tornam-se pilares
fundamentais para garantir um envelhecimento ativo e sustentável.
De acordo com o Dr. José
Carlos Sizino, médico geriatra da MedSênior, parte dos
equívocos mais comuns decorre da ideia de que adoecer seria consequência
natural da idade. “Envelhecer não significa adoecer. Muitas condições que
surgem com maior frequência após os 60 anos podem ser prevenidas, controladas
ou tratadas quando diagnosticadas precocemente”, afirma.
A seguir, o
especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre a saúde da
pessoa idosa:
“A
qualidade do sono influencia diretamente a saúde do idoso.”
Verdade.
Alterações no
padrão de sono são comuns com o avanço da idade, mas não devem ser
negligenciadas. Dormir bem é essencial para a regulação hormonal, a memória, o
humor e o sistema imunológico. Distúrbios do sono, como insônia e apneia, devem
ser investigados e tratados adequadamente.
“Perder
a memória é algo normal da idade.”
Parcialmente mito.
Pequenos lapsos
ocasionais podem ocorrer com o avanço da idade, mas perdas progressivas que
interferem nas atividades diárias não são consideradas normais. Quadros como
demência exigem avaliação médica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
a demência afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo, sendo o principal
fator de risco a idade avançada. A cada ano, surgem quase 10 milhões de novos
casos, o que reforça a dimensão global do desafio e a importância do
diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado.
“Quedas
fazem parte do envelhecimento.”
Mito.
Embora o risco
aumente com a idade, é possível evitar as quedas. Segundo o Ministério da
Saúde, elas estão entre as principais causas de internação de pessoas idosas no
Brasil. Fatores como fraqueza muscular, uso inadequado de medicamentos e ambientes
domésticos inseguros podem ser prevenidos com acompanhamento e adaptação.
“A
alimentação impacta diretamente a saúde na terceira idade.”
Verdade.
Uma dieta
adequada, rica em nutrientes, contribui para a prevenção e o controle de
doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e dislipidemias. Além disso,
auxilia na manutenção da massa muscular, da imunidade e da funcionalidade,
fatores essenciais para a autonomia.
“Não
vale a pena mudar hábitos depois dos 60.”
Mito.
Evidências
científicas demonstram que mudanças no estilo de vida com alimentação
equilibrada, controle da pressão arterial e da glicemia, cessação do tabagismo
e prática de exercícios, reduzem riscos cardiovasculares e melhoram a
funcionalidade mesmo em idades mais avançadas.
“A
interação social é um fator de proteção para a saúde.”
Verdade.
Manter vínculos
sociais ativos está associado à redução do risco de depressão, declínio
cognitivo e até de mortalidade. A convivência familiar, atividades em grupo e
participação comunitária contribuem para o bem-estar emocional e para a
manutenção da autonomia.
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