Em fevereiro, preços de produtos e serviços registraram alta de 0,96%
A
educação e os alimentos foram os principais responsáveis pelo aumento do custo
de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em fevereiro, de acordo com
o indicador Custo de Vida por Classe Social (CVCS), elaborado e divulgado
mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de
São Paulo (FecomercioSP). Com variação mensal de 5,28%, a educação contribuiu
com praticamente um terço (0,31 ponto porcetual – p.p.) no resultado geral do
CVCS (0,96%). Os alimentos e as bebidas, por sua vez, registraram alta mensal
de 1,04%, respondendo por 0,23 p.p. de participação.
Em 12 meses, o custo de vida acumula altas de 10,70% e, nos dois primeiros
meses de 2022, de 1,63%. No ano passado, o CVCS acumulava 1% entre janeiro e
fevereiro, e 5,09%, no período entre março de 2020 e o segundo mês de 2021.
Para as classes de menor poder aquisitivo, o custo de vida é mais alto no
acumulado em 12 meses: 12,13% para a classe E, e 11,98%, para a D. Já para as
famílias com melhores condições financeiras, as variações foram de 9,95% e 10%
para as classes B e A, respectivamente.
O aumento da educação no início do ano já era esperado. O motivo foi o reajuste
das matrículas escolares, tradicional para o período. Neste sentido, o
crescimento médio de cursos regulares foi de 6,17%, porém, o ensino fundamental
apontou elevação de 7,67%. Dentre os cursos diversos, o destaque ficou por
conta das aulas de línguas estrangeiras, que subiu, na média, 9,92% no mês. No
período compreendido entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2022, houve
incremento acumulado de 4,27%, e entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, de
5,44%.
O grupo de alimentação e bebidas, porém, segue com a inflação disseminada entre
os itens. Impactado pelo excesso de chuva, que prejudicou a colheita e acabou
reduzindo a oferta, 70% dos alimentos apontaram aumento em fevereiro. A
maior variação foi observada nas hortaliças e verduras (20,63%), com destaque
para a alface (21,24%) – o repolho também obteve alta relevante (26,35%).
Contudo, o respectivo peso no índice é menor. Outras altas expressivas foram
apontadas em tubérculos, raízes e legumes, dentre eles, a batata-inglesa
(28,03%) e a cenoura (39,26%). Nos últimos 12 meses, os acumulados do grupo são
de 8,52%, e no ano, de 2,38%.
As famílias de renda mais baixa, para as quais o grupo de alimentação e bebidas
corresponde a quase 30% do orçamento, seguem sendo as mais afetadas. A variação
do grupo para a classe D foi de 1,52%. Já para a classe A, o aumento médio foi
de 0,80%.
Dos nove grupos analisados na pesquisa, oito apresentaram aumento, e um,
estabilidade. A habitação obteve variação mensal de 0,79% (0,13 p.p.),
alavancada pelos serviços de aluguel residencial, que subiram 1,5%, e pelo
preço da energia elétrica (elevação de 0,66%). Já no varejo, ficaram mais caros
os preços dos reparos que agregam tintas, cimento, tijolos, entre outros
(2,22%).
Por fim, os transportes registraram leva alta de 0,30%, puxados por veículos
próprios (2,31%), óleo lubrificante (4,14%), acessórios e peças (2,73%) e
automóvel usado (2,37%). Entretanto, houve redução no preço médio do etanol
(6,22%), nas passagens aéreas (4,27%) e no transporte interestadual (0,78%). As
demais altas foram observadas nos seguintes grupos: saúde (0,68%), artigos do
lar (0,84%), vestuário (1,01%) e despesas pessoais (0,47%). A comunicação foi a
única a apresentar estabilidade, pois se trata de serviços que sofrem reajustes
anualmente, os quais já ocorreram em janeiro.
IPV e IPS
O Índice de Preços do Varejo (IPV) aumentou 1,14% em fevereiro, apontando alta
acumulada de 2,41% no ano e variando, nos últimos 12 meses, 14,57%. No ano
passado, o indicador acumulava 2,11% entre janeiro e fevereiro, e 9,32%, no
período compreendido entre março de 2020 e o segundo mês de 2021. Já o Índice
de Preços de Serviços (IPS) assinalou avanço de 0,78%, acumulando alta de 0,79%
no ano. Nos últimos 12 meses, o indicador variou 6,71%. Há um ano, entre
janeiro e fevereiro, o índice acumulava -0,17%. No período compreendido entre
março de 2020 e fevereiro de 2021, a variação era de e 0,76%.
Reajustes nos combustíveis
As atualizações recentes nos valores dos combustíveis – ainda não identificadas
nas variações de preços dos grupos analisados – devem influenciar os resultados
do mês de março, além do impacto, no médio prazo, do aumento do óleo diesel e
dos seus efeitos na cadeia logística.
Neste contexto, ainda há o cenário de baixo crescimento, taxa de juros próxima
aos 12% e inflação elevada, que inibem os investimentos das empresas e
dificultam a retomada do mercado de trabalho – o que seria essencial para
recompor e proteger a renda das famílias.
Nota metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de
Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da
Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de
renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de
preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A
estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo
obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O
IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.
FecomercioSP
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